A arte do duplo plot twist carpado para confundir e enganar o telespectador.
Endgame foi um episódio de grandes revelações e discursos manipuladores mas, ainda assim, minha empolgação com a série não mantém o mesmo nível de antes do décimo sexto episódio, Superhero.
A princípio, aceitei a solução apresentada pelos roteiristas para solucionar o impasse de Jedikiah “descobrir” que Stephen era um agente duplo e do sobrinho descobrir que o tio escondia o corpo de seu pai desde o começo. Jedikiah se passar por mocinho foi plausível, aceitável e convincente àquela altura do episódio.
A velha história de recalque fraterno ainda funciona bem como catalisador de inveja, mesquinharia e conflitos familiares, ao mesmo tempo em que faz o telespectador duvidar o tempo todo das verdadeiras intenções de tio Jed, o que torna a história interessante de se acompanhar. O ator mirim que interpretou Jed na infância foi muitíssimo bem selecionado, pois possui exatamente os traços do rosto de sua versão adulta.
A aparição da irmã de Cara me pareceu bastante aleatória, pois nem sequer me lembrava de sua existência. Serviu apenas para retirar Cara da cena clímax do episódio, pois a garota não será personagem fixa e/ou regular na série. Pelo menos foi o que pareceu, devido suas escolhas, resistência aos recém-descobertos poderes e o encaminhamento resolutivo dado para a personagem ao final do episódio. Uma pena ela não ter sido atropelada logo após um repentino teletransporte, pois foi duro de aguentar tanto mimimi e choradeira o episódio inteiro!
Os flashbacks linkando o passado de Jed, o pai de Stephen e o Fundador foram válidos para contextualizar a formação da ULTRA e a futura e posterior divergência de visões e objetivos entre eles. Porém essa exploração foi muito superficial e confusa, o que demandará ainda mais alguns episódios para que as intenções de todos fiquem bem claras e coesas.
John, neste episódio, brilhou menos do que o usual, servindo apenas para ser o mutante capaz de puxar o gatilho no plano elaborado por Jedikiah. Pelo menos tivemos Russel acertando novamente no timing cômico, sendo sempre um muito bem vindo alívio.
O retorno da filha do Fundador serviu apenas para que os roteiristas dessem um fim à personagem que nem sequer foi digno. Na sequência de sua morte, seu poderosíssimo pai poderia simplesmente ter parado o projétil disparado, como fizera o pai de Setphen ao salvar o pequeno Jed lá no começo. Ao invés disso, ele displicente e negligentemente (ou será que foi propositalmente?!) desviou o projétil em direção à filha, que ele sabia onde estava o tempo todo! Posso estar sendo excessivamente meticuloso aqui, mas terá sido essa mais uma falha assombrosa e contraditória de roteiro que não pode passar despercebida e ser relevada em prol do entretenimento que a série proporciona?! Aparentemente não mais, pelo menos para mim.
A cena clímax do episódio foi, pelo menos, muito bem executada, seja nos efeitos especiais e visuais, seja na luta bem coreografada, apesar dos dublês ficarem perceptíveis quando estão em cena substituindo os atores.
Enfim, o segundo twist do episódio foi bem introduzido e utilizado, fazendo Stephen e o telespectador realmente duvidarem da versão da história contada no início por Jedikiah em contraponto à versão contada pelo Fundador, onde cada um se auto intitula o heroi com boas e inocentes intenções para um mundo melhor (#SQN!). Resta saber quem é o melhor manipulador e mentiroso. Lembrem-se que não foi mostrado Jedikiah atacando Russel: ou foi por edição e falta de tempo ou foi proposital.
Se por um lado isso prolonga um pouco mais a história para que ela dure pelos próximos cinco episódios restantes para a conclusão dessa primeira temporada, gerando um mínimo de interesse nesse que vos escreve, por outro lado deixa a perigosa sensação de estar sendo “enganado” pela série, como “brilhante” (ou seria perversa?) e eficientemente o fazem pérolas como Pretty Little Liars e The Walking Dead.
Ambas as séries citadas no parágrafo anterior possuem como “dom” frustrar o telespectador o episódio inteiro com mirabolantes tramas cheias de pontas soltas e incongruências para ao final de cada capítulo e/ou temporada ainda assim conseguir arrebatar a atenção de quem assiste com um eficiente cliffhanger, mantendo-nos como zumbis (com perdão do trocadilho) assistindo ao programa no piloto automático.
Temo, embora exagerada e precocemente, que esse possa ser o caminho a ser tomado por The Tomorrow People daqui pra frente. Espero que não, mas confesso que a sensação de desapego vem crescendo e que talvez não seja tão ruim assim caso o programa não seja renovado. Apenas ficará a frustração por mais uma história inacabada que tão logo se findará já no começo da summer season de séries, no próximo mês de junho.
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