Amigas para sempre.
Foram apenas quatro meses, mas pareceram quatro anos sem nossa novela mexicana favorita da TV americana. E, depois desse difícil período de abstinência, Revenge está de volta, amigos, e vou dizer, a série voltou com tudo!
Eu até precisei de um tempo para escrever sobre essa première simplesmente porque houve muita coisa pra digerir. A principal delas, claro, foi Emily e Victoria transformando-se em BFFs enquanto desfilavam Hamptons afora. Sério, eu cheguei a visualizar as duas dizendo “Arrasamo, amyga, bate aqui!” após o sucesso do plano contra Ashley Davenportada (obrigado por essa, Nolan!). Inacreditavelmente deliciosa a nova relação das duas, com Emily se tornando efetivamente “parte da família”, ao menos para inglês ver. Por mais circunstancial que seja, essa aliança é imbatível, e quero muito vê-la defenestrando mais personagens ao longo da temporada enquanto ela durar!
Falando em Ashley, já havia sido bastante divulgado que Ashley Madewke estaria fora de Revenge nesta temporada, e eu confesso que cheguei a pensar que os roteiristas nem se dariam ao trabalho de criar um arco para sua saída, apenas inventariam uma desculpa qualquer que seria jogada por algum personagem em alguma cena para explicar a ausência da atriz. Por isso, fiquei extremamente feliz com Ashley sofrendo finalmente uma Revenge no meio das fuças, com “xizinho” brega incluído.
Revenge que, desta vez, veio em dose dupla. Achei deliciosamente diabólica a ideia de forjar uma doença terminal em Conrad “Arctic pools, Laila!” Grayson. Logo de cara, os Graysons – que continuam falidos, vale lembrar – perderam o que lutaram durante uma temporada inteira para conquistar: o governo estadual. Passei boa parte do episódio bastante incrédulo, pensando “como raios Emily ia adivinhar que o cara tinha essa doença pra colocá-lo no hospital?”, por isso achei sensacional vê-la forjando o exame. Eu sei, foi amadorismo meu não ter pensado nisso, mas o fato é que o arco cumpriu bem o papel de nos deixar intrigados.
Apesar de tudo, quase tive pesadelos ao perceber que Sunil Nayar (o novo showrunner da série) decidiu resgatar a estrutura narrativa dos primeiros episódios de Revenge, aqueles de qualidade bastante questionável. Não gosto de ficar assistindo às coisas acontecerem e ver um flashbackzinho mequetrefe explicando no final o que Emily fez. Prefiro estar a par de tudo e ficar tenso com o desenrolar dos acontecimentos. Quando a narrativa passa o episódio inteiro um passo à nossa frente, o grau de envolvimento com a história tende a diminuir.
Isso posto, devo dizer que acho muito bonito senhorita Emily olhar a foto com sua ex-amiga como se tivesse sido traída, sendo que toda a sua relação com Ashley foi iniciada e construída com base em falsidade. Emily se aproximou de Ashley por interesse e usou-a como bem quis nos primeiros episódios da série. Por isso, a chantagem proposta pela ex-amiga era, na pior das hipóteses, uma retribuição do favor, e, na melhor, um justo preço a cobrar pelos serviços involuntariamente prestados de inserção na sociedade Hamptoniense.
Outra belíssima decisão de Nayar foi abortar logo o filho de Charlotte, arco que havia sido criado sem pé nem cabeça e só serviria para piorar uma personagem que já é ridícula – e continua ridícula com seus pitis infundados de rebelde sem causa, por mais que eu tenha morrido de inveja da “viagem curativa” à Europa (eu daria conta de ir, no máximo, pra Pindamonhangaba). O modo como a informação foi lançada a nós por Queen Victoria, na cena dos estábulos, foi delicioso.
Falando em estábulos, é impressão minha ou Revenge inspirou-se nas recentes aventuras de Oliver Queen (interpretado em Smallville por Justin Hartley, nosso querido Patrick, que não parece nem de longe mais velho que Daniel!) para dar uma incrementada na libido das jovenzinhas fãs da ABC com uma boa dose de shirtless do recém-descoberto filho de Victoria? A frequência de exposição de torsos me fez cogitar a possibilidade de ser Carlos Lombardi a pessoa no lugar de Mike Kelley como showrunner!
