Antes tarde do que nunca! Pela primeira vez em nove episódios, tenho motivos para comemorar: a quinta-feira nos trouxe um combinado de decisões acertadas por parte da produção. Consolados estão os telespectadores nervosos, ainda que momentaneamente.

Depois de roer as unhas com as emoções de “Gisele Itié e ex-globais”, comecei a assistir ao Aprendiz com a inquietude de costume. As canetas vermelhas da minha escrivaninha olhavam para o papel cheias de hostilidade – tudo isso resultado de um mês de frustração com o programa. Não é de se admirar, contudo, que algumas das esferográficas mais sensíveis tenham entrado em coma induzido no decorrer do episódio: em primeiro lugar, os candidatos se incumbiram de uma tarefa com relevância social direta. Num segundo momento, acompanhamos cada passo dos grupos por 18 minutos e 21 segundos, quase o dobro do tempo reservado na terça-feira. Por fim, assistimos à sequência de abertura pouco antes do anúncio da equipe vencedora (não é perfeito, mas está no caminho). Acertos merecem aplausos. Três palmas espaçadas, por gentileza.

Qual era a tarefa? Se você souber exatamente o que os candidatos deveriam fazer, merece um beijo do Michel Arouca, nosso editor-chefe. Foi um misto de “registrar depoimentos sobre os efeitos da tecnologia da Vivo na vida pacata de Belterra” e “mostrar exemplos do sucesso da empreitada da conexão 3G num ambiente humilde e pouco desenvolvido através de uma apresentação”. Qualquer dessas definições não me dizem – a mim, telespectador – o que será feito com o vídeo produzido pelas equipes. Vai ser mandado pra algum canto? Estará disponível na Internet? E o formato, é necessariamente o de um documentário televisivo? Ou é possível que os integrantes da equipe criem uma apresentação visual híbrida?

Com o patrocínio de Dorflex. Para a análise mais detalhada do desempenho de cada um dos times, leia os parágrafos abaixo:

UP

Não se deixe enganar: o Ramon não foi um bom líder. Não fez absolutamente nada de essencial para o sucesso que teve a Up. As idéias de contato e estabelecimento de um vínculo com a Universidade Estácio de Sá, o afinco na produção do vídeo com legendas em português e inglês, o acréscimo de um elemento musical inimitável e original, tudo isso foi resultado de sugestões dadas e aplicadas pelo Caio Delforno, pelo Rodrigo Solano e pela Samara Schuch. O grande trunfo foi mesmo a transformação de Belterra – embora, e eu tenho que deixar claro, eu não tenha ouvido isso no briefing. Você ouviu? Quem sabe estivesse no dossiê.

AVANT

Eu diria que o empenho da Avant foi regular. Regular como milhões de projetos que são apresentados a centenas de empresas todos os meses. Não houve nada de excepcional no trabalho dos membros, motivo pelo qual acabaram derrotados. Eu tenho certeza de que a equipe adversária sofreu tanto quanto eles para organizar tudo e apresentar qualquer coisa não-escolar no final da prova: a maior diferença talvez tenha sido aquela vontade de fazer algo a mais. A Gabriela me pareceu ter esse desejo, mas a sua contribuição nesse tocante só teria sido eficaz estivesse ela em Belterra. E não em São Paulo.

Ao ver o desenrolar da sala de reuniões, eu pensei no Walter Longo dizendo “seria cômico se não fosse trágico”. Gabriela Gaspari dizendo que perder duas vezes como líder “não significa alguma coisa” foi uma graça. Pior mesmo foi quando o João Dória Jr. perguntou a ela os nomes de três grandes empresários sob sua perspectiva. Ela falou de dois que participaram dessa edição do Aprendiz e de um que também participou – mas desse ela não sabia o nome. Richard Branson, Lakshimi Mittal, Eike Batista, Anne Mulcahy, Nelson Mello, Samuel Klein, Ivens Dias Branco… É tanta gente! Mas ela não os conhecia. Outro foi o Danny, que depois de nos presentear com “são duas palavras: infraestrutura”, vendeu uma caneta sem saber de marca, preço, tinta ou sequer material, gaguejando até dizer chega. A Alessandra parecia não estar na sala, de tão irrelevante.

No final, e que ruflem os tambores… Decidiu-se pela saída do Danny. Meninas choram rios de lágrimas pelos cantos. E me odiarão ainda mais quando eu disser que o rapaz era totalmente dispensável desde o começo do programa. Se você afirma que uma caneta tem valor “intangível” e confunde as palavras “inebriado” e “ludibriado”, não deve vencer o Aprendiz Universitário. E tenho dito.

Agora podem comentar.

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