Cada episódio que passa, Vikings me deixa com um sorriso maior no rosto.

Gente, fala sério, está cada vez mais impossível não amar Vikings. A série está conseguindo nos entregar episódios fantásticos, e a qualidade apresentada nesta segunda temporada está numa ascendente que ainda está me deixando meio bobo. Não sei se algum de vocês chegaram a acompanhar Touch, a série com o Kiefer Sutherland que não deu certo. A primeira temporada foi bem meia boca, mas a segunda teve uma reformulação criativa e aí BOOM! A coisa ficou simplesmente fantástica. Infelizmente para Touch, essa reformulação veio tarde demais e a audiência já havia debandado há tempos.

O mesmo ocorre com Vikings (longe de dizer que a primeira temporada foi meia boca, mas certamente os fãs notaram que a série poderia ter entregado um pouquinho mais), mas ao contrário da série de Tim Kring, essa reformulação veio na hora certa. É evidente que a série não é a mesma da temporada passada, e felizmente, ela está muito melhor. Considero sinceramente este Eye for an Eye o ápice da série até o momento, e muitos são os motivos para isto acontecer.

Uma coisa que eu ficava cobrando bastante de Vikings era que a série arriscasse um pouco mais e saísse de dentro de sua própria zona de conforto (e como Michael Hirst lê minhas reviews, eu sei que ele lê!) meus desejos foram realizados. O que era bom na série permanece impecável, que é basicamente, a parte técnica da coisa, como direção, trilha sonora, fotografia (que eu adoro de paixão), atuações, figurinos, entre outros. O que faltava um pouquinho era ela caprichar um pouco mais na parte criativa. Faltava um pouquinho de licença poética, algo para deixar a série um pouco menos engessada. Essa quebra ocorre mais obviamente nesta segunda temporada quando levamos em conta de que neste momento, as mitologias e profecias são tratadas como algo real e verídico dentro deste universo. Pergunto: alguém sinceramente acha que o fator sobrenatural está atrapalhando o desenvolvimento da trama e dos personagens? Para mim, nem um pouquinho. Vale lembrar que a série se propõe a contar a história de um guerreiro que é semi-lendário, então, é óbvio que a história tem que ser um pouco romantizada para prender a atenção do público, afinal, se a gente quiser que ela siga estritamente as fontes biográficas, estaríamos tendo apenas uma aula de história, e não vendo um tipo de dramaturgia televisiva. Spartacus tirou inúmeras licenças poéticas e deu super certo.

O episódio conseguiu desenvolver bem vários personagens, e aproximou muitas tramas. Quem leu minha review da semana passada sabe que fiquei meio desapontado com a Lagertha aceitando aquela agressão de boa, mas essa semana, tanto ela quanto o público, foram à forra. O Earl Sigvard bem que tentou mostrar que é o machão do pedaço, mas a escudeira mostrou para ele que não se faz omeletes sem quebrar alguns ovos. Eu só estava vendo a hora que o Bjorn iria invadir o quarto e passar a knife na garganta do padrasto, mas no fim das contas, Lagertha resolver tudo sozinha foi melhor e serviu para reforçar o quanto a mulher é badass. Agora, estou louco para ver o jovem viking em ação no campo de batalha junto com o pai, pois o personagem promete ser um ótimo guerreiro.

Falando no campo das profecias, como a série evoluiu neste sentido. Este era um recurso perigoso, pois poderia ser usado a todo o momento como um deus ex machina, entretanto, ele tem sido usado com “respeito e moderação” até o momento, contribuindo para o crescimento dos personagens na trama. Aslaug é um exemplo claro disso. Na review da season premiere, eu brinquei que Ratinho teria que fazer o DNA da criança que ela estava esperando, devido à rapidez com que a notícia havia sido dada. Esta faceta apresentada de ela ser uma Volva condiz com sua declaração, além de muitas de suas visões se mostrarem verdadeiras. Pela primeira vez a série nos mostra como se dão as visões dos videntes, ao mostrá-la vendo Ragnar regressando para “aquele lixo chamado de casa”. Até então, nem mesmo na figura do Oráculo, as visões eram mostradas. O fato é que eu já não antipatizo mais com a personagem, embora ainda não consiga me importar com ela.

