Em Chapter 46, House of Cards estabeleceu um paralelo entre as posturas dos Underwood e dos Conway e, assim, ficou evidente a ameaça clara do republicano aos planos dos protagonistas. Dissimulado, carismático, enérgico e com uma aproximação ao universo virtual que emana na sociedade atual, Will exibiu sua faceta animalesca continuamente nos episódios seguintes. Retirou o General da Defesa do Estado para encurralá-lo em um dilema maior que o que ele enfrentava com Francis, fez questão de conversas sérias sobre política para então trocar tudo por uma partida de jogo de celular com o Presidente e, então, a melhor bolacha do pacote: derrubou uma estratégia militar contrária a ICO que poupava as vidas estadunidenses para aumentar as pedras no sapato do rival. Nada disso é errado ou digno de ser julgado, Política, Moral e Ética são coisas que não se misturam em um universo realista de sede por poder, no entanto o vídeo de oferta de ajuda para negociar com os terroristas captores da família foi algo que levou questionamentos sobre seu real preparo para assumir o cargo máximo do país.
A resposta de Conway às demandas dos captores foi de um nível de impulsividade desleixada. Há coisas com que se brinca e manipula em política e terrorismo não é uma delas. E esse foi o momento em que ficou claro que, de fato, Conway é uma farsa, como Francis veio a afirmar. Ele está preocupado demais com a imagem, com as capas de revistas e o tempo que consegue de notoriedade na mídia. Afinal, qual a plataforma política concreta que Will apresentou até o momento? Mais liberdade, mais proteção, menos governo e menos impostos são palavras tão abrangentes e vagas. E o único ponto direto de sua campanha foi a questão da ICO e a Defesa, no entanto Frank já colocou isso em prática. Ou seja: qual a necessidade de Conway como Presidente? Por isso, o tratamento do candidato pelo roteiro está sendo exemplar, porque não somente ele lidera as pesquisas, como é a figura que está na boca do povo. Uma ironia (e também reflexo) em relação à realidade.
A direção de Chapter 51 foi um destaque. A série pode brincar com os participantes do jogo político, mas não faria isso com o terrorismo. Assim, a tensão e a seriedade eram necessárias e isso foi cumprido com louvor. A primeira ligação de Conway com os captores foi um exercício primoroso de escalação de tensão e vale o elogio a Joel Kinnaman, que vem fazendo um trabalho ótimo ao longo da temporada, mas foi aqui, quando pode ir além da ironia, do deboche e da arrogância que ele exibiu sua força como intérprete. O orgulho de si que Will exibiu após ter triunfado na primeira ligação foi cômico, porém Francis não poderia deixar barato e, naquela conversa na cozinha, ele pisou no adversário, atingindo-o exatamente no ponto em causaria mais dor: a sobreposição da imagem perante sua capacidade gerencial. O Presidente pode aguentar tapas calado, mas não se deixaria ser diminuído gratuitamente, principalmente em sua casa, e a expectativa de sua ligação para os captores ao final do episódio foi de dar frio na espinha. Que venha o caos! Porque dificilmente o protagonista conseguirá retirar aqueles reféns todos com vida e esse show será, ao vivo, o que torna tudo ainda melhor.
Se antes, Tom estava pescando possibilidades contra o Presidente, agora o circo vai pegar fogo de certeza. Não somente Danton, como também Walker e Sharp estão provendo conjecturas para conectar as pontas. Esse trio tem força suficiente para causar bastante estrago, principalmente na reta final da campanha eleitoral. Assim, com as ações de Aidan correndo risco de virem a ser descobertas, com o artigo de Tom prestes a ser publicado e com a situação dos captores cheirando a tragédia, o season finale dessa quarta temporada promete destruição geral. Será que finalmente House of Cards instalará o caos em sua história?
P.S.: “Você se arrepende de não ter tido filhos?” – Hannah. “Você se arrepende de ter tido?” – Claire. Como não amar ainda mais Claire depois de uma resposta dessas?
P.S.: O debate presidencial inicial foi uma amostra do quanto os Underwood sabem criar inferno em curto, médio e longo prazo.














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