
Uma grande mãe para um episódio intenso.
Spoilers Abaixo:
Os casos de crianças são, definitivamente, os que mais tocam qualquer fã de Criminal Minds. Os 3×05 – Seven Seconds e 5×16 – Mosley Lane são dois grandes exemplos dessa assertiva, visto que o imenso grau de sofrimento dos pais afeta o telespectador de uma maneira tão profunda que o leva às lagrimas. Ao ver o desespero, o telespectador fica angustiado quando imagina os piores cenários possíveis para a situação representada. Apesar de menos intensa, a carga dramática de Nanny Dearest é bastante eficiente em todos os seus aspectos, seja com a única testemunha viva ou com a dor dos familiares. O caso da semana, bem mais complexo que o anterior, lançou diversas perguntas no decorrer da narrativa, que, felizmente, foram respondidas com êxito.
Começando de uma maneira diferente, Criminal Minds já inova. Pela primeira vez, a BAU teve de viajar de uma forma preventiva para, assim, evitar os crimes de um serial killer que aterrorizava babás e crianças em um período particular do ano. Outro fato bastante interessante foi a separação da equipe logo nos instantes iniciais. Isso já aconteceu anteriormente, mas é sempre bom ver a forma harmônica que a equipe trabalha, mesmo estando a quilômetros de distância. Muito estranho, entretanto, foi o fato de os agentes não terem cogitado imediatamente a hipótese de um trauma do Unsub na infância, já que essa concepção se aplica a grande parte dos psicopatas que almeja eliminar uma parcela específica da população.
Quando as memórias traumáticas são trancadas, fica muito difícil abrir um caminho para elas no presente. Partindo desse pressuposto, J.J. e Morgan usaram técnicas bastante pertinentes para furar o bloqueio na mente de Tara Rios. Após largamente enfatizar a empatia, a dupla tentou a cognição com a terceira vítima do serial killer. Enquanto ela transmitia olhos assustados, os agentes esperavam alguma informação que pudesse ajudar na captura. Brilhantes foram os efeitos da direção. A trilha sonora, somada à troca constante de ambientes, proporcionava um intenso nervosismo. As imagens das lembranças, mesmo que embaçadas, eram capazes de atiçar ainda mais a curiosidade de quem estava assistindo. E as luzes verdes piscando, por exemplo, tentavam se aproximar a um leito de hospital. Emblemáticas e sutis, essas táticas traziam arrepios e geravam autêntica preocupação.
De maneira justificável, J.J. foi o grande destaque do episódio. Por ser a única mãe do grupo e amar seu filho de maneira incondicional – como visto na última cena, que será comentada posteriormente – Jennifer se colocou no lugar das mães dos bebês para acabar como todo o drama de uma vez por todas. Morgan ficou até certo ponto assustado com a promessa que possivelmente não poderia ser cumprida. Ela, nessas cenas com Tara Rios, fornecia simultaneamente segurança e confiança ao convencê-la de que, no final, tudo daria certo. Será que foi intenção dos roteiristas deixar esse episódio logo para a semana do Dia das Mães? Se isso foi feito de propósito, deixo aqui os meus aplausos.
Que tiro sensacional de nossa belíssima agente Jennifer Jareau! Lembrei-me muito da cena em que ela tira vida de Jason Clarck Battle no 3×09 – Penelope. Apesar de contextos diferentes, ambos os tiros acertaram a cabeça do Unsub, um feito para poucos. Sei que, naquelas condições, virar rapidamente com uma distância elevada e acertar o alvo exatamente na cabeça é meio irreal. Mas, escolher J.J. para isso foi acertado, visto que ela já tinha se mostrado capaz de fazer algo do gênero.
Utilizar uma conferência de imprensa para divulgar o perfil pode ter sido bastante diferente para Criminal Minds, mas não achei adequado. Os detalhes não deveriam ser totalmente revelados para o Unsub, que certamente estaria assistindo à transmissão. Aquilo poderia ainda mais acelerar a matança, penso eu. Bom foi que Tara Rios, ao ver o sofrimento dos pais, decidiu ajudar os agentes na reconstrução das cenas. Não sei ao certo se essa foi a intenção de J.J. ao transmitir a coletiva nacionalmente. Talvez sim. Assim, os roteiristas encontraram mais uma alternativa para destacar a profiler.
