
Slapt! Esse é o som do tapa que The Middle deu na minha cara!
Spoilers Abaixo:
Se você leu a review da premiere dupla, deve estar lembrado que rasguei elogios para essa delícia que a série é, mas fiz uma pequena ressalva. Em minhas próprias palavras “… a série repete a lógica que norteia praticamente todos os seus episódios”, e continuei “Quando você passa a entender a lógica da série para criar, lidar e resolver as situações, elas acabam se tornando repetitivas e previsíveis. (…) fica a sensação de que os produtores poderiam se esforçar um pouquinho mais para criar novas piadas”.
Não tenho certeza se usei a onomatopeia certa para a ocasião, mas é bem verdade que os dois últimos episódios foram feitos (e bem feitos) unicamente para mostrar que The Middle também tem total capacidade de sambar na nossa face e, sim, se reinventar, mesmo sem sair do lugar comum.
Tudo começou em “The Second Act” (S04E03), quando Frankie foi chamada pela milésima vez para ter uma DR com Mr. Ehlert. Se você pensou que ela seria ameaçada, teria uma ideia genial – que daria errado, mas que acabaria garantindo seu emprego, errou feio! Just like me! Seu chefe foi mesmo capaz de demiti-la em uma cena genial, mostrando Mama Heck prevendo as exatas reações que eu tive ao perceber que dessa vez não era em vão. Ela seria mesmo demitida!
A decisão é dramaturgicamente simples, mas vai forçar o roteiro a explorar novas possibilidades para a personagem. E isso é muito bom, principalmente porque veio logo após este reviewer reclamar que a série estava andando em círculos e se tornando repetitiva. É o tipo de queimação na língua que te faz vibrar de tão gostosa!
A partir dessa decisão, Frankie se viu forçada a lidar com uma dúvida existencial que deve ser muito comum em pessoas de sua idade que ficam desempregadas. “O que eu estou fazendo para viver? Gosto realmente do que faço? Seria possível aliar satisfação pessoal a recompensação financeira?” Então, ela resolveu se matricular no Instituto Tecnológico de Orson, onde nascem as segundas chances.
A busca de Frankie por uma nova carreira rendeu boas sequências. Destaco a que ela revela suas reais habilidades, como saber colocar um vídeo em tela cheia e adivinhar quem é o assassino de procedurals antes de todo mundo. O que era cômico por si só, acabou lançando ganchos para outras tiradas engraçadas quando ela revela que sabe colocar em tela cheia, mas não sabe tirar e por isso precisa reiniciar o computador, ou que só adivinha quem é o criminoso porque sempre é o artista convidado. Gênia!
Além disso, Axl teve mais um daqueles momentos em que põe seu egocentrismo de lado e dá força para a mãe não desistir das aulas. A fofura do mais velho teve seu ápice na última cena, ao tentar lavar a roupa. Ah, e preciso citar como foi sensacional Frankie ensinando os truques para fazer a lavadora funcionar. Piada atrás de piada. Gargalhada atrás de gargalhada. The Middle estava com a corda toda!
Com isso, nossa protagonista recuperou seu posto e esteve no centro das atenções, lugar frequentemente perdido para seus coadjuvantes com seus ótimos plots. Nem o bom desempenho de Eden Sher, com Sue adotando uma caloura e dando dicas para ela se dar bem no ensino médio, tiraram o brilho de Patricia Heaton.
E o ritmo não caiu em “Bunny Therapy” (S04E04). Frankie e Mike foram chamados pela professora de sociabilidade de Brick para discutir seu novo problema. Ele trocou a mania de sussurrar para um novo tique nervoso, o Ooop. Trata-se de uma clara demonstração de que os roteiristas estão atentos e perceberam a necessidade de criar um fato novo para a piada que se arrasta desde a primeira temporada. Como bons pais presentes e atentos, eles não sabiam lidar com essa situação porque nem haviam reparado em sua existência – toda a família chegou a pensar que era o som da notificação de sms dos seus celulares.
Então, seguindo o conselho do psicólogo da escola, Brick ganha de presente de seus pais um coelho. O tratamento do especialista seguia o raciocínio de que se ele fosse capaz de cuidar do bicho, também poderia se relacionar com outras pessoas. Só que eles não contavam com o fato de que o coelho era fruto de um ménage a trois entre o coelhinho da páscoa, o filho da besta e o bebê de Rosemary.
Como não rir do momento em que o bicho colocou os dentes afiados pra fora, de Mike sentindo medo de alguma coisa e de Frankie afirmando que ele se alimenta de carne humana? Como não rir do desespero de Sue em ter que atender o telefone, no momento em que todos se empoleiravam em cima dos móveis porque o mamífero (e não roedor, Mike) tinha fugido da jaula.
Falando em Sue, foi impagável a sua interpretação vestida com a fantasia de mascote do time de futebol americano. Tenho quase certeza que era mesmo Eden Sher dentro daquela roupa porque os movimentos foram tipicamente Sue. Ninguém consegue ser mais Sue do que ela!
Axl, por sua vez, também teve um bom plot em “Bunny Therapy”. Como Frankie abriu o episódio afirmando, o namoro entre o quarterback e a cheerleader é uma tradição. Por esse motivo, gostei do modo como lidaram com esse clichê, deixando Axl divido e sem saber qual das duas amigas ele estava namorando. Cara, não sei se minhas referências são poucas, mas eu não me lembro de ter visto algo do tipo. Curti!
A julgar pelos quatro primeiros episódios, esta pode ser a melhor temporada da série. Estou esperançoso e feliz por saber que os roteiristas estão dispostos a movimentar a trama e criar novas nuances para os personagens. Se for para o bem, espero continuar queimando a minha língua. “The Middle” mostrou que é possível mexer em time que está ganhando, mesmo que de levinho.













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