
Uma vez rainha, sempre rainha.
Spoilers Abaixo:
Em mais um episódio repleto de sambadas na cara, Revenge nos faz uma revelação importante: podemos desistir de vez do sonho de união entre Emily e Victoria. A personagem de Madeleine Stowe pode ter aparentado arrependimento na reta final da temporada passada, mas a verdade é que a mulher continua sendo a mesma vadia sem coração que alguns de nós amamos odiar – enquanto outros (o/) só amam mesmo.
Prova disso foi seu sensacional, maravilhoso e doloridíssimo plano para recuperar seu lugar ao sol nos Hamptons. Emily vai precisar comer muito arroz com feijão se quiser chegar perto de ser diva suficiente para dar conta de um plano tão bem arquitetado, não é verdade? A protagonista estava lá, jurando que tinha transformado a rainha em refém de seu próprio plano, aprisionando-a para sempre em seu esconderijo, sem dinheiro, sem lenço e sem documento. Ledo engano.
Mas como Emily provocou tudo isso? Fazendo o que tem feito melhor nesta temporada: usar friamente a própria irmã a seu bel prazer, convencendo-a de que Victoria só está interessada em fugir com o dinheiro herdado. Quase acreditei quando Emily disse “Ela não vai fugir com a minha irmã”, mas a própria Emily não deu margem a qualquer dúvida quando deixou claro que seu objetivo principal era tirar a filha de Victoria, e não aproximar-se de Charlotte.
Felizmente, Victoria é muito mais esperta do que isso e, com um plano genial de fingir que foi sequestrada e torturada por Cabelo Branco, conseguiu matar três coelhos com uma só cajadada: voltou para o conforto de seu palácio, colocou toda a polícia atrás de Cabelo Branco – que começava a se tornar uma ameaça – e impediu que Charlotte fosse morar com Emily e corresse o risco de ser envenenada pela rival. É, nesta temporada, Victoria está vencendo Emily por uma verdadeira goleada!
Enquanto isso, no núcleo dos boring Porters, Amanda convence Emily a falsificar seu exame de gravidez para não perder Jack. Em troca, a buchudinha ajuda no plano de aliciar Charlotte para que a garota não vá embora com Victoria – muito boa a cena em que Emily fica no carro, se mordendo de inveja do fato de a rival poder tratar Charlotte como irmã. Revenge sabe muito bem a dosagem com que deve explorar esse viés da protagonista, que precisa lidar com as consequências das suas escolhas, e a interpretação de Emily VanCamp é sempre certeira. Em conversa com Nolan, porém, Emily dá a entender que não precisou falsificar o exame e que o filho é realmente de Jack, apesar de ter dito o contrário a sua “gêmea má”. Confesso que estava com muita saudade do clima “amigas e rivais” entre essas duas! Quero mais!
Para completar a sambada de Victoria, Emily tenta se aliar a Cabelo Branco, fornecendo a ele suas filmagens da cabana, que provam que os Graysons inventaram a história do sequestro. Cabelo Branco conta a ela que ele e Victoria retiraram Kara da instituição psiquiátrica, mas, antes de dizer a Emily o paradeiro da mãe, decide dar cabo da nossa heroína. Ficaram com pena? Pois eu achei foi pouco, pra essa amarelona aprender a não ficar poupando inimigos como se não houvesse amanhã! Aliás, o “momento Nolan” do episódio foi a resposta “Did he pinky swear?” à pretensiosa declaração de Emily de que Cabelo Branco jamais a atacaria.
Para a sorte de Emily, o pupilo de Takeda surge, todo triunfante, e mata Cabelo Branco, encerrando o episódio e a minha fé de que algum mistério deixado na temporada passada será bem explicado este ano. Em minha opinião, a morte de Cabelo Branco permite aos roteiristas simplesmente ignorar várias pontas soltas que foram deixadas pela série, coisa que eles já vinham fazendo e aparentemente não têm a intenção de mudar.
Antes de finalizar a review, preciso destacar uma cena que chamou muito minha atenção: o sonho de Emily, no início do episódio. Nele, ela se vê sozinha com a mãe, e faz questão de perguntar: “Onde está o papai?”, no que ouve “Não se preocupe, querida, estamos de férias!”
