Foi só quando o episódio começou que tive a real noção de quanta saudade eu estava sentindo dessa família disfuncional.

Spoilers Abaixo:

Entendo todas as críticas que fazem a The Middle e os motivos que levam muita gente a não gostar da série. Particularmente, não me importo com eles. A comédia é leve, despretensiosa, e tem o raro dom de nos envolver com os personagens, a ponto de nos deixar em dúvida se tivermos que escolher entre qual é o nosso preferido entre os cinco.

Nas últimas temporadas, a série se propôs a mostrar, logo em seus primeiros episódios, o que os Heck fizeram no último verão. No começo deste 4º ano, a comédia repetiu a experiência do ano passado e abriu sua temporada com um episódio duplo. Não sei se foi pelo fato de não ter dado a mínima importância para a participação de Ray Romano, mas este episódio conseguiu me envolver mais que a season premiere de 2011.

“Last Whiff of Summer” começa com Frankie dizendo a Mike sobre uma sensação indescritível que fica com a chegada do verão, aquele “isto” que ninguém consegue explicar. Em seguida, ao ver que os filhos estão aproveitando a estação sentados no sofá assistindo televisão (atitude tipicamente Heck), ela resolve promover atividades para que os filhos aproveitem as férias assim como ela e seu marido faziam quando crianças.

Assim, a série repete a lógica que norteia praticamente todos os seus episódios. Frankie se preocupa com um fato, ou uma postura de sua família com relação a algo que eles não dão importância, e tenta mostrar à sua prole o quanto seu comportamento é equivocado.

Aí é que entra a minha única ressalva com relação a The Middle. Quando você passa a entender a lógica da série para criar, lidar e resolver as situações, elas acabam se tornando repetitivas e previsíveis. Um exemplo foi a primeira cena dos fogos de artifício do 4 de julho. A família é tão perdedora e a gente está tão careca de saber disso, que passamos toda a cena do piquenique com a certeza de que eles não conseguiriam ver os fogos.  Outro caso são as piadas recorrentes como esquecer a sacola de lanches e Axl derramando leite em si mesmo. Brick sussurrando para a camisa é algo que eu sempre curti, mas já não causa o mesmo efeito cômico de outrora.

Apesar disso, acho louvável a atitude da série de rememorar situações passadas – o próprio caso da sacola de lanche esquecida, é mais engraçado para quem é espectador assíduo. Também há uma preocupação visível em manter as características dos personagens, criando plots que se encaixam perfeitamente às suas personalidades e mostrando como cada um deles lida com os mesmos, à sua maneira. Porém, fica a sensação de que os produtores poderiam se esforçar um pouquinho mais para criar novas piadas. Afinal, são quatro anos de The Middle. Algumas tiradas ainda funcionam, como dizer o nome completo de Sue Sue Heck. Neste caso, talvez por ser uma revelação recente e pouco reprisada.

Enfim, também houve flores. O choque de gerações rendeu bons momentos, como a dificuldade em explicar para Axl, Sue e Brick o que era um drive-in, fato só conseguido após a analogia com um iPhone. Assim como Frankie acreditando que os filhos jogavam pacman.

Nesse episódio, me chamou a atenção o quanto Sue e Frankie são parecidas. As duas tiveram as mesmas reações quando souberam que não eram as preferidas do seu pai ou filhos. A mãe partiu para o ataque, tentando ganhar na marra o amor de Brick, e a filha foi para cima de Mike, achando que só precisava passar mais tempo com o pai para que ele mudasse de ideia.

O plot de Sue e Mike gerou piadas sensacionais. Uma delas foi perguntar para Big Heck com qual personagem de Glee ele se importava mais? (Pergunta idiota, a resposta é óbvia: Rachel!) Além do sensacional álbum “Verão da Sue e do Pai”, com a marcação de que Liam é o membro do One Direction preferido de Mike – provavelmente aquela resposta dada por ele num momento de desatenção. Como teenager típica e antenada, cabe a Sue fazer as melhores citações, geralmente destinada a outras séries, filmes e cantores da atualidade.

Foram 40 minutos agradáveis e que funcionaram, principalmente porque não se prenderam a apenas um fato. O episódio teve a capacidade de partir de uma linha geral, mostrando diversas nuances e criando novas situações no decorrer de sua exibição.

Essa premiere foi recheada de cenas memoráveis:

– A revelação de que Brick era chamado de “Ooops” até os três anos;

– Os Donahue sendo citados como os filhos favoritos de Frankie;

 – Frankie ficando em terceiro lugar como melhor “pai”, perdendo para Nancy Donahue;

 – A cena de Frankie tentando mostrar para os filhos como é divertido brincar com o irrigador (quem nunca?);

– Axl entrando na arena de demolição, lembrando aqueles brinquedos bate-bate de parque de diversões, só que real;

– Frankie mordendo cada um dos lanches antes de jogá-los fora.

Foram situações divertidas que precisam aparecer mais no roteiro de The Middle. É preciso usar essa quarta temporada para buscar novos caminhos, explorar novas situações, tentando sair um pouco da zona de conforto, por melhor e funcional que ela seja.

A série já é amada, mostrou a que veio e tem tudo para continuar sendo renovada pela ABC. Pelo menos, até que a insistência nas mesmas piadas não afaste o público.

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