
Aconchegado numa poltrona, refrigerante geladinho em mãos. Tinha eu no meu colo um caderno aberto com a expressão “Pontos Positivos” no topo da folha, torcendo para escrever sem parar até a meia-noite. Eis que eu vejo apresentações de colégio. Gente tremendo nas bases com 30 convidados numa platéia. Idéias falsamente geniais. E a tarefa mais curta do mundo, sem qualquer frase de vergonha no inglês. You’ve got to be kidding me.
Vamos começar pelo começo? Tudo bem. Vou procurar a abertura do programa, porque certamente depois disso eu vejo… David Caruso tirando e pondo os óculos em CSI: Miami. Quem sabe se eu voltar um pouco, pegue alguma coisa do episódio. Ou talvez eu chegue àquele trecho das “cenas imperdíveis da sala de reuniões, não perca”. Para rir mais, basta você saber que a Record vem cortando algumas sequências de abertura porque nelas se perde audiência. Claro. A qualidade do Aprendiz Universitário em si, totalmente segundo plano.
O MAIOR PECADO, contudo, foi exibir a tarefa dessa terça-feira em apenas 9 minutos e 47 segundos. É tão embasbacante que as palavras teimam em não vir para a minha cabeça – fica quase sem sentido conversar aqui sobre a piscada de olho que mostraram. Eu gostaria de falar sobre as habilidades de cada candidato nas apresentações, do processo de criação e execução das idéias e, principalmente, dos tropeços e acertos das lideranças na Up e na Avant. Seria ótimo, mas a produção do programa está deixando meu trabalho cada vez mais difícil. É de propósito?
Hm. Perguntinha capciosa. Vamos pensar em coisas mais amenas, como no sorriso da Samara. Eduardo Winck, você é um cara de sorte.
Qual era a tarefa? Planejar e promover uma apresentação das vantagens do curso de inglês Wizard para empresários do setor de serviços no Brasil. As equipes tinham liberdade para criar estratégias de captação de clientes que se adequassem tanto às necessidades do mercado quanto aos próprios interesses da escola de idiomas.
UP
Os integrantes desse grupo estão numa sintonia bonita de se ver. Cada um parece bem confortável no cumprimento das tarefas, e eu vi isso ontem (e hoje novamente, só para confirmar). O sucesso veio com organização e disciplina, tudo sob um comando até admirável do Caio Delforno. No pouco que vimos, ninguém se destacou como apresentador. Ninguém cativou o público, ninguém parecia ter sentado a uma mesa na noite anterior e escrito o discurso de punho. O conjunto da obra, no entanto, ficou bem profissional.
Só um pequeno detalhe: muita gente pode cair na armadilha de pensar que um Selo de Qualidade Wizard para empresas no Brasil seja uma excelente idéia. Por um lado, eu compreendo que é uma maneira de qualificar diretamente a entidade corporativa, e não pela via oblíqua dos seus funcionários. Por outro, empresa NENHUMA deveria ter essa certificação. Se eu, pessoa jurídica de direito privado, fornecesse um pacote de serviços para companhias do exterior, jamais diria que “a minha empresa tem o Selo de Qualidade da Wizard. Uí ári pripérédi tchú uélcomi iú”. Todo mundo iria dar risada, e explico o porquê: em qualquer nação emergente ou desenvolvida, inglês não é mais do que obrigação (para candidatos ao prêmio desse programa também). Não é uma língua – tornou se ferramenta imprescindível para o bom andamento dos negócios ao redor do globo. Dizer a alguém de fora que inglês aqui é vantagem significa amedrontar o capital estrangeiro. E ninguém quer uma coisa dessas.
AVANT
Ao contrário do que eu vi na Up, aqui todo mundo parecia fora de lugar. Era um senso de medo e desajuste que empobreceu tudo, desde a falta de brainstorming até a apresentação. Numa observação paralela, vamos a outra idéia falsamente genial: barganhar com profissional de criação. Você não está comprando uma saca de cimento, não está reservando um quarto de hotel. O trabalho desenvolvido pelo ilustrador é reflexo preciso do quão recompensado ele se sente pelo esforço. Você pode até economizar com a pechincha, mas quem vai criticar o projeto final? É criação intelectual dele! Por mais pavorosas que tenham ficado aquelas imagens, o cara não pode ser totalmente culpado. É preciso que a negociação do preço encontre fronteira na valorização do serviço contratado.
Vou escrever essa frase no pára-choque do meu caminhão. Só um instante. Pronto, estou de volta.
A sala de reuniões veio recheada de vídeos e mais vídeos. E mais vídeos. E um ou outro vídeo. E depois mais alguns vídeos. Erros de português aqui, apresentações insossas ali… O que ficou claro para o telespectador é que nenhum daqueles cinco tinha qualquer motivo para continuar na competição, se a avaliação fosse baseada nessa tarefa (ou em outras também). Duas coisas me chamaram a atenção: a indiferença do João Dória Jr. à indicação do Danny Joszef feita pela Nathália Tiburtino, com vistas a trazer o Rodrigo Spohr para a sala – coincidência ou não, o rapaz acabou eliminado. O outro detalhe merece um parágrafo próprio.
Eu não lembro de ter visto qualquer sala de reuniões em The Apprentice gastar tempo com perguntas sobre os PAIS dos candidatos. Sobre a história de cada um, sobre eventuais tragédias na família. Em plena meia-noite – para alguns, o episódio já tinha terminado, mas agradeçamos novamente a Record pelo santo delay –, tive que ouvir conversas sobre a vida sofrida de Gente que Faz. Brasileiros que não desistem nunca. E depois fiquei pensando em quão irrelevante isso é para mim e para você. Não que a vida das pessoas seja bobagem, e é claro que eu simpatizo com a perda do Ramon Ronê: meu problema é ver esse tipo de conversa ali. Vocês não sentiram que era totalmente inapropriado? E será que a falta de uma história comovente foi a pá de cal para despedir o Spohr? Fica a dúvida.
Quero saber o que vocês acharam desse episódio. Comentem tudo! Usem esse espaço para criticar, elogiar, sugerir ou mesmo falar de novela. Obrigado mais uma vez pela leitura e não deixem de me seguir lá no Twitter.
P.S.: Para os aficcionados pelo formato, hoje vai ao ar o primeiro episódio do Junior Apprentice UK. Lord Alan Sugar tem diante de si a difícil incumbência de selecionar um jovem de 16 ou 17 anos para integrar suas empresas. PROMETO A VOCÊS que vai ser muito interessante – e talvez com boas lições para o nosso Aprendiz Universitário. Se quiserem reviews, basta pedir aqui.














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