
Os melhores episódios de Maio, in my opinion.
Maio é um mês que o grande destaque são os fins de temporada. Portanto, foi com surpresa que, ao término desta lista, eu tenha percebido que só havia um representante destes episódios figurando na lista. Não querendo dizer que o mês foi ruim nesse sentido, mas que os episódios simplesmente ficaram devendo em alguns aspectos para que merecessem fazer parte dos Destaques do Mês.
Como um contraponto, os episódios que figuram fizeram com que eu tivesse muita coisa para escrever, por explorarem pontos interessantíssimos de suas respectivas séries e ter muito ainda a ser acrescentado no debate sobre cada um destes. Mesmo sendo “apenas” seis, considero um exercício mais produtivo por terem sido episódios realmente excelentes e que merecem figurar não só nessa lista, mas são candidatos fortes aos melhores do ano.
Do ponto de vista pessoa, vi apenas 70 episódios, totalizando uma média 2,25 episódios por dia, um número vergonhoso e que espero consertar em Junho, mas muito devido a alguns fatores de ordem pessoal que demandaram um certo tempo.
Como menção honrosa, gostaria de destacar O Fantasma da Ópera no Royal Albert Hall, um DVD fascinante sobre uma peça que representa para os musicais um nível de maturidade nunca antes alcançado no gênero, sendo quase como um The Sopranos em formato de peça neste aspecto.
Sem mais delongas, vamos aos destaques de Maio!
Welcome do Bushwick (a.k.a. The Crackcident) – Girls

“The Crackcident” serve como uma ponte na série entre o que cada personagem é e o que eles desejam ser. Hannah finalmente percebe que precisa dar um chance para conhecer Adam, Shoshanna decide usar drogas, Marnie passa a perceber o seu comodismo e que ainda não superou o fim do namoro ao se ver com ciúmes de Charlie, Jessa corta qualquer elo que poderia existir entre ela e Jeff. Durante boa parte do episódio, as garota tomam atitudes detestáveis, mas o que faz, apesar tudo, existir uma identificação entre ela e os espectadores? O simples fato de todas estarem fragilizadas, precisando dar a voltar por cima na vida, é esse o artifício que Girls faz do fenômeno de identificação e o desenvolve a um extremo de gerar uma certa vergonha por apoiarmos cada uma delas.
Review completa aqui.
Lady Lazarus – Mad Men

Don Draper estava apaixonado por Megan, mas a lua-de-mel estava aos poucos se corroendo, como já mostrado em “Far Way Places”. O preenchimento no ego do personagem com a esposa bonita, jovem e redatora competente, como mostrado em “At The Cofish Ball”, uma hora iria se romper. E esse momento foi adequado. Quando Draper tem que aceitar que não terá uma esposa presente em toda a sua vida, que ambos são diferentes e ela tem um espírito livre que necessita ser saciado. Sendo um marco da divisão entre o clima leve dos primeiro episódios e o fim pesado da temporada. E, embora no momento não consigamos compreender muito bem o porquê de Don tratar tudo aquilo como uma aura de apocalipse, o rumo seguido serve como esclarecimento.
Review completa aqui.
Curriculum Unavailable – Community

A maior dificuldade em repetir episódios de estruturas similares enfrentado por Community é o de não fazer jus ao seu antecessor. Exemplo mais claro tido nos paintballs da segunda temporada que, apesar de divertidíssimos, estão longe de serem um “Modern Warfare”.”Curriculum Unavailable” consegue a proeza, por utilizar uma ideia anteriormente bem trabalhada e a modificar de contexto, tornando a terapia uma forma do grupo desabafar a ausência de Greendale em suas vidas e o quanto precisam voltar para a instituição.
Culminando com uma cena que beira a insanidade de transformação de Greendale é um hospício, mas remete a um característica muito pouco comentada da série: O quanto esse grupo de pessoas, disfuncionais e incompletas, precisam um do outro para continuarem com sua sanidade mental. É a junção de cada um dos membros que tornam “The Greendale Seven” um grupo coeso e pronto para enfrentar a dura realidade que os cerca. Assim, mesmo possuindo vidas falhas em muitos aspectos, eles podem aceitar a realidade sem precisar simular uma fuga. Apesar de toda a loucura estrutural e diversão, este é o principal legado que a “Era Dan Harmon” deixou para a série. Resta esperar que Guarascio e Port respeitem essa essência, mesmo modificando o exterior.
Review completa aqui.
Win, Lose, Or Draw – Parks and Recreation

