Nada como a dor para lembrar que se está vivo em Echoes.

No fim da temporada passada, The 100 encerrou um grande arco, mas trouxe outro maior ainda para o plano de jogo. Com a “derrota” de ALIE (não podemos esquecer que a IA se transferiu para o espaço e a série pode trabalhar com isso no futuro) descobrimos através de diálogo com a protagonista que a Cidade da Luz era uma maneira de escapar do próximo grande acidente prestes a destruir a terra mais uma vez. De acordo com informações apresentadas na premiere, depois do acidente nuclear de Fukushima, as novas usinas nucleares foram construídas de forma mais segura, a ponto de durar 100 anos após um acidente. E os 100 anos estão se esgotando dentro de 6 meses. Assim fomos apresentados ao grande arco da temporada. The 100 sempre foi uma série que sonhou grande, e arriscou bastante. Mas a proporção de um novo acidente nuclear, que elevaria a radiação da terra à níveis insuportáveis é algo bastante delicado de se lidar. Como resolver um problema tão grande de forma satisfatória? Com um grande problema, é preciso coerência na hora da resolução. Em Echoes, porém, basicamente somos introduzidos ao novo mundo pelo qual os personagens se arriscarão ao longo desses seis meses.

O Rei Roan decide o futuro do Skaikru. The 100 4x01: Echoes [Season Premiere]
O Rei Roan decide o futuro do Skaikru. The 100 4×01: Echoes [Season Premiere]
Echoes, de forma inteligente, mostra que o acidente que acontecerá em 6 meses é apenas um dos problemas. É preciso sobreviver no dia a dia em busca do salvamento a longo prazo. Ao destruir ALIE, uma série de complicações aconteceram. O sistema político e social da terra está destruído. Não existe confiança entre os clãs. Não existe uma voz de liderança soberana. A mistura entre estado e religião começam a tomar forma (O rei Roan é o portador da Chama, ao invés de um sacerdote e isso pode trazer conflitos de interesse). Totalmente exaustos e confusos, os membros do Skaikru precisam agir de forma rápida e certeira.

Uma manobra interessante da série é esconder de grande parte dos personagens da série (e dos povos e clãs) a informação sobre o próximo acidente nuclear. Assim, Clarke e seus companheiros possuem uma informação primordial que pode colocar em risco toda a organização social que vemos os personagens tentando reconstruir na premiere. Na guerra contra ALIE, o Rei Roan acabou baleado, e Clarke julga a vida do aliado como peça fundamental para a sobrevivência do Skaikru (por conta de um pacto feito entre os dois na temporada passada, onde o rei afirmava que incluiria o clã na coligação criada por Lexa e protegeria o povo do céu). Echoes basicamente, em sua superfície, mostra o Skaikru se desdobrando para salvar Roan com seus conhecimentos medicinais mais sofisticados que os dos clãs terrestres. Mas o episódios é mais importante que isso.

> Dicas de Séries Imperdíveis!

Além de mostrar ao espectador que ao longo do caminho em busca de uma solução para o novo acidente nuclear existirão pequenas ameaças cotidianas, a série também apresenta seu interesse na maneira como as sociedades se desenvolvem e se relacionam. É legal ver Clarke lutando com um gorila mutante, mas é ainda mais legal ver uma série “teen” e “da CW” evoluindo sua narrativa, colocando seus personagens em situações diplomáticas e de alto risco coletivo. A decisão de Clarke de se render para o clã de Roan e passar a Chama adiante não é uma decisão fácil, mas é preciso sobreviver hoje para tentar sobreviver amanhã novamente.

A direção interessante nas cenas de ação da série. The 100 4x01: Echoes [Season Premiere]
A direção interessante nas cenas de ação da série. The 100 4×01: Echoes [Season Premiere]
Outras observações:

Premiere caótica, tentando finalizar as pontas soltas que sobraram, mas promissor. O que vocês acharam?

A cena final do episódio mostra uma pessoa sendo derretida pela radiação em uma locação desértica. Enigmático e esteticamente muito bonito, gostaria de ver mais da série se passando nesses locais que me lembram Mad Max.

Não poderia faltar romance em The 100, como em Murphy e Emori ou Monty e Harper. Não sei até que ponto esse tipo de narrativa é necessária para a série.

A série brevemente comenta sobre julgar Octavia pela morte de Pike. Espero que esse arco fique no passado.

É impressionante a qualidade das cenas de ação da série, e a direção em geral. Mais um ponto que anima em assistir The 100.

Artigo anteriorHow To Get Away With Murder 3×11: Not Everything’s About Annalise
Próximo artigoThe Voice Kids 2×05: Audições às Cegas Parte 5