Tudo em prol de um final dramático…

A impressão que The Reaping me passou foi que seus criadores queriam transformar “o foice” em Jigsaw (Jogos Mortais) a qualquer custo, não importando a quantidade de atitudes absurdas (desta vez, no mal sentido) que teriam que tomar. O jogo sádico que imaginaram seria colocar colares explosivos nos pescoços do Daniel “Miksa” Aerov e Julia Walker e fazer com que Hatake escolhesse entre seu filho adotivo presente, com relações estremecidas dada a recente descoberta que fora sequestrado quando criança e sua filha consanguínea distante, separada do pai após sua mãe descobrir estes mesmos raptos e experiências com crianças esquimós. E, através de um caminho tortuoso, somos conduzidos para este final de episódio dramático.

O grande problema é a imensa falta de carisma que os personagens insistiram em nos transmitir durante toda a temporada, gerando uma falta de importância gigante com o dilema de Hiroshi, pois se qualquer um dos três morresse, não faria a menor falta à série. Chego à conclusão que Helix tem dois protagonistas: a sua mitologia e o vírus – todos os demais são coadjuvantes. No entanto, os roteiristas precisavam de emoção no momento da escolha e por isso decidiram nos enfiar goela abaixo várias cenas sentimentalóides e dispensáveis, que não funcionaram.

O maior expoente destas interações não poderia ser outro, senão o que morreria: Daniel. Alguém consegue me explicar o motivo dele ter pegado o Narvik e levado para o Foice? Eu consigo! Ele poderia querer um acordo com a Ilaria, entregar o vírus em troca de sua liberdade, já que ele estava completamente decepcionado com Hatake. Isso seria, aliás, uma atitude canalha que eu esperaria dele (e confesso que vibraria com isso), mas ele queria a liberdade de todos e, no fim, se mata para salvar Jules, de forma absolutamente inexplicável. Já o seu irmão gêmeo menos famoso, decide dar um ultimato para Balleseros deixar Anana e toda a comunidade, acabando de vez com as chances da menina de se dar bem. Será que ele não percebe que as oportunidades de sexo não são tão vastas assim no Ártico??? Sabe-se lá quais foram os seus argumentos finais que convenceram Sérgio, que desde que virou bom moço perdeu a função na história, a abandonar a aldeia.

Quem não acompanha minhas reviews, pode achar que sou do tipo que quero (erroneamente) exigir verossimilhança demais para uma sci-fi, mas isso não é verdade, por eu já deixei claro que não me importo com furos de lógica, erros de sequência, descontinuidades e afins – tudo isso faz parte da diversão de acompanhar uma série de aventura fantástica. Entretanto, as sequências mostradas neste episódio extrapolam qualquer justificativa intelegível: “um grupo de sobreviventes isolam-se num bunker para se proteger do mais mortal assassino existente, cujo poder de extermínio se compara a um exército. Uma vez que o plano de explodir o assassino falha, parte dos isolados simulam voltar às atividades normais, percorrendo os corredores e trabalhando nos laboratórios e vazam a (des)informação que o Narvik estaria na White Room. O plano de matar o assassino falha e este, ao invés de dar cabo dos seus inimigos, desaparece e sequestra Julia que, sabe-se Deus porque, ainda não tinha voltado para o Level Cabana.”. Se eu estou sendo ranzinza demais, podem me repreender nos comentários…

Por fim, o clímax! Já que tudo deu errado até aqui, pelo menos a cena final vai justificar todo esse mar de incoerência (-sqn). Daniel se suicida e Alan abate a maior arma mortífera do mundo (aquele mesmo que dizima uma dúzia de pessoas num elevador e nem suja sua roupa) com um, pasmem, pé-de-cabra. Fica a dica, se não assistiu ainda, pule este episódio e vá direto para a season finale.

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Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!