Uma das mocinhas agora. Quem diria? 

O universo é infinito, caótico e frio. E nunca houve um plano. Ao menos não até agora”

– Root

Correndo o risco de ser repetitivo, não há como iniciar esta review sem destacar a capacidade de Person of Interest de se reinventar e proporcionar a seus espectadores episódios com estruturas diferentes de outros já vistos. Assim como seu antecessor, Root Path inovou e investiu em uma história que não só teve Root como destaque, como ainda desenvolveu mais a personagem e aproveitou para nos mostrar a quantas andam as missões designadas pela Machine à hacker, bem como a ameaça cada vez mais próxima do Samaritan.

Ao contrário dos episódios usuais, nos quais desde o início o espectador caminha em conjunto com Finch e John e tem consciência dos passos seguintes, desta vez o roteiro nos convidou a seguir primeiramente um caminho desconhecido, o “Root Path” (ou “Caminho de Root”), permitindo-nos descobrir o que estava por vir apenas no momento preciso e assim nos colocando na mesma situação da hacker em relação à Machine e nos fazendo compreender um pouco melhor como funciona a parceria entre ambas. Além disso, o episódio conseguiu mais uma vez conectar de maneira extremamente eficaz o caso da semana com seu plot principal, fazendo com que as missões de Root e do Team Machine convergissem  para Cyrus Wells e, a partir daí, pudéssemos não só acompanhar as ações de todos os personagens no episódio como também poder mais uma vez curtir as interações e diálogos sempre excelentes entre Root e Harold.

É interessante notar como as funções de Root para POI assemelham-se aquelas que ela tem para a Machine. Ainda que a hacker tenha tido papel preponderante e tenha sido bastante desenvolvida durante o episódio, é muito claro que a missão principal da personagem na série é estabelecer uma maneira de personificar as ações da Machine, fazendo com que de certa forma o espectador consiga acompanhar o raciocínio da criação de Finch sem que seja necessário entrar em contato direto com ela. Desta forma, mais uma vez foi possível observar como ela age, quais são seus objetivos e até mesmo os valores com os quais Harold a programou, deixando claro que ainda que ela tenha como preocupação proteger a si mesma, ajudar as pessoas ainda é sua diretiva principal.

E Root parece que finalmente também começou a entender isso. Com sua devoção completa pelas máquinas desde pequena, a hacker desenvolveu um desprezo pelo ser humano e suas imperfeições, acreditando em um universo “infinito, caótico e frio” no qual nunca houve um plano. No entanto, após tanto observar as atitudes daquela a quem considera Deus e até considerá-la “quebrada” por Harold, Root enfim dá indícios de que pode entrar na linha, visto que ao longo do episódio ela não só demonstrou remorso por ter assassinado os sócios de Cyrus no passado, como também no final preferiu não destruir a crença deste em um “plano maior”.

E por falar em plano maior, depois de Root Path está mais do que decretado que o embate Samaritan + Decima  X Team Machine será o grande evento da segunda metade desta incrível temporada (se é que ainda existia alguma dúvida). A guerra anunciada está cada vez mais próxima e, agora que Greer e cia. também já têm em seu poder o hardware necessário para fazer o Samaritan funcionar, é apenas uma questão de tempo (leia-se season finale) até que o aguardado confronto finalmente venha a ocorrer. Como a própria Root disse a Harold, uma vez que o Samaritan estiver funcionando, Harold, John, Shaw e ela deverão ser os primeiros alvos a serem destruídos, fato que pode ser verificado em parte pela tela de análise da própria Machine exibida ao final no episódio (vejam na figura abaixo), na qual observa-se as probabilidades de morte de John (56,92%), Shaw (49,16%), Finch (68,74%) e Fusco (10,82%), além de Control (11,51%), Hersh (30,71%)e Collier (21,40%). Além disso, um ponto a ser notado é que a Machine também trata Control, Hersh e Collier como assets (ativos), o que aponta uma grande probabilidade que eles sejam considerados parte do 3º grupo de pessoas criado pela Machine e precisem trabalhar juntos a John, Finch, Shaw, Fusco e Root para derrotar o Samaritan. Tem como não esperar um final de temporada de tirar o fôlego?

