A chegada dos Pfeffermans à Israel e o encontro das duas famílias em I Never Promised You a Promise Land.
A sequência do encontro entre os dois lados da família Pfefferman reforçou algo que já pairava o clima desta temporada, isso é o fato de Moshe não tratar Maura da forma devida, deixando-a desconfortável e decepcionada com o tratamento de seu pai. Durante todo o diálogo pudemos perceber a diferença de interesse e modo como Moshe conversa e age perto de seus filhos israelenses e como interage com a sua filha transgênero. Algo de cortar o coração, ainda mais se considerar a expectativa do encontro para ela após anos de tristeza e dúvidas.
Fiquei com muita dó da Maura aceitando essa condição calada por simplesmente saber que não precisa comprar briga, seu pai a abandonou, nunca fez questão de escrever de volta e a trata como se fosse uma estranha. Ele não merece a atenção e preocupação dela.

Com todos os americanos presentes, Moshe resolve dar um rolê com as visitas e mostrar os pontos turísticos israelense. No ônibus tivemos duas cenas que evidenciam bem o que é a família Pfefferman: um é a habilidade de comunicação e conversas livres entre os integrantes, mostrando a intimidade que cada um tem com o outro. A segunda foi a sequência de Ali discutindo com o guarda-costas de seu avô, sendo mais uma cena de debate político em que a a personagem se envolve nesta temporada.
Confesso que isso me pareceu rápido demais, a moça comprou essa briga entre a Palestina e Israel de forma abrupta e está vivendo a causa. Acho que o problema nem é esse assunto todo, pois acho que ela está escondendo a real causa por trás dessa desculpa. Ao final do episódio, vemos a Ali sendo chamada misticamente para o lado masculino do Muro das Lamentações e imediatamente reagindo com felicidade e paz ao observar aquele lado, como se ela desejasse estar ali, sentindo-se daquele jeito.
> A Vida Secreta dos Casais: HBO | Entrevista com Bruna Lombardi
Esta cena dá pistas sobre o comportamento da Ali e os reais problemas pessoais que ela está passando que, ao invés de ser sobre a questão política de terra e religião daquela área, a sua revolta e inquietude se dá por um desconforto interno que ela sente, em que a personagem está em dúvida sobre quem ela é e que estranha estar dentro daquele corpo feminino. Estamos presenciando uma jornada interpessoal maior do que esperávamos, e cabe a série saber conduzir esse arco.

I Never Promised You a Promise Land se encarregou de ser um episódio mais construtivo, indo na contramão das emoções e impactos criados no capítulo passado. Mais pé no chão, mas que reservou um passo importante na vida de Ali, sendo um estudo sobre a personagem e sua compreensão pessoal. Mesmo ela agindo de forma meio irritante nesses minutos, eu entendo a razão dela estar à beira dos nervos e problematizando assuntos que, há poucos dias, ela ainda era leiga sobre.















