Orgulho Franco.

Em alguns anos frequentando o Twitter, ainda que com um número singelo de seguidores, sigo e sou seguido por uma galera que é relevante dentro do cenário do entretenimento desse país. Mesmo que anônimos, alguns perfis são parâmetro para avaliação do que é predominante naquele cenário. E definitivamente, a rede do passarinho funciona numa diretriz muito diferente do Facebook. Supõe-se que a galera cool, os influenciadores de mídia e os símbolos da força de uma personalidade, estão todos lá. Não é uma questão de alcance, mas de conteúdo.

Isso é o suficiente para explicar porque Ana Paula é tão popular nessa rede. Importante dizer que essa não é uma unificação de todos os exageros de Ana Paula correlacionando-os com o pessoal que está lá no twitter. Mas – e essas não são impressões só minhas – há um evidente movimento separatista de abordagens. É como se o Facebook fosse mais moralista, mais politicamente correto e “alienado”. O twitter é a terra da “franqueza”. Essas aspas, contudo, não são um deboche, são apenas uma maneira de evitar que essas verdades sejam absolutas.

O BBB16 tem uma “tuiteira” potencial. Ana Paula veio como aquela que não tem medo de falar o que quer, doa a quem doer, seja lá o que for. A internet é um terreno tomado de exaltação do que se chama de “personalidade forte”. Não é nada incomum encontrar os tais “anti-hipocrisia” defendendo a franqueza a qualquer preço. A presença de Ana Paula no BBB16, inclusive, trouxe à tona o Orgulho Franco, um movimento esmagador de perpetuação da atitude “anti-bunda-mole”, que confunde, constantemente, a franqueza com a grosseria e a arrogância.

“Outros simplesmente gostam demais dessa característica, pois acreditam se tratar de uma qualidade, e ignoram o outro, seus limites e emoções. Fazem questão de praticar a sinceridade custe o que custar e chegam ao ponto de não perceber o motivo do distanciamento da família, da ausência de amigos, dos empregos que não dão certo” Izabel Failde – Psicóloga*

Desde que entrou no BBB16, Ana Paula demonstra problemas de expor suas opiniões ou seus posicionamentos sem atravessar a linha da grosseria. Não é que o que ela diz não seja verdade – quase sempre é – mas sua habilidade de assertividade panorâmica se perde na sua total falta de inteligência emocional. Se na vida isso já gera alguns prejuízos, no BBB não será diferente e metade das razões da moça serão eclipsadas por um discurso arrogante e grosseiro que muitas vezes não está contextualizado.

Desde que eliminou Laércio, a participante jogou-se no enredo com todas as portas abertas. Isso é o que todo participante deve fazer, inclusive. No caso da permanência de Ana Paula há uma rivalidade com Daniel que é imensamente bem-vinda. Se ela é o extremo da intransigência, ele é o extremo da falsa-humildade. Dois jogos errados, o dela um pouco mais suicida que o dele, já que não é difícil encontrar gente que acredite no moço. Pessoas como Ana Paula confundem elegância e gentileza com falta de honestidade ou “comportamento sonso”, mas no caso de Daniel não é equilíbrio, é só outra vertente da petulância.

Essa terceira semana foi cheia de latências, inclusive. Infelizmente, muito da roda do jogo continua partindo de casais. Munik e Juliana protagonizaram uma disputa velada por Renan que só atrasa a vida delas. Incrível como essas moças não percebem que numa coisa assim só quem sai ganhando é o homem. Renan tem uma declarada atração por Munik, mas se identifica mais com Juliana. Flerta com as duas, é claro, e deixa que eles determinem o papel dele no jogo. Esperto como ele só…

Cacau também anda definindo seu norte a partir de Matheus. O ataque de ciúmes e insegurança é totalmente condizente com a idade da menina e com suas mazelas, mas não fica bonito no vídeo. A produção sempre acerta na escolha das moças inseguras que se afirmam a partir de seus homens e Cacau não está interessada em seguir numa direção diferente, como fez Fernanda no BBB13. Ela reforça uma idéia infantil de si mesma, como se Matheus fosse a figura paterna necessária para alimentar sua auto-estima. O episódio em que Adelia foi acordá-la para que ela vigiasse a proximidade entre ele e Munik foi lamentável para ambas.

