Assim como na primeira temporada, agora, na quinta, vemos Alicia diante de um recomeço, diante de um desafio. Se há quatro anos era retornar ao mercado de trabalho após mais de uma década longe e sob a sombra de um escândalo, atualmente ela enfrenta todas as incertezas de começar um novo negócio e no meio de uma guerra com seu antigo amante, chefe e aquele que lhe deu a tão necessária chance.
Sim, Will tinha razão ao esbravejar em Hitting The Fan que Alicia estava amaldiçoada e ninguém queria contratá-la. Alicia não foi só recusada, como humilhada em suas tentativas de encontrar um emprego, sua sorte começou a mudar quando reencontrou seu antigo colega de faculdade em um elevador (elevadores estão presentes na história de amor de Alicia e Will desde sempre!). E, já ali, Will não conseguiu disfarçar aquilo que ele confessou naquela mensagem de voz perdida nas primeiras temporada: ele a ama desde Georgetown.
Não havia nada de atrativo em contratar Alicia. Ele bem que tentou ao colocar Kalinda no seu rastro em busca de algo de bom para convencer os seus colegas a contratá-la, só para descobrir que Alicia estava prestes a ser demitida no seu último emprego porque não tinha instinto assassino prezado por aqueles advogados. Ainda assim, Will moveu montanhas e lhe concedeu uma segunda chance. Talvez Alicia nunca saiba o tanto que Will já fez por ela, mas é certo que ela sabe que tinha certa influência sobre ele, todo aquele flerte não nega (“Use tudo o que você tem”, ela diria depois na palestra). Ainda mais quando sua consciência (em forma de Jackie!) a chama de vagabunda!
Hoje Alicia é uma mulher diferente daquela dona-de-casa certinha, mais emponderada e confiante, mas ainda cheia de amarras sociais e morais. O que Alicia quer? Rayna Hecht (Jill Hennessy ) fez a pergunta de 1 milhão dólares. A resposta? Ser feliz e controlar seu destino. A primeira não poderia ser mais clichê e a segunda mais improvável. Todos querem a felicidade, e controlar nosso destino, infelizmente, está além dos nossos domínios. Depois de cinco temporadas, o que podemos dizer é que Alicia não sabe o que quer… ou sabe e tem medo disso.
Pois bem, mas nesse episódio o que todos queriam era Rayna Hecht. Esbelth conseguiu o feito, no entanto, o esforço para impressionar a advogada, levou a nossa protagonista a se dedicar ainda mais no discurso para sua palestra. A palestra foi um fracasso, mas rendeu um belo episódio, nos mostrando toda vulnerabilidade de Alicia ao nos levar para sua trajetória pós-escândalo e pré-Loackart Gardner. A gente imaginava que o percurso tinha sido árido, mas ver Alicia sofrendo é outra coisa. De volta àqueles dias de vergonha, insegurança e desespero, ficamos com o coração na mão por nossa protagonista e derretidos com Will vindo em sua salvação, com toda aquela cumplicidade e trocas de sorrisos. “Quando eu estiver devastado e jogado em um beco em algum lugar, faça algo bom para mim”, foi só o que Will sugeriu em troca. Vamos ver se Alicia vai se lembrar disso quando Will levar a culpa por seu marido.
E isso está próximo. Will está num beco sem saída. Confiamos em Esbelth, mas só ela será suficiente? Ainda mais que com essa incerteza de renovação de contrato que ronda a série. Bom, esperava que na conversa entre Will e Alicia na lanchonete, ela fosse trazer o assunto da fraude de votos à tona. Não tivemos isso, mas, por outro lado, tivemos um significante aperto de mão após uma conversa trincada e subjetiva. Will sugerir que, ao contrário de Alicia, ele nunca misturou o profissional e o pessoal na relação dos dois é risível. A verdade é que ele misturou bem menos que Alicia, mas misturou. Ele agiria daquela forma competidora de colega traído mesmo que fosse qualquer outro, só sem toda carga emocional. Por outro lado, ele já provou em outras ocasiões que sabe separar as coisas, quando, por exemplo, Alicia terminou com ele na terceira temporada ou quando ignorou sua declaração de amor no começo da segunda. Já Alicia, bom, basta lembrar que ela fundou a Florrick Agos para se manter distante de Will. Mas estaria Will sugerindo que seu ódio profissional por Alicia não abalou seu amor pessoal que sente por ela?
A Few Words só teve méritos, o episódio fugiu do modus operandi da série, não tivemos caso da semana e saímos do tribunal (e até de Chicago!), nos levou à Nova York e a um mergulho na mente de Alicia, rendendo cenas espetaculares, além de deixar várias questões no ar, e a promessa é que o próximo episódio seja chocante e feche um circulo.















