
Se você ainda não assistiu a última hora da quarta temporada de The Good Wife, fique longe! Apesar de eu ter várias ressalvas quanto ao final de temporada, tenho certeza de valerá muito mais a pena assistir no escuro.
Spoilers Abaixo:
Eu disse alguns episódios atrás que TGW estava se preparando para tomar um rumo ousado e esta semana vimos o que nos espera. What’s in the Box? resetou a série praticamente por completo. Eu cheguei a comentar aqui, acho, de que a quinta temporada seria à la Fringe, por causa da mudança radical ocorrida na também quinta temporada da série da Fox. Como os roteiristas adoram falar nas entrelinhas, talvez Alicia ouvindo música de Matthew Ashbaugh (John Noble) numa caixinha similar seja um sinal, mesmo que um tanto sinistro. Só que mesmo estando contente com o que está por vir, não gostei da maneira com a qual esse novo arranjo foi apresentado. Em outras palavras, o episódio me empolgou mais pelo o que está por vir que pelo episódio em si.
Mas não descartemos os méritos do episódio, ele foi ótimo. Bom, não sei bem por onde começar, então, vamos seguir a linha cronológica do episódio, já que o mesmo teve várias cenas de relógios, ou seja, o tempo foi um fator importante em What’s in the box?. Tudo começa com Zach achando que descobriu uma fraude eleitoral. Com a plena certeza que a campanha do marido era imaculada nesse sentido, Alicia entrou com uma ação contra a campanha de Kresteva. A partir daí inicia-se uma corrida contra tempo, com algumas reviravoltas e várias participações especiais. Pelos tribunais cruzamos com nosso juiz liberal (Denis O’Hare), com nossa juíza “na minha opinião” (Anna Gasteyer), com o escorregadio Jordan (T. R. Knight) e com a cínica mamãe Patti Nyholm (Martha Plimpton). As reviravoltas cansaram um pouco, bem como as coincidências oportunas, mas o clima frenético, as pitadas de comédia e rostos conhecidos compensaram – e como!
Acredito que trazer Zach novamente a um tribunal foi um paralelo interessante com o primeiro episódio dessa temporada. O papel de mãe voltou a prevalecer e enquanto em I Fought the Law nós tivemos Peter e Alicia dando apoio à Zach, em Box, esse apoio veio de Alicia e Will. Sempre foi muito evidente o quão maduro Zach é e o quanto ele adora o pai, mas ver Will conduziu seu depoimento de maneira brilhante com certeza fez o advogado ganhar pontos com o filho de Alicia. Ainda nessa mesma cena, fica claro que Will só o interrogou a pedido de Alicia, numa conversa entre olhares, seguida por um agradecimento idem. Isso, para mim, não significa que Alicia busque criar uma proximidade entre seu filho e Will, mas sim que ela estava usando o amor que Will sente por ela para motivá-lo. É curioso que Alicia confie mais na motivação de Will que na motivação de Diane de se tornar juíza com a vitória de Peter.
Eu demorei um pouco para entender toda a questão da fraude das eleições. Pelo o que entendi, houve, pelo menos, duas tentativas de fraude por parte da campanha de Peter: a primeira foi flagrada por Zach enquanto que a segunda chegou por causa da suspeita de haver acontecido uma outra por parte de Kresteva. Sabemos que Peter nem sempre está por trás de toda corrupção que possa existir na sua campanha, como ficou claro no episódio, mas no momento em que ele toma conhecimento do fato e deixa o pepino para Will resolver, sim, ele deixa claro que continua sendo um político (e um ser humano) de moral duvidosa. Mesmo que na defensiva pelo fato de aquela discussão ser na verdade sobre Alicia, o Peter de algumas temporadas atrás não teria sido tão conivente. Mas por que levantar suspeitas do caráter de Peter a essa altura do campeonato, principalmente depois da sua jornada de redenção?
Will acaba ignorando o vídeo que prova a fraude da campanha Florrick, e não simplesmente apenas para salvar o cliente da vez, mas para não magoar Alicia (e de quebra não prejudicar as chances de Diane virar juíza). Se a fita escondida vier à tona e ficar claro que Will a escondeu, esta será a segunda vez que ele comete um crime sendo um advogado e corre o risco sério de ser expulso da Ordem. Motivos à parte, ele se tornou cúmplice, mesmo que por um motivo nobre – mas não nobre nos trâmites da lei. E não é a primeira vez que Will se mostra, digamos, uma pessoa melhor que Peter. É só lembrarmos, por exemplo, de quando ele recusou a proposta de Wendy Scott-Carr de encerrar a investigação de suborno judicial contra ele (iniciada por um ciumento Peter!) em troca de informações contra Peter. Também não foi a primeira vez que Will chama ele para um duelo físico por causa de Alicia.
Bom, pouco adiantou Will ser o herói anônimo do episódio, o grande vencedor da noite foi Peter Florrick. Ele ganhou as eleições e Alicia. Para mim, aquele final não foi surpreendente. Conhecendo Alicia (e a série) como conhecemos, atrás daquela porta não poderia estar Will (aí sim seria surpreendente para mim). Embora todo episódio (e boa parte dessa temporada) tenha sido arquitetado para pensarmos nesse sentido, foi como eu disse na review passada, só algo de muito singular faria Alicia desistir de sua decisão de renovar os votos com Peter e abrir seu coração e sua vida para Will. Não diante do fato que ela se sente comprometida com Peter e suas responsabilidades como mãe, esposa e agora primeira dama, que o mesmo irá ser governador (imagina o escândalo que seria), que Will continua sendo seu chefe, etc. Alicia não está preparada para tanta ousadia, por isso, fez sua escolha, evitando uma outra escolha.
