Caros amigos e amigas, chegamos à metade da nossa jornada final e os roteiristas decidiram apresentar um episódio diferente: um possível piloto para um show prequel de The 100, ou seja, um episódio que se passa antes dos eventos iniciais da série mãe. Essa decisão foi arriscada por dois motivos: primeiro, corria-se o risco de apresentar algo que não desse continuidade a trama da temporada e segundo, a audiência poderia não ficar interessada o suficiente no que foi mostrado. Não irei aqui analisar esse episódio de forma isolada, como um piloto, pois nosso interesse reside no que ele trouxe de respostas a essa temporada final; e nisso, posso dizer, que ele deixou a desejar. Tivemos algumas respostas? Sim, mas muita coisa ainda precisa ser respondida. Quanto às outras intenções dos produtores do show, falarei disso mais abaixo.

Anaconda começa exatamente onde seu antecessor terminou. Clarke e outros chegam ao Bardo e recebem a noticia da “morte” de Bellamy. Antes que pudessem processar essa informação, Clarke é surpreendida com a aparição de Cadogan. Ele acredita piamente que ela é “chave” e aqui temos a primeira resposta dada por esse episódio. Os Discípulos acreditam nisso por causa das informações vistas nas memórias de Octavia. Em Perverse Instantiation: Part Two (3×16), ela estava presente, em Polis, quando Clarke recebeu a Chama para derrotar A.L.I.E., mas Octavia não viu o momento em que ela foi retirada, levando-os a deduzir que ela continua sendo a portadora, mas sabemos que essa situação foi temporária. Eles continuam acreditando nisso, pois não viram as outras memórias de Octavia, portanto, não sabem que a última portadora da Chama foi Madi. Para o andamento da trama, essa foi a informação mais importante. As respostas que Cadogan e seus Discípulos querem, devem estar nas memórias de Madi, não de Clarke. Ponto para os roteiristas, que enfim, devem construir uma trama coerente para a última Nightblood nascida na Terra. Perspicaz como sempre, Clarke percebe a situação e mantem a mentira para Cadogan sobre essa informação. Ela sabe que essa é sua moeda de troca, informações por seus amigos, porém, ela acaba surpreendida ao ver que Octavia, Echo e Diyoza estão paramentadas como Discípulos. Conhecendo bem a Wanheda, quando ela descobrir que Madi pode ser objeto da cobiça de Cadogan, teremos um confronto épico.

Dito isso, vamos nos concentrar no flashback do episódio. O ano é 2052 e somos apresentados à família Cadogan. De um lado, temos Calliope e sua mãe, Grace; do outro, Reese e seu pai, Bill. Aparentemente, a família se dividiu devido suas divergências com relação ao Segundo Amanhecer. Diante de tudo que foi apresentado, percebemos que Bill é uma figura egocêntrica e com delírios de salvador. Essa postura o afastou da esposa e da filha, com razão. Quando o Apocalipse Nuclear acontece, a família se reúne novamente no bunker. Callie lembra muito Clarke, acredito que a semelhança nos nomes não seja mera coincidência, uma líder nata disposta a fazer o que considera melhor para os seus. Dois anos depois do apocalipse, as coisas ganham outra dimensão quando Becca Franko volta para Terra. Admiradora da cientista, Callie enxerga nessa chegada uma possibilidade para as pessoas deixarem o bunker e voltarem para superfície, pois a cientista é imune à radiação (Nightblood). Aqui, as coisas esquentam de vez e temos mais algumas respostas. Como primeira portadora da Chama, Becca consegue se conectar com a Pedra de Anomalia encontrada por Bill e imediatamente, abrir um portal para outro mundo, mundo que provavelmente seria o Bardo. Por isso, os Discípulos acreditam que Clarke seja a chave, nas memórias de Becca residem os códigos da Pedra. Sem elas, Cadogan passou anos e anos sem respostas e sem saber o que seria o verdadeiro fim da raça humana, a “Guerra das Guerras”. Quando Becca acessa novamente a Pedra e se depara com um destino apavorante, ela quer destruí-la, mas Bill a prende e a condena a morte na fogueira (como já tínhamos visto nas memórias de Madi). Depois dessa morte, o Segundo Amanhecer se divide e descobrimos como os Grounders e os Discípulos surgiram: estes seguiram Cadogan e foram parar no Bardo e aqueles seguiram Callie e fundaram uma nova sociedade na Terra.

Diante de tudo o que foi apresentado, o episódio conseguiu nos dar várias respostas, consolidando a mitologia da série, porém, como temos falado há semanas, The 100 precisa nos responder muito mais. Resolvi, portanto, listar algumas perguntas que precisam ser respondidas pelo show nos próximos episódios.
– O que Becca Franko viu ao atravessar a Anomalia? Será que esse código a transportou para o futuro ou para outro planeta?
– Onde está Gaia?
– Bellamy está realmente morto?
– O que acontecerá com Sanctum? O que Indra fará ao perceber que o local caiu nas mãos dos Prisioneiros da Eligius?
– Quem terá os códigos da Pedra de Anomalia em suas memórias? Clarke, Madi ou Sheiheda? Será essa a conexão que teremos entre as tramas da temporada?
– Como os Discípulos conseguiram toda aquela tecnologia? Quem são os Bardanos, moradores originais do Bardo?
Acima de tudo, esperamos respostas coerentes, senhores roteiristas. Não sei se conseguiram o intento de prender a atenção do público para um prequel, pois continuo muito focada em saber respostas dessa reta final. Acredito que só o fim da série nos mostrará se um prequel acontecerá ou não. Faltam apenas oito episódios, poucos metros para linha de chegada e espero um final eletrizante. E para vocês, quais perguntas a série não pode deixar de responder? Quais são suas expectativas? Não deixem de comentar e até semana que vem.
Admirando o novo mundo e outras curiosidades
– Anaconda, título do episódio, é um código para o lançamento dos mísseis.
– Callie Cadogan foi a criadora do idioma grounder e, possivelmente, a primeira Fleimkepa (Guardiã da Chama). Confesso que esperava uma origem diferente para o idioma.
– Becca foi queimada na fogueira e a metáfora com as mulheres que tiveram o mesmo destino na Idade Média, é evidente. O fanatismo religioso fazendo mais vítimas. The 100 batendo mais uma vez nessa tecla.
– A cena da Callie transformando Reese em Nightblood foi completamente aleatória e desconexa.
– Onde será que Hope foi parar?














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