Quem? O quê? Quando? Onde? Como?
Com a minha pouca experiência de vida (23 anos mais precisamente), percorri alguns lugares e em contato com pessoas de culturas diferentes, observei que há uma condição ímpar para aguçar o ser humano: mais importante que as respostas que conseguimos elaborar, são as perguntas que nos permitimos fazer. Se observar, verá que não temos que acertar tudo sempre, mas refletir é imprescindível e só temos uma oportunidade real de reflexão quando nos detemos diante das perguntas. Você já se deu conta, que cada pergunta dirigida a você ou mesmo que passa por sua mente durante o dia é uma oportunidade de crescimento, de enxergar novos caminhos, de alargar os horizontes, de mergulhar um pouco mais em autoconhecimento? E, ainda, que uma pergunta feita, mesmo que não seja respondida conscientemente, conduz o inconsciente a submergir em seus registros e trazer à tona informações que você nem imaginava sobre você mesmo?
“Mentally Divergent”’, veio com a incumbência de nos apresentar, com maior profundidade os personagens: Jennifer Goines (Emily Hampshire), Jones (Barbara Sukowa) Ramse (Kirk Acevedo) Aaron Marker (Noah Bean) e o Homem Pálido (Tom Noonan), em meio a muitas perguntas, poucas respostas e muitas dúvidas.
Apesar de não sabermos com exatidão a história de Ramse (Kirk Acevedo), pude sentir que Ramse e Cole são como irmãos. Como sobreviventes da praga apocalíptica, conjeturo que juntos, tenham enfrentado muitas vezes a morte, e por isso tenham sua história compartilhada. Ramse é extremamente cauteloso, desconfiado e tem uma profunda compreensão da natureza humana. Esta última promete trazer sérios conflitos entre ele e Cole e os demais da Facility Temporal.
Ramse sente que Cole de certa forma, voltou mudado de sua viagem no tempo. Afinal, Quem não voltaria? Mesmo Cole não respondendo, e até se esquivando. Ramse não perde a oportunidade para lembrar a Cole, que ele não pertence ao tempo de Cassie. Assim, ficou subentendido que Ramse já começa a ver em Cole, por menor e singelo que seja o desejo de ficar no tempo presente e não voltar mais para o futuro.
Outro momento de divergência foi entre Ramse e a cientista Jones. Nesta discursão, Ramse aprendeu a não “cutucar onça com vara curta”. Pelos olhos esbugalhados de Ramse, podemos perceber o quanto ele ficou assustado. Provavelmente, ele não esperava àquela explosão de estrogênio repentina.
Jones é um ex-física de renome, que criou a máquina do tempo. Determinada, corajosa, e sem remorso, Jones diz a Cole: “O tempo é cruel, Sr. Cole. Estamos arriscando tudo, brincando com ele. Insultando-o. Acredite em mim. Aprendi o suficiente sobre o tempo, para temê-lo.” Aparentemente uma rocha sólida, Jones, apresenta cicatrizes que o tempo não foi capaz de fechar. Provavelmente, por ter sobrevivido à praga, ela de alguma forma, sente-se culpada, pela incapacidade de não ter conseguido proteger as pessoas mais próximas a ela. Ficou nítido, que ela fará de tudo para modificar a linha temporal. Nem que seja preciso eliminar todas as pedras pelo caminho.
Para que não assistiu ao filme, Jennifer Goines a nossa tantã da vez é a versão feminina de Jeffrey Goines, interpretado por nada mais e nada menos que Brad Pitt. Podem até me crucificar, me queimar na fogueira. Mas a atuação de Brad Pitt me irritou muito. Ok, ele estava tentando mostrar que não era só um rostinho bonito, que ele tinha talento, mas ele errou na mão na quantidade de tiques que seu personagem apresentou. O que me chamou a atenção, na interpretação esquizofrênica de Emily Hampshire (Jennifer Goines), foi exatamente a moderação dos tiques nervosos. Esta moderação, não diminuiu em nenhum momento a interpretação da atriz. Tão pouco, atrapalhou o nosso entendimento do que estava sendo dito em cena.
Jennifer acaba tendo uma falsa percepção combinada com alucinações dos fatos que aconteceram. Este tipo de percepção alucinógena é comum, especialmente quando a percepção guarda em si algum elemento emocional. Esse lado emocional que assombra Jennifer está associado aos fantasmas da chacina que ocorreu no laboratório de seu pai. Jennifer acredita ser a assassina dos cientistas. Acreditando em imagens distorcidas, criando em torno dela um enredo, ou delírio, que só ela pode perceber e entender. De certo modo, Jennifer demonstra-se cansada de todos os autoquestionamentos. Esses questionamentos acabaram com o que ainda lhe resta de lucidez. Ou não? Fazendo-a escrava permanente dos seus próprios anseios.
Neste momento, percebi que a mente dela começou a questionar o mundo em que vivia, procurando entender o universo na qual estava inserida. Alguns desses questionamentos tiveram a capacidade de nos impressionar simplesmente por terem sido colocados, mas também pela enormidade e profundidade das respostas que pedem. Afinal, onde fica “o laboratório/caixa de pandora”? E, quem é o cientista que saiu vivo da chacina?
É engraçado, como de alguma forma me parece mais ameaçador quando o “homem pálido” (alto, magro, elusivo e excêntrico), diz que não vai matar a Dr. Railly, do que se realmente ele fosse. Achei que essa foi uma maneira poderosa de demonstrar a Cassie que ela é insignificante, e que ele está no controle. Foi deliciosamente assustadora e delicada a composição da cena em que o pobre Jeremy aparece morto, coberto por pétalas de jasmim.

E quanto a Aaron, o que falar? Personagem extremamente chato que não acrescenta quase nada na história. E se não mudar, vai se tornar àquele típico personagem de série, na qual todo mundo quer que morra.
Em suma, “12 Monkeys” continua mentalmente divergente e extremamente prazerosa de assistir. Eu só espero que o show seja capaz de manter a sua qualidade ao longo da temporada. Até a próxima review!
Monkey 1: O nosso casal de protagonistas, Cole e Cassie, foram utilizados sabiamente pelos roteiristas como mote de apresentação dos demais personagens.
Monkey 2: Ao usar as cenas do filme -The Adventures de Mark of Twain de 1985 (cenas em que uma máscara autodenomina-se satã), o roteiristas acabaram trabalhando em um nível visceral a questão do ser mentalmente divergente. O clipe foi sinistro.
Monkey 3: As cenas de ação foram bem mais consistentes do que as da premiere. Ainda mais, que Aaron Stanford (Cole), não é nenhum Bruce duro Willis de matar.
Monkey 4: E Jennifer? Qual o lado que ela vai escolher para lutar.
















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