A desistência de Alan também foi outro ponto alto da semana. Não por ele, infelizmente. O moço teve problemas sérios (não entendo uma produção que escolhe um participante que pede para ser avisado de problemas familiares caso eles aconteçam, por mais grave que sejam. O melhor é ele não entrar) e torcemos para o seu melhor. Sua saída, contudo, trouxe de volta um twist dos melhores que o BBB já teve e o paredão fake que levou Ana Paula até uma eliminação fingida foi delicioso de ver. Foi a  hora certa, quando ela e Ronan dividiam uma berlinda injusta para os dois, sendo ela a melhor escolha justamente porque ela será a que fará mais barulho quando voltar. Ver a cara de seus desafetos nesse retorno será simplesmente épico. Daniel cansou há muito tempo, com seu discurso pela justiça, sendo a justiça o conceito mais escorregadio do show.

Falando em justiça, aliás, se for pra ser mesmo justo, precisamos admitir que Ana Paula tem toda razão ao dizer que o jogo alheio anda sendo justificado a qualquer preço, enquanto Ronan ainda fulgura como o capeta da edição. O caso de Ronan foi uma abordagem estratégica que acabou sendo desmascarada. Com ele para demonizar, todos os outros tiveram a chance de mostrar como são corretos e cheios de caráter. Porém, eles se esquecem – Juliana se esquece – que tomar uma decisão que vá contra o que andou divulgando é jogo estratégico na mesma medida. Todos se esquecem que mudar voto por causa de quem foi imunizado, compartilhar voto porque acha que sabe em quem o outro vai votar, proteger aliados ou atacar inimigos, é tudo jogo. Jogo não é só o que pode ser negativado segundo a moral, como combinar ou armar situações. O que combina ou arma, só está sendo mais honesto.

Mas, espera aí Henrique… Você não disse que Ana Paula era complicada justamente porque acha que é franca demais? Sim, continuo achando. Mas, esse não é um apontamento que visa uma correção de valores. Quem sou eu pra isso? Me preocupa a forma como não se compreende que o temperamento da moça é ótimo pro show, mas que festejar essa franqueza a qualquer preço é o mesmo que condenar a sociedade ao caos. Porque, sejamos claros como Ana Paula: geralmente os adeptos do Orgulho Franco não são tão bons de ouvido como são de língua. Intransigência e teimosia são características inerentes ao egocentrismo da “personalidade forte”. Fala-se tudo doa a quem doer, porque é claro, não vai doer em quem diz.

Ana Paula é a protagonista absoluta dessa edição. Ela tem a faca e o queijo na mão… O problema é que com facas ela corta e se corta.

 “Assertividade é dizer o que precisa ser dito, para a pessoa certa, no lugar certo e no momento certo, tudo isso com uma embalagem elegante” Angélica Capelari, Psicóloga*

milhão

Ana Paula: A despeito de todas as minhas reservas sobre ela, Ana Paula está protagonizando a edição e merece meu respeito.

Geralda: A cada dia que passa a Dona Geralda se compromete mais. Sua pequena rusga com Ana Paula é um bom exemplo de como o temperamento pode ameaçar alianças e laços de afeto.

Ronan: Começo a achar que ele merece um lugar aqui só pra afrontar os outros.

miséria

Daniel: Odeio o drama, o discurso demagógico de humildade, a prepotência de achar que fala com a voz da justiça.

Matheus: Precisa ir embora logo. Nessa última terça a edição fez um VT reforçando a idéia de que ele é um “caipira gente boa”.

Tamiel: Ganhou uns pontinhos quando foi contra Daniel na opinião sobre Ana Paula, mas ainda é meio mosca-morta.

*fonte das citações: UOL

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