169 concorrentes. 24 vagas. Uma semana. Bem-vindos à Hollywood.

Uma mistura de drama com caos e pitadas de sadismo, é assim que tradicionalmente nos referimos à Hollywood Week, a semana mais intensa de competição do American Idol. Exaustiva e excruciante a todos os participantes, é a semana que vemos os favoritos caírem diante de suas próprias escolhas erradas, surpresas serem alçadas ao posto de queridinhos da América em questão de uma única apresentação, além de, é claro, barraco, confusão e gritaria.

Entretanto, o que vimos nas duas horas que resumiram boa parte do processo foi nem um quarto do drama a que estávamos habituados. O fato de estarmos diante de uma temporada enxuta e cada vez mais próximos da fase ao vivo do programa (que, a este ritmo, devemos tê-la em duas semanas) tem feito com que a produção do produto exibido pela ABC revisse alguns dos seus próprios conceitos e abrisse mão do que a fazia ser a fase mais divertida do ponto de vista do entretenimento para torná-la narrativamente mais plausível para a jornada final da temporada.

Ainda temos aquele grupo disfuncional que dá certo no final, aquele grupo que os egos colidem, aquele grupo com interferência dos pais de um participante e até aquele grupo que esquece a letra sem prejudicar o resultado, mas o programa diminuiu o tom, focou em seu talento e nos deu uma Hollywood Week divertida e cheia de potencial, mesmo assim.

Antes disso, no entanto, precisamos falar sobre as últimas audições da temporada apresentadas no episódio de domingo. O episódio que começou com um grande coral colaborativo em uma surpresa para Lionel Richie com seu hino atemporal “Hello”, foi agraciado por algumas excelentes cantoras, em específico. Caitlin Lucia (22), por exemplo,  que contou sobre se inspirar em Katy Perry e a coincidência de ter começado a se apresentar no Hotel Café de Los Angeles, fez uma apresentação acústica para “I Kissed a Girl, ouvindo de Perry que ela cantou melhor do que ela própria – o que algumas pessoas diriam que não é algo muito difícil, talvez.

Falando em Perry, a diva pop duvidou do que Mylon Shamble (24) poderia fazer com “Stand By Me” e ficou embasbacada com a excelente versão que foi apresentada, muito bem conduzida e com excelentes vocais. Assim como a versão de “Gravity feita pela coreógrafa Brielle Rathbun (18), que além de cantar bem e controlar com sucesso a apresentação, apesar de precisar tomar cuidado com o tanto que afeta sua voz, conseguiu fazer Luke Bryan mexer sua bunda (e ficar com o joelho travado no processo). E também Jurnee (18), a jovem casada com uma oficial do exército em exercício e cansada de piadas com seu nome e Journey (coitado do Luke), interpretou “Rise Up”, de Andra Day, com um excelente alcance e um domínio ímpar de sua voz, apesar de Perry pedir pra ela se movimentar mais durante suas performances.

Mas a minha audição preferida, porém, foi de Carly Moffa (25), que mostrou-se peculiar em seu jeito e apresentou o número original “I’d Let the Lion Out”, composta por ela em homenagem à sua mãe, uma música com traços e vocais que remetem à Florence Welch, como bem pontuado por Perry.

Para encerrar este bloco de análise das audições finais, vimos Lee Vasi (20) fazer um dueto maravilhoso com Richie para a canção “Zoom”, mas quando realmente importou a vimos ficar nervosa e terminar desastrosamente seu cover de “Love Should Have Brought You Home, mesmo assim os jurados lhe deram um voto de confiança e a aprovaram. Assim como também confiaram a Drake Milligan (19) um tíquete dourado após sua excelente audição com “You Look So Good In Love, de George Strait, com sua voz grave. Milligan interpretou Elvis Presley em Sun Records, do canal country CMT em 2017, baseado no musical Million Dollar Quartet, o que justifica sua audição depois de um compilado de gente tentando ser ou forçando parentesco com o Rei do Rock.