A partir do momento que muitas perguntas são jogadas e à medida que o episódio flui, sempre há um receio de que nem todas serão respondidas. A citação inicial e uma das falas do serial killer, por exemplo, já davam dicas das motivações do Unsub. “Crianças são educadas pelo que o adulto é, não pelo que diz” e “vocês fingem se importar, mas só querem salvar a própria pele” enfatizavam um trauma na infância, provavelmente oriundo de problemas com a babá. As consequências de um simples descuido de uma adulta que somente pretendia fumar – os maus-tratos a um pobre garoto e a morte de uma pequena menina – formaram o modus operandi de Johnny. A banheira quente e o afogamento eram vagas lembranças dos problemas na infância. O quarto da sua irmã ainda estava totalmente arrumado, fato que sugere a dor profunda.
O reencontro entre mãe e filha na cena final serve como alívio para todos os telespectadores que se viam angustiados com todos os rumos do episódio. Esse fato proporcionou intensa comoção, principalmente por parte da já exaustivamente elogiada Jennifer Jareau. AJ Cook definitivamente cresceu de forma absurda em todos os anos de Criminal Minds. Se antes ela era aquela sem importância da comunicação com a imprensa, hoje ela é fundamental para a equipe. Sua promessa foi cumprida com louvor, o monstro de muitos estava morto. Acho que tudo poderia ser sintetizado a aquele “obrigado.” Um agradecimento mais do que merecido. Um abraço que teve o fim de emocionar o fã de Criminal Minds, que, junto a todos, também sofreu com o desencadeamento dos acontecimentos.
Outra cena belíssima foi o encontro de Jennifer com Henry e seu marido. Sua promessa, dessa vez a de voltar para casa, foi novamente cumprida. Assim como a justificativa do começo do episódio – algumas pessoas precisam da ajuda da mamãe – o cotidiano familiar se sobressaiu para gerar ótimos momentos de uma trilha sonora muito emocionante. Recordei-me do 7×07 – There’s No Place Like Home, em que J.J. contou uma história de dormir para Henry do telefone. Lindos momentos para um episódio, por si só, encantador.
Ao fazer a comparação com Alchemy, observa-se que o caso da semana foi infinitamente mais bem trabalhado, mas os problemas pessoais dos agentes foram menos ressaltados. Ambos trouxeram uma profunda carga dramática, ao melhor estilo Criminal Minds. Faltam poucos episódios para a season finale… Contagem regressiva! Alguém já viu a promo do próximo? Ele promete e muito para quem gosta do gênero de terror. Alguém quer uma excelente notícia? Criminal Minds foi renovada! E todos os atores do elenco regular já estão confirmados! Nada podia ser melhor… Todos comemoram.
Profiling…
– Ficaram subtendidas várias alfinetadas a CBS por parte do contrato dos atores. Para quem não sabe, os salários de AJ Cook e Kristen Vangness são muito baixos quando comparados ao restante do elenco. Garcia pediu uma promoção no telefonema, por exemplo, infere meio que uma piada interna. A citação final também merece seu destaque. “Sozinho, totalmente sozinho, ninguém, ninguém mesmo pode conquistar algo sozinho.” Isso enfatizou a formação da família BAU e que, ninguém poderia deixá-la. Era preciso, portanto, atender às demandas para manter o elenco. Nada de repetir aqueles erros da sexta temporada!
– Não vi o cachorro desmaiando após o Morgan fechar a porta. Teria isso sido um erro de continuidade?
– Quando há cachorros enormes, basta chamar Jennifer Jareau. Quem se lembra do 2×14 – Big Game entende.
– Adoro as explicações científicas dos aspectos psicológicos da mente. Criminal Minds podia fazer isso mais vezes.
– Garcia e sua eficiência impressionam!
– Impossível não se recordar dos atentados em Boston após a Garcia citar a maratona ocorrida na mesma cidade.
– Fiquei reparando os números do elevador para apontar um erro de continuidade…
– Alguém me explica como a Jennifer Jareau consegue ficar mais bonita a cada temporada? Igual a ela, só conheço a Stana Katic de Castle.
– Spoiler importante para a season finale. Se não quiser saber informações sobre ela, não leia: Já foi confirmado que algum personagem vai morrer na season finale. Como o elenco todo está garantido para a próxima temporada, a morte deve ser de algum dos personagens recorrentes. Apostas? Jogo minhas fichas, infelizmente, na Strauss. E vocês? Como já disse, o elenco para os últimos episódios é gigante… Muitos nomes estão em jogo. Será que descobriremos a identidade do Replicator nesta season finale? Basta esperar para ver.















