No episódio que eu mais esperava de 90210 nesse começo de temporada, a série resolve me decepcionar um pouco, mesmo apresentando um bom episódio.

Spoilers Abaixo:

Sempre costumo elogiar séries por sua coragem. Seja para inovar no roteiro, na fórmula ou na direção. Quando vejo uma tentativa de sair da mesmice, meus olhos logo brilham e tenho uma forte tendência a elogiar loucamente o que quer que seja. Séries adolescentes não costumam fugir muito de clichês e é muito raro vermos um roteiro com alguma complexidade (muito embora algumas delas sejam uma ótima diversão, como aqui). Então, quando alguma procura explorar algum tema mais delicado ou pouco abordado, a minha expectativa é enorme. E é exatamente aí que Catch Me If You Cannon desaponte.

Avisado por Sasha que poderia ter contraído o vírus HIV, Dixon perde a cabeça e passa a ignorar Ivy, além de procurar um médico para confirmar ou não sua suspeita. Com isso, Oscar se aproveita do que viu e coloca pulgas atrás da orelha da garota. Enquanto isso, Naomi, Silver e Ade se preparam para criar uma armadilha para pegar Cannon, que se faz ineficiente, além de criar problemas para Silver. Annie, por sua vez, começa a receber seus hormônios para doar seus óvulos para Katherine, com a intenção de ajudar sua mãe, que passa por apertos financeiros. Já Teddy tenta redescobrir sua sexualidade, mas não é feliz com o resultado.

Confesso ter me enganado ao achar que o cliffhanger do episódio passado criaria um novo arco principal para a temporada. Imaginei que a série teria a coragem de dar AIDS a Dixon e tornar a vida do personagem um inferno. Não que eu tenha algo contra o garoto (na verdade tenho, mas não vem ao caso), mas se a doença se confirmasse teríamos um arco dramático com um excelente potencial de desenvolvimento. Mas os roteiristas resolveram partir pro lado conservador, criando uma ceninha desnecessária com a ligação do médico. Aliás, a única utilidade dessa foi para Dixon fazer mais uma de suas rotineiras cagadas e terminar com Ivy por achar que tem AIDS. Me digam, o que custa esperar ver o médico antes de fazê-lo? Se tem uma lição que as pessoas podem tirar disso é “Nunca sofra por antecipação”, o que aliás é uma das atitudes mais idiotas que uma pessoa pode tomar.

Passado o momento de revolta, vamos analisar o que dá título ao episódio, que é mais uma vez o arco de Naomi, Silver e Cannon. Achava que teríamos um desfecho para essa história nesse episódio, e fiquei muito feliz em ver que não foi isso que ocorreu. Ao invés de destruir Cannon para ninguém nunca mais se lembrar dele, os roteiristar preferiram desenvolvê-lo como um vilão propriamente dito, papel parecido com o que Jen desempenhou no começo da temporada passada. A diferença é que aqui a qualidade do arco é infinitamente superior. Apesar de soar um pouco maniqueísta, é interessante ver como o professor é cada vez mais mostrado como uma pessoa sem caráter algum. E repito, a figura dele me causa uma horrível sensação de desprezo, sinal de que o roteiro soube construir bem o personagem. Apesar disso, não imagino esse arco durando muito mais episódios. Acredito que em no máximo quatro já teremos o desfecho dessa história, caso contrário a história pode se perder. A não ser que o roteiro saiba trabalhar um bom número de arcos sem que nenhum deles soe como enrolação, o que acho difícil.

Se o arco principal está sendo desenvolvido de modo mais devagar, o de Teddy está a toda. Gosto da maneira como o garoto está descobrindo ser gay. Tive muito medo dele sofrer uma mudança abrupta, como já vimos outras vezes. Aqui, o que vemos é ele na fase da negação. Logo ele passará por outras fases até finalmente assumir seu homossexualismo. Já li em algum lugar pessoas revoltadas pelo fato dele ser um cara que sempre se gabou de pegar todas por aí. Não vejo isso como uma falha do roteiro. Pelo contrário, acho que a tendência já estava mascarada na temporada passada justamente por isso. Além disso, é uma situação muito boa para o personagem, que sempre foi um pouco apagado em relação aos outros personagens masculinos.

Enquanto isso, Jen finalmente teve seu bebê, no desfecho da história mais deixada de lado dessa temporada. É fato que a garota mudará drasticamente de personalidade com a chegada de seu filho, e isso ficou evidente em suas expressões logo após o nascimento da criança. O beijo com Matthews também serve para ilustrar isso. É natural uma mãe de primeira viagem mudar completamente após conhecer seu filho, mas vejo isso como uma desculpa no roteiro para tornar Jen mais agradável, já que ela não funcionava mais como vilã e estava perdida na série. Gosto muito de Ryan e acho que é um personagem que merece um destaque um pouco maior, mas não vejo a criação desse pequeno núcleo familiar como uma solução pros dois personagens, e sim como uma maneira de colocá-los no limbo por um tempo, até os roteiristas encontrarem uma situação melhor pros dois viverem. Envolver Deb na história dos dois só ratifica essa teoria, já que ela se encontra na mesma situação.

Já que citei a mãe de Annie, aproveito para fazer a leitura do último segmento importante do episódio, e também o mais fraco. Um draminha bobo envolvendo uma briga entra mãe e filha definitivamente não era o desfecho que eu esperava para esse arco. Imaginava que a garota se enfiaria numa situação difícil como sempre e tornasse a trama mais interessante do que o caminho que ela está tomando. Aliás, Annie voltou a ser envolvida em histórias bobas e sem sentido, como na primeira temporada. Preferia quando os roteiristas a aproveitavam como na história com Jasper. E é impressão minha ou a Shenae Grimes deu um upgrade no visual?

Em um episódio que teve muitas qualidades e poucos defeitos, o que acabou pesando foi a decepção por 90210 ter tomado o caminho errado no que poderia ser a principal trama da temporada, juntamente com a de Naomi. Mesmo assim, a temporada permanece muito acima da própria média e já se estabelece como a melhor da série.

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