“Nova temporada. Novas loucuras” (Matt).

Spoilers Abaixo:

Necessary Roughness está de volta para sua 2ª temporada. Para início de conversa, na premiere, tivemos a resolução do cliffhanger da última season finale. Apesar de tentarem (sem grande sucesso) na primeira cena passar algum suspense sobre a possibilidade do pior ter acontecido, logo descobrimos que Terrence continua vivinho e cheio de disposição para botar para quebrar (em campo e fora dele)…. Será???

Dra. Dani, a maior psicóloga do mundo dos esportes, desconfia de tanta “alegria” para alguém que passou pelo trauma de estar entre a vida e a morte e logo confirma sua suspeita de que TK estaria manifestando negação típica de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Se na temporada passada, o comportamento irresponsável, agressivo e auto-destrutivo de Terrence era o grande desafio profissional de Dani, agora será o acompanhamento psicológico de TK no seu processo de reabilitação física, no enfrentamento do pânico causado pelo trauma e principalmente, ao lidar com a (real) possibilidade de ele ter sua carreira interrompida justamente no auge. É certo que vem fortes emoções por aí!

Além disto, estes episódios nos sinalizaram alguns dos caminhos que a série seguirá nesta temporada. O divórcio dos Pittman certamente vai abalar a estrutura do New York Hawks, cujas finanças já começam a cambalear; o que tenciona ainda mais o ambiente da equipe, somada à incerteza sobre o futuro do principal jogador. Agora que Marshall resolveu dar as caras no time, como parte de sua estranha estratégia em reerguer a equipe e, ao mesmo tempo, impedir que sua ex-mulher assuma o controle, a previsão é de dias nebulosos para os Hawks. Quem terá papel fundamental aí é Nico, que é o faz-tudo que tem todas as soluções para limpar as lambanças (seja de TK, seja do patrão).

Dani se entregou ao romance com Matt, mas ainda está escondendo dos filhos, por conta daquela velha história de receio de como eles reagirão, divórcio recente, blá-blá-blá, lenga-lenga… Esse arco promete alguma diversão em torno das tentativas de ocultar o relacionamento, desde que fuja da mesmice, isto é, filhos aborrescentes tendo crises histéricas e empatando a vida amorosa da mãe. Falando em filhos, originalíssima a ideia de Ray Jay de fazer um PowerPoint para convencer a mãe do porquê ela deveria deixá-lo transar com a explicadora-que-virou-namorada em casa, com argumentos como “Romeu e Julieta. Seus pais o separaram. Veja o que aconteceu com eles”.

Nestes dois episódios, vemos que, em geral, Necessary Roughness pretende trilhar a mesma estrutura de episódios e mesma direção no roteiro que apresentou na temporada passada; isto é: centradas paralelamente na vida pessoal de Dani (seja na relação com os filhos, com o ex-marido ou com o novo namorado), na evolução da terapia de TK, mostrando também a cada episódio a história de outro paciente e a resolução de seu caso.

Na premiere, entretanto, o foco ficou mais voltado para TK (assim como fora no piloto), o que, já no 2º episódio foi diluído e entremeado com o caso de Kelly “Desgrace”, uma jogadora amadora de roller derby (um esporte sobre patins, cuja diferença para o hóquei eu não consegui alcançar, rs…) que desmaia na quadra após ter uma memória sensorial de um cheiro forte que remetia à sua infância.

Esta estrutura é, in my opinion, um dos pontos altos da série, bem como a interligação entre os diversos pontos do roteiro: até mesmo, as narrações iniciais (que à primeira vista, parecem não servir para nada) contém elementos que são, ao final, articulados com a “solução do caso”.

A série tem bom potencial. Para esta temporada, o canal USA encomendou 16 episódios (contra 12 do ano passado), o que indica uma certa “aposta” na série. Callie Thorne (Dani) recebeu uma indicação ao último Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama e, de fato, sua personagem sempre tem uma sacada final interessante do ponto de vista dramatúrgico e satisfatoriamente verossímil, do ponto de vista da psicologia.

Entretanto, me parece que o que vai ditar o rumo da série nesta temporada (ao paraíso ou a inferno) é a atuação de Mehcad Brooks (Terrence King) aliada à forma que os roteiristas conduzirão à sua reabilitação: de uma forma interessante e criativa ou caindo na pieguice e no lugar-comum de um sentimentalismo-barato-à-la-auto-ajuda.

Prezados série maníacos, com esta review estreio aqui no site. Com prazer, acompanharei com vocês esta temporada de Necessary Roughness. Até a próxima!

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