Parks não estava no seu melhor ano de série. Seja devido a não saber usar alguns de seus personagens, Tom e Ann sendo o caso mais sintomático, ou até mesmo um uso ruim de sua trama política. Felizmente, em sua reta final a série mostrou todo o fôlego que pode ter e caminhou não apenas para alguns dos melhores episódios da série, como para o final de temporada mais bem realizado da televisão aberta esse ano.
O melhor desse episódio é o quanto ele passa o clima da ansiedade no final de uma eleição. Seja através do voto de uma pessoa que pode fazer a diferença, os problemas de contagem, os ânimos dos dois (ou no caso só de uma) candidatos e seus chefes de campanha, a medo da perda de cargos. As diversas tramas representam muitas facetas da eleição, de um modo que consegue ser muito divertido.
Assim fica difícil não esquecer todos os problemas da temporada e não focar no que funcionou, sendo este um bom exemplo do que estou falando.
Review completa aqui.
The Other Woman – Mad Men

Joan Holloway cresceu muito desde o início da série. Aquela que antes parecia ser uma caricatura, da mulher voluptuosa com o objetivo de atrapalhar a vida de Peggy enquanto rebolava pela agência, passou a ser um personagem cada vez mais humano. Revelando-se aos poucos uma funcionária competente, ajudando na contabilidade da empresa, e pessoa magnífica na ajuda de seus companheiros de trabalho, chegando a servir como uma forma de julgamento ao espectador, que imbuído de preconceitos questionou sua competência apenas por ser uma mulher bonita.
Não gostaria de me alongar sobre se a atitude tomada por ela é factível ou não dentro de sua personalidade, apesar de achar sim que foi, por considerar que já foi exaustivamente debatido e não tenho nada a acrescentar ao debate, preferindo e focar nas consequências deste ato. Mesmo com toda a mudança do mundo, uma funcionária antiga de casa e com uma gama de tarefas precisou utilizar seu corpo para garantir uma promoção, é um tapa na cara dado pelos roteiristas de Mad Men para mostrar que o mundo pode sim estar mudando, mas esse é um processo demorado e alguns laços da sociedade arcaica predominam. Enquanto a década de 70 não chega, para canalizar boa parte dessa metamorfose, resta a cada ser-humano se adaptar ao ambiente corporativo ou fugir dele.
Esta era a escolha de Joan Holloway, em uma encruzilhada entre ter que conviver com aqueles que a veem como fonte de sexo, devendo optar por se adaptar ao ambiente ou pedir a simples demissão. A escolha de Sofia no final teve uma mensagem clara, a do uso da única fonte que tinha para conseguir autonomia e participar da administração da agência. Foi uma submissão temporária para garantir que não tenha que baixar a cabeça o resto de sua vida para seus superiores, simbolizando a entrada definitiva da mulher no mundo corporativo.
E a cereja no bolo para o merecimento de Hendricks a todos os Emmys do mundo.
Review completa aqui.
Blackwater – Game of Thrones

A maior injustiça dita a respeito do segundo ano de Game of Thrones diz respeito à sua suposta lentidão. Com um material repleto de um número bem menor de reviravoltas que o seu primeiro ano, a adaptação de A Fúria dos Reis preferiu focar o seu enredo nas pessoas que habitam seu universo, despendendo inegável tempo para diálogos, mostrando como cada um dos protagonistas reagem à guerra e, o mais importante, gastando tempo para mostrar a repercussão do conflito na sociedade civil. O que fez a série sair do ramo de entretenimento e a entregou de fato uma mensagem social, mesmo que não exaustiva.
“Blackwater” é um exemplo clássico disto. Mesmo com um conflito épico, ao menos dentro dos parâmetros da tevê, com direito ao uso belíssimo do Fogovivo e um discurso motivador de Tyrion Lannister, no final o mais importante é como cada cidadão de King’s Landing reage ao que está ocorrendo. Uma guerra por poder cujos principais afetados são os civis, que em caso de vitória deverão consertar o estrago e de derrota terão a morte e abuso de sua família.
Os nobres também sofrem. A ameaça de morte. O rei que não tem coragem de duelar. O cavaleiro mais corajoso fugindo do conflito. Sansa e Cersei nessa atmosfera de medo conseguem atingir um momento raro de comunhão sincera, com direito a um debate sobre o papel feminino e o poder que estas exercem nos homens, ironicamente situado no mesmo dia em que foi exibido o episódio anterior desta lista.
É um episódio nada menos que épico, a prova de tudo que Game of Thrones é capaz. E que consegue dar aos leitores dos livros uma certa ansiedade para descobrir como será a adaptação de um certo evento. Não é apenas o melhor episódio de Game of Thrones, mas do ano até agora.
Review completa aqui.
E para vocês, quais foram os Destaques de Maio?












