
De volta à velha fórmula.
Spoilers Abaixo:
Mas sem perder a qualidade. Com o “quatro olhos” Finch de volta, Person of Interest retomou o formato de “número da semana”, mostrando Reese e Finch (somados a Carter e Fusco) voltando a atuar juntos para salvar as pessoas apontadas pela Machine, porém aproveitando (como sempre) para abordar algum ponto relacionado a história principal da série.
O caso da semana não foi nada diferente do usual e não exigiu de John ou Finch ações criativas ou distintas das que já foram usadas anteriormente, afinal, o que há de novo em John assumir um trabalho perto da pessoa ameaçada para poder ficar próximo dela? Nada. Contudo, é na forma que isso acontece que a série sabe diversificar e se tornar atrativa. Ou alguém não se divertiu vendo John armando pra cima do segurança de Sofia Campos e depois aprontando com todos os outros candidatos?
Além disso, a personalidade da pessoa ameaçada sempre é importante e neste ponto também tivemos uma boa escolha. Sofia Campos era uma pessoa difícil de lidar e, ainda por cima, deve ter sido a primeira mulher a (finalmente) não cair no charme de John e seu olhar de “eu sou o gostosão”. Claro que depois ele acabou ganhando a confiança da moça e recebendo um pedido para acompanhá-la de volta ao Brasil, porém depois de ter sua vida salva mais de uma vez por John, quem faria diferente?
E por falar em Brasil, “Masquerade” acabou sendo um episódio “especial” para nós, não só devido ao “número da semana” ser de uma brasileira, mas também por ter duramente apontado nosso país como um lugar em que a corrupção corre solta. Exagero? Preconceito? Honestamente acho que não. Não vou entrar em discussão política aqui, mas será que Person of Interest falou algo sobre o Brasil que não é verdade? Será que poderíamos esperar que as pessoas de outros países tivessem outra imagem do nosso com tantos escândalos de corrupção correndo soltos e em pleno julgamento do mensalão? Acho que não.
Voltando ao episodio, apesar do bom caso da semana, os destaques principais novamente ficaram para os pontos relacionados ao plot principal da série: o retorno à ativa de Finch e o reaparecimento de Mark Snow e Kara Stanton.
Coitado do Finch. Após o trauma do sequestro e tendo que lidar com a constante ameaça de ter que encarar Root novamente a qualquer momento, Harold está mais isolado do que nunca e agora nem mesmo tem coragem para sair sozinho na rua, com medo de que a vilã esteja por perto. John esforça-se bastante para tentar deixar o amigo mais tranquilo e poupá-lo das lembranças de Root, porém os estragos e consequências gerados por ela ainda estão por toda a parte, sendo que a única coisa que parece desanuviar a mente de Finch neste momento e distrai-lo é, quem diria, a companhia de Bear.
E que cachorro sem vergonha esse tal de Bear. O bicho é capaz de devorar qualquer bandido ao mínimo comando, porém junto de Harold mais parece um cãozinho inofensivo e brincalhão que só quer saber de companhia e de ir buscar a bolinha. Além disso, é muito engraçado ver o Finch com seu jeito sério ficando afeiçoado pelo bicho e perdendo a concentração no trabalho ao brincar com ele, fazendo com que Bear venha se mostrando uma grande aquisição para o “elenco” regular da série e seja mais um responsável pelos alívios cômicos nos episódios.
O reaparecimento de Snow e Stanton também foi uma grata surpresa no episódio. Com o desfecho do sequestro de Finch e com Root quietinha em seu canto (por enquanto), era de esperar que Person of Interest voltasse a abordar alguma das pontas soltas deixadas ao final da temporada e trouxesse de volta algum dos personagens “sumidos”.
No entanto, a maneira com que os personagens foram reintroduzidos na trama foi bastante inteligente, com Carter encontrando um Snow manquitola verificando o corpo de Alicia Corwin no necrotério e nos fazendo acreditar por um momento que o agente da CIA havia conseguido escapar de Stanton, apenas para surpreender no final do episódio ao mostrar que Mark esteve todo o tempo circulando com uma bomba amarrada ao corpo e, o mais importante, revelando ao menos parte das intenções da ex-parceira de John: descobrir quem foi o responsável por ordenar que ela e Reese fossem assassinados.
A volta de Stanton promete e, uma vez que o objetivo dela parece ser se vingar de quem tentou assassiná-la, tudo indica que ela e John poderão futuramente voltar a se encontrar e trabalhar em conjunto para desmascarar os vilões que tentam eliminar todos que tem conhecimento sobre a Machine. Além disso, Carter não vai ficar satisfeita enquanto não descobrir por que a CIA não faz idéia de onde está Mark Snow, por que havia uma incisão no braço de Corwin e, principalmente, porque Snow ele estava no necrotério verificando o corpo de Alicia. A partir de agora as coisas devem começar a esquentar pra valer e a temporada, que já começou boa, deve melhorar cada vez mais. Os fãs de Person of Interest agradecem.
Observações
– Hersh, o capanga do homem do Comitê Especial, encontrou um chip no braço de Corwin. O que será que tem nele?
– Fusco tem seus apelidos divertidos para Reese e Finch e os está sempre mencionando, porém achei muito engraçado quando Harold ligou para Lionel e o visor do celular deste apontou “Mr. Good News”.
– E a Sofia dizendo que Fusco lembrava seu tio garanhão, hein? Por essa nem o Lionel esperava!
– “You’re been watched“! A abertura está de volta!! Um pouco diferente, mas mantendo o padrão, o que é legal. Quem tinha decorado a da primeira temporada pode tratar de começar a treinar a nova!
– Um outro ponto sobre o qual o pessoal reclamou bastante foi o dos brasileiros terem sido tratados como um povo que não é pontual. Essa fama existe mesmo e não são apenas os britânicos que valorizam a pontualidade, os americanos também são assim e eu pude observar isso quando fiz intercâmbio na minha adolescência.
– Ao contrário do que fazem muitas séries, a produção de Person of Interest foi muito bem na pesquisa sobre o Brasil. Pode apenas ter criticado o Brasil, mas ao menos fugiu do lugar comum de falar sobre Carnaval, mulata, praia, favela ou Amazônia. E além de sair do lugar comum, mostrou um material muito bem feito, com o site sobre política com um texto em português bem escrito e ainda citando o DEM e o PT.
– O único ponto negativo sobre o Brasil foi o sotaque dos personagens. Se eles não querem contratar brasileiros para atuar, então é melhor evitar as frases em português. Não precisa mudar a nacionalidade do personagem, basta os diálogos permanecerem apenas em inglês.
– O episódio desta semana não foi marcado por muitas frases engraçadas, mas ainda assim algumas foram interessantes. São elas:
“John não fica muito animado quando você não está por perto” (Carter para Finch)
“Esta… distração que você adotou, está interrompendo meu trabalho.” (Finch para Reese)
Diálogo entre Reese e Finch:
R: “Bear é amigável, você vai gostar dele.”
F: “Ele não parece ser de conversar muito.”
R: “Ele não é, mas se alguém mexer com você, ele irá comê-lo”
Diálogo entre Reese e Sofia:
R: “Passei um tempo me sentindo perdido.”
S: “O que mudou?”
R: “Alguém me encontrou e me disse que eu precisava de um objetivo.”
S: “Parece um bom amigo.”
R: “Ele é.”
“Não sei se você é o melhor para afirmar isso, Mark. Você achou que eu estava morta também.” (Stanton para Snow)