Não sei se é a falta de tecidos que o cobrissem ou se é algo natural do ator, mas fiquei realmente incomodado em algumas cenas de Patrick e Victoria, que pareciam ter uma relação não apenas afetuosa como também incestuosa. Ok, Vicky, entendemos os atributos do rapaz, mas não precisa ficar tão grudada nele! É meio creepy! Até mesmo a cena com Charlotte me incomodou no mesmo sentido, me levando à impressão de que os irmãos poderiam se tornar amantes ali mesmo, quando se conheceram. Nojinho define, mas a verdade é que um minuto de cena me passou mais química e sensação de tensão sexual do que duas temporadas de Charlotte e Declan.
Já Nolan fez o David Clarke 2.0 nesses meses de reclusão, mas, a meu ver, escapou muito mais facilmente do que deveria, cooperando com a investigação policial. Ainda assim, achei um máximo a inversão de papéis entre ele e Emily em relação ao piloto, um excelente uso de referência aos primórdios da série. Vale lembrar o fato de que, agora, a pobreza impera, mas espero que não por muito tempo – o que seria de Revenge sem o glamour da alta sociedade?
Enquanto Bananiel não nos ofereceu nada além de suas bananices, a reação de Jack à descoberta da verdade foi bastante interessante. Que delícia foi vê-lo aproximando-se de Emily e lhe tascando um beijo apenas para desprezá-la logo em seguida! Não podemos ter a ilusão de que acontecerá algo diferente de Jack se arrependendo e unindo-se a Emily em sua vingança no decorrer da temporada. A ameaça de “até o fim do verão contarei tudo” é mais vazia do que o cérebro de Daniel. Jack sabe disso, nós sabemos disso, e até Emily sabe disso, tenho certeza. Mas nada disso não pode nos impedir de vibrar e nos divertir enquanto ele a maltrata, certo?
Por fim, não podemos encerrar sem falar sobre o GRANDE mistério da temporada: será que Emily morreu???? [pausa de um minuto para inserir o clima de suspense na review]
Ah, me poupe, né, senhor Sunil? Isso lá é mistério que se preze? Seria divertidíssimo que ela morresse e a série acabasse assim, sem mais nem menos, sem anúncio algum, chocando os Revengers mundo afora. Mas sabemos que emissora nenhuma tem culhões para tal feito, por isso, de alguma forma, Emily será resgatada. O grande mistério é, portanto: quem atirou??? Em um primeiro momento, só consigo imaginar um retorno triunfal de Ashley Davenport, em sua própria Revenge (quem está louco por um spin-off com a Revenge de Ashley levanta a mão!). Mas, diante das circunstâncias, Aiden, Conrad e Victoria são os principais suspeitos.
Aiden, por sinal, foi o grande responsável pelo cliffhanger dessa première que nem de longe mantém o nível da première anterior ou mesmo do piloto, com um excesso de informações jogadas em nosso colo e retomada de algumas características não tão desejáveis assim. Mas meu coração está plenamente disposto a dar um desconto para Sunil Nayar.
Para quem não sabe, Nayar estava na equipe de roteiristas da primeira temporada da série, mas não da segunda. Por isso, é interessante notar a tentativa do novo showrunner (provavelmente orientado pela emissora diante dos decepcionantes resultados da temporada anterior) de aproximar Revenge de suas raízes e eliminar o mais rapidamente possível todos os resquícios do segundo ano – só nesta review já citei inúmeros momentos em que essa tendência é evidente. Havia uma faxina imensa a ser feita, e essa foi a real função do primeiro episódio: preparar o terreno para o que realmente será o novo cenário que a terceira temporada nos oferecerá.
E até o Revenger mais cético precisa admitir: estamos todos loucos pra descobrir o que vem pela frente! E, sejamos francos, quem não está enxergando a millhas de distância a “grande revelação” de que Aiden está apenas fingindo ser #TeamVicky? Ah, Revenge, quem não te conhece que te compre!