Observações

– O aparecimento da Vigilância ajudou a apimentar ainda mais o episódio, não só devido a toda a ação que proporcionou e, consequentemente, a boas cenas de Shaw, mas também por revelar mais um pouquinho de Collier. Durante o embate com Shaw, na tentativa de trazê-la para seu lado, Collier deixou escapar que a agente não foi a única que foi traída pelo governo, indicando que algo do gênero também deve ter acontecido a ele no passado.

– Além da declaração de Collier, também foi importante no plot a declaração de Shaw de que seu trabalho atual lhe ensinou que o “como se faz” importa tanto quanto o “que se faz”.

– A tela de análise da Machine indica ainda uma probabilidade de morte de 78,24%  uma tal de Maria Martinez, personagem ainda desconhecida para nós. Será ela uma POI futura?

– O famoso evento de destruição em massa também está lá. No momento ele está em 12,12%, na localização [40.71448 / -74.00598] que, segundo o Person of Interest Wikia, seria próxima à prefeitura  de Nova York.

– O episódio já se mostrou diferente logo na abertura, com Root interferindo na narração de Finch. São esses pequenos detalhes que dão um diferencial ainda maior à série.

– Harold não está dormindo bem, apenas 4 horas por noite em média nos últimos 3 meses.  Uma sutil indicação do quanto a perda de Carter ainda o afeta.

– E Finch finalmente parece que deu o braço a torcer e admitiu ajudar Root a parar o Samaritan. Quero ver se tiver que trabalhar com Control, Hersh e Collier!

– E aquela ceninha da Shaw ensinando Root a cuidar do ferimento? A ala masculina delira com esses climas entre as duas, ainda mais com Root dando mole!

Frases

– “Sei que parece estranho, mas sou uma das mocinhas agora, Harold.” (Root para Finch)

– “Acho que ela gosta de você, Harold.” (John para Harold)

– “Vocês vão atirar de novo ou só conversar até eu morrer?” (Shaw para Collier)

– “Você esqueceu de transferir da poupança de novo, Lionel. O cheque do seu aluguel vai bater sem fundos.” (Root para Lionel)

– “Sei exatamente o que é ter todas as respostas buzinando na orelha. Mas no final do dia, você ainda faz escolhas.” (John para Root)

– “Eu trabalhei para o governo, e quero vingança. Mas se esse trabalho me ensinou algo, é que como você faz importa tanto quanto o que você faz. E por esse lógica, vocês são terroristas. E eu mato terroristas.” (Shaw para Collier)

– “Da última vez que você não nos ajudou quando deveria, pessoas morreram.” (Root para Finch)

– “Se alguém entende de arrogância…é o homem que construiu Deus.” (Root para Finch)

– “Este é o problema com os humanos. Eles ficam parados, esperando que alguém conserte as coisas. Mas ninguém consertará. Ninguém liga. O universo é infinito, caótico e frio. E nunca houve um plano. Ao menos não até agora.” (Root para Finch)

– “Nos primeiros 30 minutos depois que o Samaritano ficar online, muita gente será morta. Mas eles começarão com quatro. Você, eu, seu macaco ajudante, e a Shaw. E não haverá nada que alguém, incluindo sua máquina, possa fazer para impedir. Você acha que não me importo com pessoas, Harold? Estou fazendo tudo isso para salvar vocês.”

– “Adoro quando você brinca de médica.” (Root para Shaw)

– “No que o Cyrus acredita… ajuda ele. E quem sou eu para dizer que ele está errado?” (Root para Finch)

– “O seu sensor de fumaça vai começar apitar às 2h41.” (Root para Lionel)

Diálogo1 (Billy e Root)

B: Onde você estava quando fui preso?

R: Na Clínica Psiquiátrica de Ridgestone.

Diálogo 2 (Collier e Shaw)

C: Não gosto de matar patriotas, então te darei mais uma chance.

S: Que engraçado, eu ia te dizer o mesmo.

Diálogo 3 (Root e Finch)

R: O quanto você teve que quebrá-la para fazê-la se importar tanto com pessoas?

F: Isso não a quebrou. É o que a faz funcionar. Foi só após eu ensinar à Máquina que as pessoas importam que ela pôde ajudá-las. Eu gostaria de fazer o mesmo com você, se me permitisse.

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