Agora que chegamos onde queríamos, para onde vamos? 

Depois da tempestade… não vem a bonança. O segundo episódio da terceira temporada de Casa do Dragão começa com a ressaca do que aconteceu na Batalha da Goela; e mais uma vez foi a prole dos líderes que pagou o preço de suas escolhas. Jace foi morto junto com seu dragão e quando devolvido para a mãe, vemos Rhaenyra se desesperar em cima do corpo de do penúltimo filho que teve com Harwin Strong. Agora, só lhe resta Joffrey (e os filhos que teve com Daemon). 

Teria sido muito bom que a segunda temporada tivesse conseguido seguir sem a interrupção que resultou no corte dos dois últimos episódios. A Batalha da Goela e a invasão a Porto Real teriam sido uma maneira eficiente e coesa de encerrar os eventos daquele período da história. Essa episódio assentou os acontecimentos recentes numa frequência suficiente para que os roteiros fizessem uma pausa de conflitos, para preparar novas tensões e explodir tudo novamente no final. 

A chegada de Rhaena de volta ao Vale do Arryn foi outro exemplo de fechamento de arco que faria mais sentido numa progressão ininterrupta de episódios. Ela foi pedir asilo de volta para Lady Jeyne e levou uma negativa merecida, depois de ter abandonado a comitiva que levava os filhos de Rhaenyra para Pentos e ido caçar um dragão que claramente não a obedeceu. Se os roteiristas realmente não mexeram na estruturação dos episódios depois do adiamento, é provável que o episódio 3 dessa terceira temporada é que seja realmente o início dela; o que – diante de uma passagem de tempo mesmo que mínima – vai deixar as coisas mais esquisitas ainda. 

E foi justamente por causa da matança de filhos entre os dois lados, que Alicent fez o acordo com Rhaenyra. Ela quer salvar pelo menos Healena, a filha que presta um pouco mais que os outros. Mas, Alicent é tão ferrada no que diz respeito a alianças, que naquele castelo inteiro só tem uma pessoa que ela pode procurar para pedir um suporte: Luthor, o comandante da guarda real (os Mantos Dourados), que antes eram liderados por Daemon, lembram? E ela vai precisar de ajuda, porque Aemond ainda não saiu de Porto Real e Aegon II desapareceu. Se Rhaenyra chegar e ver que os termos do acordo não foram totalmente cumpridos, o bicho pode pegar. 

Diante do ataque de Jasper Wylde, eu me peguei pensando na dubiedade de que no universo de Westeros, nas duas séries, a maneira que os roteiristas encontram de causar um conflito dramático repentino para uma personagem feminina é sempre fazendo com que ela seja abusada. Ao mesmo tempo, sendo uma mulher naquela realidade medieval, como questionar a verossimilhança da violência promovida pelos homens? Talvez o problema seja a “muleta”. Tanto em Game of Thrones como nesse momento entre Alicent e Jasper, ficou uma sensação de que aquilo foi uma solução de última hora para que o ator que fazia Jasper tivesse algum destaque maior antes de seu fim. Me incomodou… ligeiramente, mas sim. 

E finalmente, Aemond foi para Harrenhal. E é claro que como bom maníaco psicótico ele já chegou matando os pobres dos Strong (que com esse sobrenome soam uma piada pronta, coitados). Um desses Strongs acabou ferindo o valentão e foi agonizando por ajuda que ele conheceu Allys Rivers. Se acontecer como no livro, esse encontro entre os dois vai ser o primeiro passo para um arco imenso que culminará com mais um grande momento da dança. 

Na obra original, a tomada de Porto Real acontece em apenas 1 dia, mas ainda assim acontece uma batalha entre as forças restantes dos Pretos e o exército de Corlys, que força a entrada na cidade. Esse rolê todo faria a HBO gastar mais alguns milhões. Então, o acordo entre Alicent e Rhaenyra caiu como uma luva e a resistência foi mínima. Os Mantos Dourados viraram a casaca e Rhaenyra foi finalmente sentar naquele trono de ferro totalmente desconfortável e maldito. 

A maldição, aliás, continuou logo adiante. Rhaenyra não deixou Alicent fugir da cidade e os guardas a trouxeram de volta. E é claro que Alicent entrou no salão do trono no exato momento em que seu pai, Otto Hightower, tinha acabado de ser decapitado. Otto andava sumido desde que foi “demitido” por Aegon II; e foi só nesse episódio que a gente descobriu que ele estava esse tempo todo nas masmorras do castelo. O homem quis tanto levar sua casa até o poder e acabou sendo escorraçado pelos próprios netos. Acabou sem cabeça. 

Se esse tivesse sido o último episódio da segunda temporada, ficaríamos todo o hiato nos perguntando como Alicent iria se comportar diante do descumprimento do acordo por parte de Rhaenyra, que ainda matou seu pai. Teria sido um fim de temporada absolutamente perfeito. Mas, aqui estamos… 

No próximo episódio essas respostas já virão. E é aí que começa uma era em que os filhos e os dragões dividem ainda mais intensamente a função de sustentáculos. Será interessante ver como a série vai continuar sua jornada na direção da morte. 

E a morte, nesse caso, tem um brilho esverdeado. 

Dragonotes: 

  • No livro, quando Rhaenyra chega em Porto Real o usurpador Aegon ainda está lá. Ele foge com Larys no meio da batalha pela entrada na cidade. 
  • Como no livro não existe acordo, Alicent tenta avisar Aemond que os Pretos estão tentando invadir, mas todas as suas tentativas fracassam. 
  • A batalha pela entrada na cidade dura 8 horas. 
  • Em uma das versões dessa tomada de Porto Real, um personagem conta que quando Rhaenyra sentou no trono ela se cortou, como se o trono a tivesse rejeitado.
Artigo anteriorSÉRIES PRECIOSAS DOS STREAMINGS VOL #33