Caros amigos leitores, se escrever sobre Hesperides foi desafiador, meu desafio se tornou ainda maior com o episódio desta semana; porém, estou extremamente feliz em tê-lo. Welcome to Bardo acertou, onde seu antecessor foi confuso. Sem dúvida nenhuma, esse é o melhor episódio da temporada até aqui. Ação e informação casaram muito bem. Aqui os cortes foram mais precisos e acompanhamos o destino de Octavia, depois de ter sido capturada no Planeta Beta/ Penitência e como as tensões em Sanctum estão se desenrolando. Sem enrolação, vamos ao episódio.

Welcome to Bardo nos trouxe um vislumbre desta sociedade, altamente tecnológica e cercada por um culto religioso extremamente organizado e rigoroso. The 100 nos apresentou mais uma construção social complexa e cheia de nuances. Grounders, Mounth Weather, Arca, Wonkru, Sanctum e, agora, Bardo. A série nos proporcionou, ao longo dos anos, um verdadeiro experimento social. Como surgem as sociedades? Como surgem as religiões/crenças? É interessante notar, como essa temporada está focada em discutir o papel das crenças na vida das pessoas e nas relações que elas estabelecem. Analisando por esse espectro, compreendemos a razão da captura de Octavia e Dyioza.

Elas são elementos estranhos e que podem alterar completamente o status quo estabelecido. Saber quem são elas e como chegaram ao Planeta-Prisão é fundamental para manutenção do Bardo. Para isso, eles fizeram uso de uma tecnologia que ainda não conhecíamos: um equipamento capaz de retirar as memórias da pessoa. Presa a este aparelho, Octavia é interrogada durante 11 dias e na tentativa de salvar Hope, ela faz um acordo com Levitt: ela permite que ele mapeia suas memórias desde que tire Hope de seu relatório. É assim que eles sabem tanto sobre Clarke e os outros. Gostei que as respostas foram apresentadas logo e temos uma pista da sua importância: o fato dela ter sobrevivido à programação da A.L.I.E. Ansiosa para saber por quê isso é tão importante para os Discípulos.

Descobrimos que Hope foi a responsável por resgatar Octavia. Essa construção narrativa foi maravilhosa. Enquanto Levitt, vibrava com as histórias que ele acompanhava, Hope estava sendo treinada por Dev. Sei que as diferentes passagens temporais podem parecer confusas, mas esta foi uma tacada de gênio. Dessa forma, os roteiristas puderam cobrir uma história muito maior e cheia de narrativas complementares. Para Hope, passaram-se 10 anos. Para Octavia, 14 dias. E como já sabemos, ela volta para Sanctum, mas Hope fica para tentar resgatar a mãe; porém, as coisas dão errado e ela acaba capturada. Em troca da mãe, Hope aceita entregar Octavia. Posso dizer que Hope se tornou um dos personagens cruciais dessa temporada. Toda a trama que a envolve e sua construção estão sendo um deleite de acompanhar. Ela é aquele personagem que eu não sabia que precisava.

Na outra ponta do episódio, temos a trama de Sanctum. Sei que muitos espectadores acham esse núcleo narrativo desnecessário e querem logo seu fim, mas em Welcome to Bardo, percebemos que a trama ainda tem algo de bom para nos entregar. E o destaque deste núcleo fica por conta de Indra. Amigos, que personagem incrível. Estou extremamente feliz com o destaque que ela tem recebido e aqui ela prova todo o seu valor. Com a saída de Clarke e os outros, cabe a ela a função de manter a paz, porém Indra não tem mais o apoio de Wonkru e os Filhos de Gabriel cobram a execução de Russell. Como disse anteriormente, The 100 têm apresentando uma crítica contundente às crenças cegas e o que elas nos levam a fazer. Uma fala de Indra deixa bem clara essa mensagem:

Fé não é o problema. A fé cega é.

Os seguidores dos Primes estavam dispostos a sacrificar crianças em nome dessa crença. Ponto para Murphy que se mostrou altruísta e arriscou a própria segurança para tentar salvá-las. Isso só mostra como ele é um dos personagens mais complexos desse show. Aqui temos um dos momentos mais emblemáticos do episódio. Russell começa um discurso para seus supostos seguidores e usando toda a sua sagacidade, Indra descobre que Russell é Sheidheda. Adorei que foi ela quem descobriu. A cena entre Indra e Sheidheda foi fenomenal. Ponto para Adina Potter e JR Bourne que deram um show de atuação. Sabendo que ela não poderia matá-lo, nem contar sua real identidade, Indra ordena a retirada do drive mental para desestruturar o culto dos Primes e atender os desejos dos Filhos de Gabriel. Jogada de mestre, Indra Kom Trikru!

O final do episódio ainda nos presenteou com o retorno de Bellamy. Antes de mais nada, não acredito que ele esteja morto. Uma coisa que aprendi vendo séries é o seguinte: sem corpo, sem morte. Foi frustrante vê-lo tão pouco, mas tenho certeza que essa não foi a despedida do personagem. O desespero de Echo representa o desespero dos fãs. Depois de passar cinco anos treinando e não conseguir resgatá-lo foi um golpe muito duro para ela. Como disse na review anterior, o caminho traçado para a personagem parece bem claro. Agora que Bellamy, supostamente morreu, o que será dela? Welcome to Bardo foi um episódio dinâmico e vibrante. Muitas respostas foram dadas e alguns núcleos começam a ter seu fim desenhado. E que venha o Planeta Nakara. Bom pessoal, é isso e até semana que vem. Não deixem de comentar.

Admirando o novo mundo e outras curiosidades

Bardo, Sanctum e Skyring tem passagens do tempo completamente diferentes entre si. Acompanhando a trajetória de Octavia e sua primeira passagem pelo Bardo, podemos afirmar que o tempo passou da seguinte forma:

  • Sanctum: 2 segundos
  • Bardo: 14 dias
  • Skyring: 10 anos

– Vemos Anders (Neal McDonough) fazer um discurso para os recrutas no Bardo. Nele, ele afirma que encontrou a chave. Minha teoria é o seguinte: como Clarke entrou na Cidade da Luz e derrotou a A.L.I.E., ela possui os códigos da IA nas suas memórias e por algum motivo, os Discípulos precisam disso. A questão é: por que?

– Descobrimos que os Discípulos não vieram para o Bardo na Eligius III, ou seja, existia uma pedra de anomalia na Terra. As perguntas que ficam são: Onde essa pedra estava? Quem atravessou por ela? Como um leitor apontou na review da semana passada, Bill Cadogan, líder do Segundo Amanhecer (menção: quarta temporada) pode ter relação com Pastor e os seus Discípulos. Vale lembrar que os sobreviventes do Segundo Amanhecer são um dos ancestrais dos Grounders.

– Levitt mal chegou e já conquistou meu coração. Só espero que ele não se torne a nova Maya de Mount Weather.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-100-7x05-welcome-to-bardoWelcome to Bardo foi um episódio dinâmico e vibrante. Muitas respostas foram dadas e alguns núcleos começam a ter seu fim desenhado. E que venha o Planeta Nakara.