Agora sim, por fim, fizemos como o Idol e deixamos o retorno de Adam Sanders para o fim. Cinco anos depois de ter participado na desastrosa décima segunda temporada e chegado ao Top 50, sofrido ataques na internet sobre seu peso e sua sexualidade, Adam retorna na persona de Ada Vox (24), mostrando sua potência vocal com “House of the Rising Sun”, imortalizada neste programa pela vencedora moral de 2011, Haley Reinhart. Ada não é só uma cantora competente, destruindo todas as notas da canção, como também mostrou um alcance único e fez Perry correr em círculos ao mostrar seu grave. Um dos nomes para se ficar atento na temporada, isso se o cidadão americano de bem™ não a sabotar.

Abrindo os trabalhos do episódio de segunda, chegamos à Hollywood. Para os que não estão habituados ao formato do Idol e como funciona o processo, Ryan Seacrest nos relembra e resume que nada mudou. Nas filas de dez (“Lines of Ten”) temos um grupo de dez candidatos se apresentando individualmente a capella ou com um instrumento próprio, recebendo por fim seu veredito ao final da apresentação de toda a sua “fila”. Os aprovados seguem para a tradicional e exaustiva fase de grupos (“Group Rounds”), em que precisam formar grupos com outros concorrentes e apresentar um número conjunto em frente aos jurados. Para a próxima semana ainda teremos a fase de solos (“Solo Rounds”), em que os candidatos se apresentam individualmente com banda diante dos jurados e não recebem nenhum retorno (de forma geral), sendo separados em salas e recebendo a notícia de aprovação ou rejeição em grupo. E, por fim, o temido julgamento final (“Final Judgement”), onde os jurados reduzirão seus candidatos ao número limite e selecionarão, finalmente, aqueles que devem enfrentar o voto do público.

As filas de dez sempre causam alguma eliminação chocante, a da vez foi a de David Francisco (26), aquele que sofreu uma paralisia após um acidente apresentado na primeira semana. Francisco fez uma interpretação um pouco desafinada para “Sunday Morning”, mas saiu satisfeito mesmo não sendo aprovado.

No texto da semana passada falamos no potencial de intriga e drama que os elos fraternais causam em uma disputa como o Idol. Esperava que Taryn e Payton Coccia aparecessem em algum conflito, mas elas foram esquecidas no churrasco em detrimento da narrativa dos gêmeos Julian e Milo Sposato (17). No mesmo compilado que mostrou Noah “wig” Davis (18) mandando muito bem com “Mamma Knows Best”, Milo Sposato exagerou em sua versão de “Jealous” e poderia muito bem ter ido fazer companhia a seu irmão, Julian, eliminado após sua apresentação de “Love’s In Need of Love Today”.

Uma das grandes surpresas nas filas de dez foi Jonny Brenns (18), que cantou “Somebody Else”, do The 1975, de forma emocional e intensa, surpreendendo os próprios familiares que acompanhavam tudo do balcão do teatro. Maddie Poppe (20) mostrou um alcance fenomenal com sua versão de “Dreamse dividiu VT com Cade Foehner (21), que apresentou “The Thrill is Gone” em uma apresentação que me lembrou o vencedor de 2012, Phillip Phillips.

Outros aprovados que havíamos visto nas audições e seguem sua jornada muito bem foram Layla Spring (16) com “Last Kiss” e uma apresentação muito superior à sua audição original, Alyssa Raghu (15) e uma versão extremamente competente, sincera e controlada de “Wind Beneath My Wings”, Trevor McBane (22) e seu tom excelente em “Washed by the Water”, e o grave espetacular de Caleb Lee Hutchinson (18) em “Don’t Close Your Eyes”.

Encerrando esta etapa das disputas antes de partirmos para a fase de grupos, vimos a sempre divertida Catie Turner (17) dizer que quer ser a próxima American Idol porque tem excelentes abraços e é uma boa pessoa. Embora não possamos comprovar por nós mesmos se ambas colocações são verdadeiras, Katy Perry o faz pela gente e nos introduz à um bom número com “Come Together”. Catie, no entanto, perdeu seu crush Zach D’Onofrio (17), eliminado depois de uma apresentação que não teve muitos problemas, mas que também não se destacou de forma alguma, ao cantar “Cry Me a River”.

