Helix começou como um Seriado de TV e terminou como um Programa de Esquetes de Horror.
Existem dois tipos distintos de TV Show de ficção científica: aqueles puramente conceituais, que pretendem contar uma história curta e deixar os fãs intrigados para o resto da vida e outros complexos e longos, que possuem um background extremamente rico em detalhes, que são revelados paulatinamente, aguçando a curiosidade e a imaginação dos telespectadores. Ninguém inicia um planejamento para uma obra deste segundo grupo imaginando que este se encerrará bruscamente e Helix sucumbiu à síndrome do “semi-cancelamento-sem-fim” justamente por contemplar estas duas premissas. Talvez isto explique a bipolaridade que tomou conta dos segunda metade desta temporada, deixando uma sensação amarga de “poderia ser bem melhor” na mente de todos.
Não existe ainda uma posição oficial pela não renovação da série, porém seria muito constrangedor se isto ocorresse depois de um final tão desesperado. As situações foram mostradas como se a produção gritasse para os fãs: “vejam como o projeto era pretensioso, porém eles não me deixaram realizar!”. Isto leva a crer que os envolvidos receberam a comunicação que obra seria descontinuada no meio das filmagens, o que deve ter gerado uma mudança de planos no estilo“moleque birrento dono da bola”, que encerra o jogo como bem entende, sem se preocupar com a diversão dos amiguinhos.

Partindo do pressuposto que havia muito pouco tempo para dizer muita coisa, iniciou-se a transformação da série num amontoado de cenas aleatórias de horror, a começar pelo desfecho de Landry e Amy que escaparam da morte provável, queda da torre e chuva ácida respectivamente, somente para protagonizar um curta de terror, onde o irmão monstro tem uma quebra de expectativa ao ver que o sonho da sua relação incestuosa não acontecerá, mesmo estando sua irmã, com uma aparência igualmente horrorosa. Por fim, Amy acaba pagando pelos pecados da mãe, tendo seus dentes arrancados pelas grávidas da “fábrica de bebês” de Michael e Landry se redime de parte dos seus pecados, ao devolver o seu brother adotivo para Anne e Peter e voltar para morrer assado no mosteiro.
Já os irmãos Farragut, finalmente acertaram suas diferenças, da forma mais incoerente possível. Peter, que já estava se metamorfoseando em Brother Eli e convicto a constituir sua tão desejada família com Anne, mesmo que tivesse que matar todos que cruzassem seu caminho, ao invés de simplesmente dar um tiro em Alan e matá-lo rapidamente, decide criar um círculo de fogo para cozinhá-lo aos poucos, destruindo assim, sua “futura sede” e obrigando-o a seguir de volta o “mundo real” com os navys e ser preso pelos seus inúmeros crimes.

Seguindo a mesma linha de despropósitos, Alan após ser alvejado por Julia é levado para a enfermaria para ser tratado pela mesma. Misteriosamente desaparece da pequena sala, que fica no segundo andar e possui somente uma janela e uma porta, onde Julia e Sarah discutiam a proposta de emprego da segunda na Ilaria, e segue para destruir de vez a Mãe e acabar o perigo da esterilização da população mundial. E foi estranhamente prazeirosa a confirmação que sua teoria sobre a manipulação de sua ex-esposa estava absolutamente correta a a sua irônica salvação só acontece com sua transformação no que mais despreza: um imortal. Seria muito bom sabermos, como as células adultas da Dra. Jordan funcionaram desta vez, além de toda a trajetória dos 30 anos seguinte, na qual Alan convence Hatake a ajudá-lo a fazer o vírus anti-imortais a partir do sangue de Soren.

E, fechando o ciclo dos personagens centrais, a história da Julia do Futuro, conforme esperado não chega a lugar algum. Apesar de ter sido promissor num primeiro momento, a linha que mostrou 30 anos no futuro serviu apenas para mostrar as mortes de Hatake, Michael e da própria Julia, além de manter aquecido o mistério de quem seria Caleb (aproveito pra informar que ninguém ganhou o bolão) por quase toda a temporada.

E para encerrar em alta, os últimos 10 minutos do episódios mostraram o quanto a série poderia poderá ser divertida se fosse for renovada. Dionne Warwick, aquela mesma da musiquinha da première “Do you know the way to San Jose”, volta com sua canção mais aclamada “I say a little prayer”, que ficou famosa no filme “O casamento do meu melhor amigo”, em 1997. Ao som da última “fun music” da temporada, acompanhamos todo o retorno dos personagens ao continente e seus respectivos destinos, trágicos ou não. A cereja do bolo, no entanto, ocorre no momento seguinte, com a revelação do Brave New World, citado no título – um mundo onde a Mother foi utilizada para esterilizar a população, através de uma multinacional de alimentos (saudades, Utopia) e, vejam só, a Dr. Sarah Jordam se torna a maior especialista em inseminação artificial do mundo, trabalhando para a Ilaria.

Enfim, Helix sempre teve mais acertos do erros, divertiu como poucos Sci-Fis e entreteve todos aqueles que souberam entender a proposta. Ainda que esta season finale tenha ares de despedida forçada, seria revigorante mais uma temporada para amarrar/explicar todas as pontas soltas.
Agradeço a todos pela participação e espero estar aqui ano que vem.











