A velha máxima: nunca brinque com os sentimentos de uma mulher.
Tudo o que o piloto trouxe sobre aquela história rápida e sem grandes chances de nos apaixonar por ela, sobre a detetive que fora enganada por quem ela sempre correu atrás durante tanto tempo, como gato e rato, aqui, no segundo episódio foi a força motriz de tudo o resto que aconteceu. Só que aconteceu MUITA coisa neste episódio. Acredito que todas as histórias da temporada foram mostradas neste segundo episódio. Ou pelo menos, nos mostraram tantos arcos que podem levar uma temporada toda de treze episódios sem problemas.
Primeiro que descobrimos que a série vai se apoiar em casos da semana, mas não que isso seja totalmente ruim, porque nessa semana a motivação de Alice para conduzir o cargo foi crível, e compramos numa boa. Mas, já falo disso daqui a pouco. A minha outra consideração sobre termos sofrido uma avalanche de histórias complementares da temporada foi de que a história entre os dois protagonistas – o enganador e a enganada – ainda está sendo mostrada pra gente, e então, não temos tempo suficiente para criar teorias ou entender qual era a dinâmica daquele casal.
Como por exemplo, a ideia dos obituários. Para mim, foi genial. Uma sacada de uma verdadeira detetive e atenta a todos os detalhes da vida que ela levou com Ben, sendo Christopher Hall. Ela e a advogada (que ainda não tenho 100% de confiança, mas talvez pelos rumos que a série está tomando, duvido em grandes reviravoltas de caráter de algum personagem, por tudo estar bem didático), descobriram a identidade escolhida por Ben na época da aproximação com Alice. E as duas implantaram um possível novo nome para ele escolher, já que tinha muita relação com o tipo de história que ele costuma buscar nos obituários.
Ele cair na armadilha foi totalmente esperado, pelo didatismo da série que comentei e também para movimentar um pouco essa disputa dos dois. Acredito que o mais interessante nesse arco, totalmente criativo, foi a escuta do Agente Dao que ainda insiste em ficar na cola da ruiva e a ouviu falando sobre o obituário. Será que esse cara do FBI está junto com o Ben de alguma forma, e aquela hora que ele se escondeu quando o viu do outro lado da rua foi só cena pro seu outro comparsa? E ele escolher esse nome foi uma armadilha em cima de outra armadilha? Seria ainda mais interessante.
Agora Ben, que já foi Christopher e Mr. X atende como Michael Thorne (sdds Emily de Revenge), já nos mostrou quem será o seu novo alvo, após roubar algumas várias coisas naquela joalheria. Fomos apresentados, dentro do núcleo dos comparsas do “mal” (?), à Princesa Zara e toda a sua fortuna. Ela caiu nas graças do nosso galanteador após o carro e todo aquele papo mole que ele já está acostumado a fazer e agir com suas presas. Ou pelo menos, assim imaginamos que fora com Alice, né.
Sobre ela, podemos dizer – agora sim – que ela ficou arretada com toda a história de ser enganada, e agora não acredita em mais nenhum homem que passa pela sua frente. A história do caso da semana teve muito a ver com a história principal da protagonista, e envolveu lá a mulher traída, duas delas, e seu final chocante, mas nada também que nos tenha saltado ou brilhado os olhos. Foi um bom momento de ver como é o trabalho de Alice, como seu instinto (que não funcionou por um ano) ainda está bom e que ela pode ser mais uma protagonista f*da da Shondaland.
Agora precisamos dizer: a investigação de Alice na casa de Jeffrey e Edith, com o quarto intacto de Peyton para caso este viesse a ser investigado ficou um pouco longe da excelência de um roteiro que se preze numa série investigativa. Se ninguém mexia no quarto do enteado, como ninguém suspeitou que aquele iPad não fora algo plantado ali naquele local para brincar com os detetives de marionetes? Como os detetives se ligam muito mais aos instintos do que as provas que estão lá? Digo porque Alice estava convicta, por suas razões pessoais, de que Jeffrey era o verdadeiro assassino (isso até mesmo antes dele ser um de seus clientes, apenas o vendo pela televisão), e de repente, ela acha um novo suspeito, num tablete carregado (?), desde sei lá quando, com fotos altamente suspeitas, levando a crer que o julgamento com Jeffrey como um suspeito fora totalmente inadequado. Os grandes detetives não pensaram em estarem entrando numa furada dessa superprova, tão instantânea?
Se não bastassem todas essas novas informações, o roteiro ainda quis trazer a ideia do quadro roubado do museu e o contato da mulher que forjou o quadro pra descobrirmos alguma coisa do nosso protagonista dúbio (e precisaremos ver qual o nome que eu vou chama-lo nas reviews daqui em diante, tá pior que o Fernando Pessoa, querido!). E ainda uma história pessoal de Val com o marido Gordon, que ficou ligando pra ela o episódio inteiro… Para que mesmo? Só pra discutir a relação ou o ator que ia fazê-lo não pode ir à gravação? Espero que ele seja uma pessoa que trará uma movimentação verdadeira para a série.
Se Alice diz que tem saudade de alguém que não existe, nós o público temos saudade de uma série que a gente nem sabe se existe, ou se um dia irá existir. Porque eu esperava reviravoltas e histórias mais consistentes nessa série, e o que tivemos até agora foi ou um episódio muito rápido semana passada, ou um amontoado de coisas nesse. Assim, fica difícil pegar amor, assim, fica difícil ser pego por você, The Catch. #badumtss.
Últimas observações:
– Se você lia as minhas reviews de HTGAWM, você já sabe qual será a minha próxima observação: COMO QUE NINGUÉM TRANCA A PORCARIA DA PORTA DE UMA MANSÃO? Ou como a detetive entra lá, sem ninguém convidar e já vai fuçando no computador, de boa, como se fosse da família?
– Falando em entrar na mansão, a parte que ela descobre que ela estava certa desde o início sobre Jeffrey ser o assassino pelos sapatos sujos, foi muito tensa e muito boa. Pode ser assim, todo o episódio, The Catch, tá vendo como você consegue ser quando quer?
– A relação de Bem e Sophie parece ser bem sadia, só que não. Se fosse uma navalha na mão daquela doida, poderia rolar um Sweeney Todd tranquilamente naquela sessão de barbearia do amor.
– A tão famosa e falada obra da série se chama “Alone Together” da real pintora Maria Kreyn, e como oportunidades estão aí para serem usadas, no site oficial dela já estão anunciando que pôsteres em edição limitada da obra serão vendidos em breve.






