Ao decidir formar sociedade com Cary, ela almeja se distanciar da tentação Will. Isso me decepciona em vários sentidos. Vou ignorar o truque raso que a série pregou com aquele final, e vou me concentrar apenas na atitude de Alicia. Primeiro que dentre os diversos motivos que ela tinha pra debandar da Lockhart & Gardner, esse é o mais frívolo. Segundo, ao invés de encarar seus conflitos de frente, ela escolheu fugir. Terceiro, é certo que a L&G não anda merecendo a lealdade de ninguém, mas, por outro lado, Will merece a de Alicia. Ele sempre foi seu defensor dentro e fora da firma e, acontecesse o que acontecesse, eles sempre podiam contar um com o outro. Assim, Alicia não o traiu apenas profissionalmente e partiu (novamente) seu coração, ela também destruiu a amizade deles. Não sei qual vai ser a reação de Will diante de tudo isso, mas ele tem toda minha compaixão. Afinal, levar mais um fora de Alicia e ainda perder parte de seus clientes e associados é um golpe (baixo) muito forte. Sem contar que ele ainda corre o risco de perder Diane para magistratura (e Alicia também estava ciente disso).
Creio que isso comprova que o caminho de nossa protagonista, às vezes dá voltas e voltas e não chega a um lugar nenhum, outras vezes, a torna mais forte, e em muitas outras, revela seu pior lado. Aprendendo como mundo é cinza, Alicia vem nos mostrando mais do seu egoísmo e hipocrisia. Talvez tendo que confrontar o lado obscuro de sua personalidade, ela possa finalmente admitir seus erros, sofrer as consequências e evoluir. Alicia ainda é muito blindada, não que ela não sofra, mas a série sempre encontra saídas mais fáceis para ela.
Uma pergunta que não quer se calar na minha cabeça é: o quão importante foi a ligação de Colin Sweeney na decisão de Alicia? Isobel (Morena Baccarin) nos disse que Alicia é a única advogada que continua com Sweeney por todo esse tempo e, nas palavras do próprio, ele precisa alimentar a sua obsessão por Mary Poppins. Mas incentivá-la à rebelião como ele fez neste episódio não tem muito de Mary Poppins, tem?
Mas vendo o lado bom de tudo isso, fico empolgada com Florrick, Agos & Associates vai mesmo acontecer! Sempre fui partidária dessa ideia, no entanto, julgo que ainda fosse cedo, mas antes cedo do que nunca. Fiquei com receio ao ver os quartanistas colocando Cary na berlinda sobre a contratação de Kalinda e acho que esse quase-romance com ela acabará por prejudica-lo mais vezes. Cary está mesmo seguindo os passos de Will e arrumou um furacão Alicia para si.
Estou curiosa, afinal, juntamente com o fato de que Peter será governador, a série tomou decisões ousadas e, portanto, terá que mudar sua dinâmica na próxima temporada. Como será Alicia como primeira dama e administradora de uma recente firma de advocacia? Como ficará o núcleo Lockhart & Gardner? Para aonde vai Eli? Como vai ser Cary tendo mais espaço e se tornando um dos pontos centrais da série? E, principalmente, como todas essas mudanças vão impactar na vida pessoal de cada um de nossos personagens? Esse é um trabalho para a já aguardada quinta temporada.
Em tempo:
– Essa temporada teve várias coisas que não funcionaram (Oi, Nick!) e mais uma vez recorreram ao famigerado triângulo amoroso para criar tensão e drama, o quê muitas vezes soa frustrante, previsível e entediante. Por outro lado, mais ou menos do meio da temporada para cá, a série conseguiu ergue-se do declínio que vinha sofrendo desde da reta final da terceira temporada.
– A cena final, com Alicia olhando pro espelho e alguém batendo em sua porta, foi propositalmente semelhante a cena final do primeiro episódio da terceira temporada (quando Alicia estava esperando por Will nos primórdios do caso deles). Tudo para nos levar a pensar que seria Will atrás daquela porta. Coisa feia (e simplória), TGW.
– Tudo bem, Alicia continuará com Peter (e Alicia ama Peter), mas ninguém vai me convencer que aquela bela cena de Will e Alicia no carro foi apenas reflexo de uma obsessão sexual que Alicia tem por Will. Interessante que Alicia dominou a conversa mais uma vez e eles quase (quase) tiveram a esperada conversa sobre seus sentimentos e o quê fazer com eles, ficamos só na promessa de Will: “To hell with bad timing. We talk”. Deve ser mais uma coisa que vai pro limbo de The Good Wife, que costuma esquecer de vários enredos e acontecimentos que trás à tona, mas não nos dar uma resolução.
– Foi provavelmente a primeira vez que Grace encontrou Will, certo? E como sempre, lá estava ela suspeitando da relação da mãe com o advogado.
– Não é só amizade de Alicia e Will que foi pro lixo. A relação Kalinda e Cary também sofreu um baque. Sem falar da de Alicia e Kalinda e, especialmente, de Will e Kalinda, que foram esquecidas e colocadas de escanteio nessa temporada. O quê anda acontecendo?
– A história de Jackie e Cristian fica cada vez mais, mais… Alegórica (por falta de termo melhor). Mas ao mesmo tempo cada vez mais “quem se importa?”. O quê isso traz de interessante pra série? Bom, pelo menos não foi mais uma história que foi pro tal limbo… pelo menos por hora.
– O prefeito de Nova Iorque, Michal Bloomberg, fez uma aparição rápida no episódio, cumprimentando a vitória de Peter. Ponto para TGW, que já trouxe a chefe do Comitê Democrata Donna Brazile. (Bloomberg já apareceu em Gossip Girl também. Carol não tem preconceitos).





