Dando sequência à Hollywood Week, o drama dos grupos foi contido. Não tivemos grandes conflitos aqui, o que faz sentido pelo tom que a temporada vem buscando. Claro que para nós que estamos na outra ponta do processo isto pode ser visto de forma negativa ao remover parte da tensão natural que o drama causa, mas, em contrapartida, vimos alguns bons números musicais.

Como o do grupo Don’t Touch, formado por Crystal Alicea (20), Gabbii Jones (20), a retornante do público Britney Holmes (28) e a já mencionada Lee Vasi (20). Com uma excelente dinâmica, boa divisão dos versos, bons vocais e uma incrível harmonia, o número delas com “Me and My Broken Heart” não só encerrou a noite de forma positiva, como foi o melhor trabalho em grupo da temporada, ainda que Perry tenha brincado no momento de dar o veredito.

Outro grupo que também fez um bom trabalho foi Taco!, formado pelas já favoritas Catie Turner (17) e Alyssa Raghu (15), além de Victoria McQueen (15) e Kyah Robinson (17). Taco! se apresentou com “La La La” demonstrando bons vocais e harmonias no geral, o que me fez questionar a decisão do painel de jurados de eliminar Kyah. Principalmente quando levamos em consideração alguns grupos que ninguém (ou quase ninguém) merecia ser aprovado.

Como no divino, porém um completo desastre, God’s Diversity, um quinteto integrado por Thaddeus Johnson (25), Shannon O’Hara (17), Michael J. Woodard (20), Kourtney Smith (18) e Emmi B. A apresentação deles com “Rather Be” foi uma bagunça e eu fiquei chocado é de apenas a Emmi ter sido eliminada (ainda mais que nem tivemos um trecho dela cantando). Thaddeus e Kourtney foram as únicas coisas que salvaram essa apresentação, além do bom momento final em que todos harmonizaram.

Existem algumas coisas, porém, que nunca mudam com o passar dos anos no American Idol, por exemplo, ver gente esquecendo a letra no meio da fase de grupos. Com The Gurope vimos as pessoas desaparecendo no meio dos ensaios (outro clichê) e um branco geral tampado com um band-aid na improvisação de Maddie Zham (19) durante a performance de “Stayin’ Alive”. Além de Maddie, o grupo também era composto por Marcio Donaldson (28), Samuel James (29) e Cesley Parrish (16), e apesar dos percalços, apenas Samuel foi mandado para casa.

Outra coisa que sempre acabamos tendo é pai chato querendo ditar como um grupo deve ou não seguir. No caso de Superdope Hotness, com o gêmeo restante Milo Sposato (17), foi sua mãe quem quis mudar o arranjo definido pelos outros integrantes Dennis Lorenzo (26), William Casanova (26), Deonte Baker (26) e Anamé Rose (19). Apesar da confusão, funcionou, a apresentação com “Love Yourself” os aprovaram, ainda que eu não tenha sido fã da parte a capella, onde o grupo perdeu parte da harmonia e os vocais do Milo novamente me decepcionaram.

Assim, encerramos a primeira parte da Hollywood Week com a sensação de que estamos diante de um grupo extremamente excelente de competidores, ainda que para isso tenhamos sido privados da nossa tradicional dose anual de drama. Pela frente ainda teremos a fase de solos e o dia do julgamento final, quando conheceremos os aprovados e, enfim, começaremos a ter a disputa real pelo voto do público e pelo título de American Idol. Mas e pra você? Quais foram as melhores apresentações da semana? Que grupo se destacou? Quem são seus favoritos? Participem nos comentários.

PS1: Alguém bane “Love Yourself” desse programa? Eu não aguento mais.

PS2: Ada Vox (24) segue linda e maravilhosa para a fase de solos depois de mostrar que além de alcance sabe fazer beatboxing. O que ela não sabe fazer? Aliás, destaque pra Kay Kay (18) que também foi excelente na performance de “Want You Want Me”.

PS3: Eu acredito que chegou a famosa hora de parar para a produção deste programa em relação a forçar um “triângulo amoroso” entre Trevor Holmes (27), sua namorada e Katy Perry. Ninguém compra isso gente, mesmo com Luke Bryan arrancando risadas da gente com essa história.

REVISÃO GERAL
Nota:
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