Essa sequência foi um claro indicativo, para nós, dos rumos de Revenge nesta temporada. Esqueçam David Clarke, tirem férias da vingança de Emily: este ano será mesmo sobre a mãe! Aliás, que mãe barraqueira, hein? Foi só ver Victoria, que desatou a dizer “Você roubou meu homem, sua vagabunda!” (sic… ou quase). Afe, e eu que cheguei a cogitar a possibilidade de essa mulher substituir Victoria na série. Lição número um de Victoria Grayson: pra ser rainha, tem que ter classe, minha senhora!
Enquanto acho interessante que a temporada já comece mostrando a que veio, fico intrigado com esse desvio: o importante não era a vingança de Emily pelo que foi feito ao pai? Como é possível que ele seja tão deixado de lado assim? E, afinal, os Graysons são ou não são o problema? E, como diabos Victoria escapou do avião e Lydia não??? A série simplesmente vai tentar nos tapear ignorando esse fato? Eu sei que Revenge é cheia de furos, e costumo me divertir com eles, mas isso já é demais até pra mim, pessoal!
É claro que é impossível não amar um episódio em que houve tantas reviravoltas e tantas sambadas de Victoria, mas, com esses dois primeiros novos capítulos da nova saga de Emily, não consigo evitar pensar em como foi a reunião da equipe de roteiristas da série para planejar este começo de temporada. Mike Kelley deve ter lançado a seguinte questão:
“Ah, jogamos um monte de pontas soltas aleatórias no final da temporada passada, e agora não sabemos como amarrá-las. Vamos fazer qualquer bobagem pra que a gente volte ao status anterior e continue como se nada tivesse acontecido?”
Com preguiça de pensar em como resolver aquela confusão toda, todos os demais bradaram, em uma só voz: “Oba, vamos! Mas como a gente faz?” “Fácil: a gente volta com Victoria, some com o pintor, junta a família inteira de novo e mata o Cabelo Branco!”
Parece absurdo, mas foi exatamente isso que fizeram, e não dá para não se decepcionar um pouco diante do fato de Revenge não se esforçar para provar que a existência desse cenário que pintei não é algo impossível.
De bom, temos o modo interessante como os Graysons se reergueram. Nessa família, era pai contra mãe, pai contra filha, filho contra pai, filho contra mãe, filha contra filho… Mas, como num passe de mágica, a “ressurreição” de Victoria fez com que todos deixassem seus problemas de lado e voltassem a ser os Graysons, entidade que conhecemos, amamos, tememos e queremos ver em guerra com a protagonista até o fim da série. E, se a máxima “Graysons, unidos, jamais serão vencidos!” for verdadeira, prevejo Emily tendo sérios problemas durante um tempo.
Observações:
– Quando alguém vai finalmente perceber que está sendo vigiado 24 horas por dia? Já estou cansado do Big Brother Hamptons deixando Emily sempre tão à frente dos rivais!
– A cara de prazer de Henry Czerny quando Conrad percebe que terá o privilégio de dar na cara de Victoria e sair impune foi coisa de profissional. Adorei!
– Frase do episódio: “Então é verdade… nem o diabo te quis!”, by Conrad Grayson.
– Padma consegue ser uma personagem tão ruim que, além de não funcionar sozinha, acabou com o brilho de Nolan, a única unanimidade entre os fãs de Revenge. ALERTA VERMELHO, GALERA! Alguém trate de dar um jeito de enfiar essa chata no barco naufragado, urgente!!!
– O amigo da onça que Declan fez é outro que não me agradou nada, e não é por ser uma pessoa ruim, é por ser um personagem chato, mesmo, que claramente não acrescentará nada à série (mesmo porque o pobre coitado vai ser obrigado a contracenar com Declan, que por si só já é um inútil). O que acontece com esses novos personagens de Revenge? Só tem mala! Por sorte temos o pupilo de Takeda, que já chegou aos Hamptons com estilo, e está prometendo. Aguardemos.
– R.I.P. Lydia… Ou não, né? Em se tratando de Lydia, nunca se sabe!














