Tirem os melhores ternos do armário e caprichem nos nós-windsor porque The Good Wife está de volta e com uma première ágil, mas sem muitas novidades.
Mesmo com tamanhas mudanças se desenrolando, The Good Wife consegue se manter praticamente o mesmo programa que sempre foi. É claro que isso tem um lado positivo, pois mostra a consistência e a força que a série tem, e um negativo, que eu não consigo muito bem explicar. Eu apenas sinto que não importa o quanto a série tente algo diferente e original, o resultado sempre será TGW tentando algo diferente e original.
Vejam a suspensão de Will ou todas as vezes que as personagens foram vítimas de investigações e processos: ver tudo se desmontando é maravilhoso, mas as coisas acabam voltando para o mesmo lugar. A única coisa que não voltou até hoje, por favor corrijam-me se eu estiver errada, foi a amizade de Alicia e Kalinda e embora Kalinda tenha perdido tempo de tela, acho que ninguém discorda que ver as duas lidando com o fim das noites regadas a doses de tequila foi interessantíssimo.
O frescor que eu esperava estava inteiramente ligado à reta final da temporada anterior. Nós tínhamos o caso de Jackie com Cristian, o namorico de Grace com o bad boy da escola, a faculdade de Zach, o casamento de Diane e Kurt, o vai-vem de Cary e Kalinda, a renovação dos votos de Alicia e Peter no Havaí, além, é claro, da vitória de Peter e das confabulações da Florrick, Agos & Associates. Mas somente as duas últimas apareceram no episódio que, não me entendam mal, foi divertidíssimo, e não conseguiria lidar com tudo isso ao mesmo tempo.
O episódio começou exatamente de onde What’s in the Box? terminara e nós vemos Alicia e Cary confabulando sobre a FA&A. Antes de um corte inspirado em Fellini, nós vemos Alicia dizer que tinha se esquecido de que acabará de se tornar Primeira-Dama. Eu espero que a série não se esqueça disso também. Era muito comum, enquanto Alicia era a mulher do State’s Attorney, que a série usasse a fama de Alicia somente quando conveniente, apagando-a do mapa Chicago sempre que precisavam.
É claro que Alicia não é (ainda) uma Hillary Clinton ou uma Michelle Obama, mas ela está no caminho com toda a certeza. Talvez eu esteja me preocupando à toa, já que não se passaram nem cinco dias, nas minhas contas, para que Grace figure em quarto lugar numa lista de filhas bonitas de políticos, o que leva a crer que a celebridade dos Florrick será tema recorrente na quinta temporada.
O caso da semana foi o segundo a lidar com o corredor da morte e eu notei um toque de filme de terror. Enquanto no início a tortura era com agulhas, ao final do episódio ela foi com palavras, pois aquele momento em que o executor explica para o prisioneiro o que vai acontecer foi assustador. Eu adorei os motivos que levaram o juiz a decidir pela execução de Eddie e cada reviravolta do caso foi inspirada em casos reais, inclusive a venda de informações para que sejam usadas em troca de sentenças mais brandas.
Nas confabulações da FA&A conhecemos Carey Zepps, o quartanista que teve a ousadia de falar de Alicia e Will, ainda que ele estivesse certo. Parcialmente, já que Alicia estava certa quando disse a Cary ela pode ser prejudicada. Uma parte de mim desejava que o começo da quinta temporada não perdesse tempo mostrando a reorganização do tabuleiro, mas sim o tabuleiro todo reorganizado e nós, espectadores, tendo de ler nas entrelinhas. Mas uma outra parte gostou de como as coisas serão feitas paulatinamente, pondo o dedo na ferida e esmagando todo o idealismo de Alicia, não deixando que ela use-o como desculpa para a criação da firma. Quando ela vê que ela será obrigada a lidar com gente da laia de Carey, ela fraqueja e cogita desistir, eu acho. Mas quando ela é lembrada por Carey de que “eles são os novos Will e Diane”, ela se recompromete com a FA&A não por enxergar um futuro onde seu idealismo pode ser posto em prática mas por ter sido lembrada do problema que é para ela ficar perto de Will. Ela pedir, ao final do episódio, que ele não a odeie pelo o que ela está prestes a fazer comprova o meu ponto de vista.
Não estou dizendo que Alicia não é idealista, pois ela é. Mas apesar de ela não concordar com muitas coisas que a L&G faz e a obriga fazer, eu não acredito que essa tenha sido a razão que a motivou a sair da firma. Afinal, se fosse esse o caso, ela poderia ter procurado aquele advogado do episódio Unorthodox, da primeira temporada, que nem tinha faculdade.
Enquanto isso, no escritório do futuro governador de Illinois, conhecemos Marilyn “Mitch” Garbanza. A primeira coisa que eu tenho a dizer é que “Mitch” rima com “bitch”, a segunda é que uma pesquisa superficial na Internet mostra que “garbanzo”, “grão-de-bico” em português, pode ser uma gíria para seios e a terceira é que seu primeiro nome, suas voz e jeito de falar e suas roupas brancas bufantes e esvoaçantes não negam a inspiração dos King em Marilyn Monroe.
Peter pediu que Eli ficasse por medo de fazer alguma coisa errada, o que também o motivou para promover lateralmente a doce Marilyn. Surpreendeu-me Eli ter sugerido a mudança, pois está na cara que foi o pior a ser feito. Acho que Eli o fez pensando em proteger Alicia. Como ela exerce um poder absurdo sobre os homens a volta dela! Vou colocar correndo “O Pecado Mora ao Lado” para ver se acho alguma referência no episódio porque a personagem de Melissa George será problema com certeza.
Outros pontos:
– Magnífico o novo tema musical da série. Para quem gostou tanto quanto eu, os King disseram que foi inspirado em “Code Name Vivaldi”, de The Piano Guys.
– Levei um susto e depois me encantei quando a câmera se aproxima velozmente do rosto de Alicia só para fazê-lo se encaixar no quadro da abertura.
– Aparentemente, todos trocaram de telefone, menos Alicia. Eli circula agora com um Galaxy (que não acende quando ele desliga a ligação) e Will com um iPhone 5. Já era assim no final da temporada passada e eu não percebi?
– Ainda sobre tecnologia, o que foi a tal da Monica fazendo teleconferência num tripé ambulante e perseguindo David Lee? Fantástico!
– Como sempre, os figurinos de Alicia e Diane estavam um assombro, mas meu destaque vai para os lindos casaquetes usados por Robyn, além de sua jaqueta jeans e camisa rosa.
– Alguém notou que Grace estuda a Bíblia cheia das poses?
– Eu voto para termos Geneva como personagem regular? Quem está comigo?
– Também voto para que Kalinda e Robyn ganhem um spin-off só delas! A cena em que elas flagram Tommy Diehause foi hilária.















