Quem se deixou enganar pelo título — eu — provavelmente esperava uma continuação do episódio de estreia. Diferentemente, The Good Wife retorna a sua fórmula consagrada com um bom caso que, apesar de ser um tanto previsível, teve tudo o que fez desta série, a minha preferida.

Spoilers Abaixo:

Eu não tenho como afirmar o porquê de eu ter achado o caso previsível. Como acompanho a série há setenta episódios, posso afirmar a previsibilidade com certa propriedade, o que não quer dizer que o episódio tenha sido fraco. Pelo contrário, assisti empolgada do começo ao fim.

Confesso, porém, que minha empolgação tem nome e sobrenome: Maddie Hayward. A personagem de Maura Tierney chegou com uma força tão grande que só me faltava pular da cadeira. Feminista e rica, seu debute é em um discurso para mulheres do naipe de Diane, que não estava gostando muito, talvez por estar ali com outros interesses: o contrato de arrendamento da L&G. Mas Maddie preferia tratar com Alicia, e assim foi feito. Sem falar diretamente da campanha do marido, Alicia conseguiu com o encontro com Maddie, financiamento político para Peter e uma nova amiga para dividir drinks (estou animada para ver isso!), só não ajudar a sua firma, o que deixou Diane desconfiada e possivelmente decepcionada.

Mas não foi apenas Maddie que queria um tempo com Alicia. Todos queriam um pedaço dela. Um aspecto que eu sempre notei é o quanto Alicia se apoia em sua celebridade e nesse episódio, não foi diferente. Penso comigo que ela se sente lisonjeada quando tratada como “a boa esposa” ou “a esposa do state’s attourney”, e toda essa lisonja acaba cegando-a.

Indícios de uma possível reconciliação romântica entre Peter e Alicia já vem sendo entregues pela série há um bom tempo, todo o cenário para isso vem sendo montado aos poucos, agora em And the Law Won fica ainda mais evidente. Peter mudou, o “aval” de Maddie parece ser o que faltava para considerarmos Peter regenerado de seus pecados passados. Na cena dos dois podemos ver um Peter consciente e honesto sobre seus erros. Há também um afeto crescente entre o ex-casal e Alicia se mostra mais aberta. A descontraída e bonita cena final do episódio sintetiza bem isso.

Na parte jurídica do episódio, a história do jovem assassinado por um policial com uma arma de choque, lembra a do brasileiro morto na Austrália da mesma forma esse ano, embora em circunstâncias diferentes. The Good Wife, sempre atualizada, também trouxe a aplicação da nova lei do estado de Illinois que permite que jurados façam perguntas as testemunhas, isso tornou o caso mais interessante. Todas as vezes que as cenas mostravam os papeizinhos voando de mão em mão eu ria. O caso, aliás, parece ter sido moldado para volta de Will aos tribunais, a começar pelo advogado rival que foi seu “algoz”. Fora de forma, Will titubeou em alguns momentos e, na ânsia de aprovação, arriscou alto — até parece que não aprendeu nada com a suspensão, a sorte é que ele é bom. Felizmente saiu vitorioso, porém, não sem antes penar um pouco.  O que pode servir de alerta, ainda mais na situação delicada em que a firma se encontra.

A personagem de Nathan Lane continua dando as caras e alguém esperava todo mundo falando mal de Alicia daquele jeito? Tudo bem que só vimos um, na verdade, mas esse já foi o sentimento de Cary e provavelmente deve ser o mesmo de outros fourth-year associates. Foi engraçado ver Alicia, sempre tão eloquente, gaguejando para tentar proteger seus colegas enquanto eles faziam o contrário. Não duvido que se Alicia mantivesse essa postura mesmo estando por baixo, mas eu acho que seus colegas teriam tido uma postura diferente caso estivessem noutra situação.

Por último, mas não menos importante, temos Kalinda. Eu estou muito aberta para toda essa história dela com Nick, mas eu ainda acho que falta alguma coisa. A cena na sorveteria pode ser vanguarda na tevê aberta, mas o que de interessante ela traz à personagem? A sexualidade de Kalinda, a meu ver, nunca teve a intenção de chocar ou educar, como acontece com muitas histórias sobre homossexualidade. Mas agora, eu não consigo enxergar relevância em masturbação em público — seguida de dedada no sorvete e de uma lambida. Nós sabemos o quão doentio é o relacionamento desse casal e para mim, bastava mostrar ela alheia e perdida no caso de Will.

Escrever sobre esse episódio foi quase como tirar leite de pedra. Estava lá tudo o que faz a série ser o que ela é, e talvez seja exatamente esse o motivo. O episódio foi bom, repito, mas não deu muitos novos elementos ou algo mais impar pra se comentar sem que eu tenha de me repetir.

Outras considerações:

– Cary, novamente, ficou de escanteio neste episódio. Eu achei que ele se envolveria mais com o caso de Nick. Seria uma maneira de reaproximá-lo de Kalinda novamente. Quem sabe mais para frente?

– Maura Tierney e Julianna Margulies foram colegas por um curto período em E.R., ainda assim, para os que assistiam a série, é bom rever as duas juntas. Quem sabe George Clooney seja uma das próximas participações especiais de The Good Wife? Não custa sonhar. Que tal uma campanha no Twitter? #ClooneyTGW

– Mais um juiz divertidíssimo para a lista que só aumenta: Juiz Bernard Temple.

– O que a cena bizarra de Nick bebendo água loucamente quer dizer? Seria uma metáfora, a sua sede por Kalinda?

Promo do próximo episódio:

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