
Conhece aquela piada do japonês?
Spoilers Abaixo:
“Uma grande piada”, “Só pode ser brincadeira”… essas foram algumas das coisas que passaram pela minha cabeça ao ver o plot de uma das principais personagens de “90210”, em plena reta final da série. Relembrando tudo o que Naomi viveu com todos os seus relacionamentos amorosos (foram vários e com os mais diferentes tipos), é deprimente perceber que ela corre o sério risco de acabar com uma pessoa completamente aleatória. Parece final de novela, quando personagens diversos conhecem pessoas em festas e casamentos, se olham e o público precisa entender que fulano não terminou sozinho.
Naomi já foi uma personagem com forte carga dramática, mas desde a temporada passada a série optou por utilizá-la como um alívio cômico. Assim, toda a situação envolvendo o Pequeno Príncipe, poderia ser só mais um desses momentos engraçados, mas é inaceitável que aconteça neste ponto da narrativa. Não sei o que foi mais sem noção. Se a irmã do Hellcats Lewis ligar para Naomi resolver um problema diplomático internacional, ou se foi o Pikachu querer seduzi-la com seu Pikachu. Olha para o ébano misterioso que ela estava pegando e pensa se Naomi vai se contentar com uma pokébola
E para que tudo isso serviu? Nada. Ela descobriu a chantagem feita pela mãe do Hellcats Lewis, devolveu na mesma moeda, fez carão, colocou seus óculos escuros e saiu phyna no meio dos jornalistas. Foi uma criação rápida apenas para preencher tempo de tela de Naomi, já que seu casamento acabou e seu relacionamento com o irmão também não tinha mais como render.
Por outro lado, tudo o mais foi um “acerto”. Digo com aspas porque a gente precisa enxergar com ressalvas a solução repentina criada para acertar os ponteiros entre Liam e Annie, satisfazendo o desejo dos fãs. Por mais que as pessoas torçam para o casal, é preciso ter a noção de que há dois episódios eles estavam em crise, Liam estava furioso por ter tido sua vida exposta, já havia engatado um outro relacionamento e, mesmo quando estava solteiro, não demonstrou qualquer interesse em reatar. Portanto, trazer um personagem que apareceu lá no começo da quarta temporada, que falou meia dúzia de palavras e fez todos os seus pensamentos mudarem como um click, é uma saída preguiçosa. Aparentemente, os fins justificam os meios.
Outra impressão que tive foi a de que a série repetiria o mesmo arco, três episódios depois, com o amigo de Sebastian colocando drogas na mala do Liam. Torço para estar errado porque além de ser uma tremenda falta de criatividade, não há tempo para finalizar isso em apenas mais um episódio. Afinal de contas, quantas senadoras com caráter duvidoso existem em Beverly Hills?
Por outro lado, considero satisfatória a conclusão do arco do bebê de Silver. Isso sempre foi um erro e só lamento ter demorado tanto para acabar. Porém, a série conseguiu brincar com nossas expectativas, fazendo Michaela desaparecer logo após flagrar Ade e Navid, só depois revelando sua real intenção: estava desolada porque o feto havia morrido. Sem mimimi, sem encher linguiça, ela pegou suas malas e voltou para Washington.
Devo confessar que meu contentamento com essa conclusão também foi potencializado pelo simples prazer de ver Silver se fodendo. Ela fez uma desgraceira na vida de um monte de gente, envolveu o Teddy (nisso agradeço porque é sempre bom olhar para Trevor Donnovan), só para conseguir ter esse filho e, bem feito, seus planos foram por água abaixo. “90210” me deixaria muito feliz se ela morresse de forma completamente aleatória em seu series finalle, como acontecia no começo dos episódios de “Six Feet Under”. Algo do tipo escorregar numa casca de banana, ficar deitada no chão e depois um avião cair exatamente em cima da cabeça dela.
Quem acompanha minhas reviews sabe que eu tenho uma quedinha por Adriana Tate Duncan. Passei grande parte desde 5×21 vibrando com as coisas dando certo para ela, pensando que Ade finalmente voltaria ao estrelato. Por isso, fiquei muito tenso no final quando o incêndio começou no palco. Durante o episódio, os personagens perceberam seu talento e constataram sua mudança. Assim, Adriana passou pela etapa de redenção que os personagens precisam passar antes de sua morte. Além disso, a gente que é brasileiro sabe que brincar com fogo em casa de show não acaba em boa coisa. De verdade, à esta altura do campeonato, acho que Adriana corre risco de morrer. Final de série tem isso, precisa ter aquela morte que choca.
O próximo episódio será o último. Então, seremos forçados a dar adeus a esses personagens que conhecemos, amamos e odiamos ao longo de cinco anos. Não creio num encerramento digno, mas estou feliz. Torço para que tenham conseguido refilmar cenas suficientes para que o final não tenha pontas soltas. E digo uma coisa. Se o final não for legal, eu mesmo criarei um final alternativo, fiquem tranquilos. Semana que vem a gente se vê, pela última vez.