Agora quem eu me importo de verdade é o Priest, e gente, como eles gostam de nos fazer sofrer, não? Quantas vezes Athelstan vai para a berlinda e nos deixar com o coração na mão desse jeito? Lembram-se do oitavo episódio do ano passado, intitulado Sacrifice? Pois então, mesma coisa! Primeiro, quando vi que ele ainda guarda uma bíblia, eu pensei: “Athelstan, seu safadinho, cultua Jesus na sordina, é?”. Aí quando veio o ataque de flechas e somente ele escapou ileso desdenhei: “Ah, ta bom! Nem mesmo Rambo faria uma dessas!”. Gente, olhem o poder dos signos nas nossas vidas: quando a direção deu um close nos pregos caindo a no martelo, pensei: “nãããããoooo! Vão crucificar o sacerdote! Não pode!”. Dito e feito. Não foi necessário toda uma explicação verbal, um julgamento nem nada do gênero. Por isso, não sou exagerado quando reclamo do excesso de didatismo que a série às vezes nos soca goela abaixo. Cenas lindas e agonizantes como esta nos mostra que a coisa pode ser mais bem trabalhada, se os roteiristas pensarem um pouquinho mais. É só não ter preguiça. Gente, essa cena da crucificação do Athelstan foi um marco para mim. A violência do Estado e das leis religiosas contra o indivíduo é cruel, muito mais cruel que invadir um terreno alheio e passar a machadinha. Alguém mais reparou que Athelstan também tem uma coisinha de Raven? O cara pode não enxergar o futuro claramente, mas certamente muitos sinais são deixados para ele. No segundo episódio da temporada anterior, foi ele quem viu o presságio da invasão nas nuvens. Agora, ao ver a bíblia, ele teve uma visão de Jesus sangrando. Num primeiro momento, parecia ser sua consciência pesada por ter matado outros cristãos, mas depois da crucificação fica claro que se tratava de um presságio sobre seu futuro. Novamente o sobrenatural agindo, mas o recurso vem para somar e não subtrair. Desse núcleo, a única coisa que não entendi é porque diabos (ou seria graças aos deuses?) o Rei Ecbert mandou libertar o Priest, que afinal de contas não passa de um Judas. Minha única explicação até o momento é que ele pretende usá-lo contra Ragnar. Será que teremos Athelstan e o Earl em lados opostos numa batalha? Possibilidades que devem ser consideradas.

O confronto entre Ragnar e Jarl Borg está ganhando corpo, e os soldados ao lado do nosso Earl, felizmente, estão aumentando. O que eu espero é que esta briga dure mais tempo que a de Ragnar contra o então Earl Haraldson, na primeira temporada. Gosto muito de Jarl como um vilão, principalmente por seu discurso, tentando (e às vezes conseguindo) levar a galera ao delírio com sua fala inflamada, mostrando que não é de hoje que a manipulação da palavra pode conduzir o pensamento das massas. Vamos aguardar a cobra fumar entre eles enquanto a gente se deleita com Ragnar, Rollo, Floki, Lagertha e Bjorn chutando bundas nórdicas por aí. Ai, mal posso esperar para ver a gangue reunida novamente.

Apresentando o melhor episódio até aqui, Vikings segue em uma ascendente, e a nós só nos resta torcer para que a série avance ainda mais e nos entregue todo o potencial que ela possui. A segunda temporada ainda está no começo, mas já espero ansiosamente a renovação.

Em tempo 1: Foi para Valhalla: Rei Horik, que, dizem por aí, vai reencarnar como o parceiro de James Gordon em Gotham…

Em tempo 2: Alguém se lembra dos corvos, que eram tão simbólicos na primeira temporada? Onde foram parar? Será que Faísca e Fumaça não renovaram o contrato com a série?

Em tempo 3: Princesa, o inverno chegará em breve”. Rollo, mostrando é fã de Game of Thrones.

Em tempo 4: “Eu sou sua esposa, não me trate como sua puta”. Lagertha, mostrando quem é que realmente manda na parada.

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