O único garoto vivo em New York.

Spoilers Abaixo:

Foi com grande expectativa que recebemos Alphas nessa segunda temporada. A série era uma promessa de qualidade, depois de uma primeira temporada correta e interessante. Ainda assim, sempre ficou faltando o fator “uau”, que ajudasse a transformar o programa em indispensável. Pois bem, querido leitores que precisaram aturar os meus atrasos… Alphas conseguiu o que pretendia e terminou seu segundo ano de uma maneira que tiraria do eixo até o mais cético dos fãs.

Começamos esses dois episódios, primeiro concluindo que eles formavam uma grande season finale, que reuniu os eventos principais da temporada de uma forma muito coerente. Vínhamos de crescentes estabelecidas ainda no ano anterior e tudo que ficou estabelecido nesse finale tinha a ver com os apontamentos de todo o decorrer dessa segunda jornada.

Não precisávamos enrolar mais… Era hora de colocar o plot Stanton Parish em perspectiva, de uma vez por todas, e resolver todos os conflitos relativos a isso. E foi o que foi feito.

Em Need to Know as bases foram estabelecidas. O “aniversário alpha” de Stanton representaria um iminente holocausto, que levaria a humanidade a uma nova realidade. De certa forma, os eventos desse episódio realmente funcionam como uma estruturação, que prepara tudo para o que vem a seguir. É muito interessante perceber que Alphas, aos poucos, foi perdendo sua característica procedural dupla, e virou, ainda bem, uma série de planejamento.

Rosen já tinha deixado muito claro que ia atrás de seu inimigo, e a partir de um certo ponto, essa passou a ser uma busca por vingança e não por justiça. Para isso, ele aliciou Hicks, enganou seus superiores, colocou Bill em suspenso e torturou um prisioneiro. Curiosamente, seus pupilos também arrotam a mesma prepotência, dispondo uns dos outros quando necessário. As maiores vítimas disso acabaram sendo Skylar (que no fundo é só uma ferramenta) e Kat, que tem suas falhas de memória usadas contra ela.

Como com quase todas as grandes histórias da humanidade, esse enredo parte de um antagonismo entre dois homens que se admiram. Eles são rivais, mas se admiram. Fazia todo sentido que o apogeu dela os reunisse de maneira particular. Need to Know, então, explode em uma sucessão de eventos trágicos, que não só colocam a equipe em divergência, como também selam o possível destino final de Lee Rosen.

Os aparelhos construídos por Skylar podem aumentar a capacidade alpha, mas também podem matar. Matar os humanos e matar os próprios alphas, se usadas em grande escala. O plano de Stanton, no entanto, não é matar alphas, mas sim deixá-los como força principal de permanência terrena. O que não parece muito claro ainda é porque ele acha que Rosen poderia tutorar essa nova perspectiva de mundo… Mas enfim, chegaremos lá.

Antes do Season Finale não podemos deixar de mencionar que tivemos duas grandes promessas de exploração que acabaram se perdendo. A primeira delas é Bill, que se anuncia no penúltimo episódio como um provável algoz da equipe, noção essa que fica pelo caminho conforme as coisas vão acontecendo. A outra é Mitchell, que embora ainda interessante, não teve o grande papel que eu esperava pra ele.

Quando Rosen é atingido em Need To Know, os roteiristas montam sua tragédia grega. É hora do grande herói buscar seu destino, e ele é ao lado do homem que lhe tirou tudo, até, possivelmente, a vida. Dispensaríamos a visão de Dani por toda parte, mas é compreensível o motivo pelo qual quiseram tomar partido dessas coisas. A jornada de Rosen não é pela salvação da vida humana, mas sim pela morte do assassino de sua filha.

A essa altura, a equipe já se reestruturou e voltou à bela dinâmica que sempre foi um forte da série. E vale destacar Kat que, como sempre, continua sendo uma presença luminosa no programa, apontando exatamente para aquilo que todos nós gostaríamos de apontar: a equipe tem sérios problemas de lealdade. Sua discussão com Rachel foi um dos grandes momentos do finale.

God’s Eye, o episódio final em questão, foi épico do início ao fim. E “épico” aqui não é só um adjetivo elogioso, é um apontamento de estilo mesmo. Partimos da jornada de um herói, que precisava atravessar a cidade, ferido, lidando com sua consciência presente, desvendando enigmas para chegar a conclusões geográficas, tudo para encontrar no final, o desafio derradeiro. Em volta disso, seus “soldados” travavam outras e importantes batalhas. Um épico, sem dúvida.

Como em todos os épicos, o vilão tem uma vulnerabilidade e Rosen descobre a de Stanton. Como em todo épico, o herói não segue em sua jornada sozinho, e Gary ressurge de uma participação apática na temporada, para um ótimo momento. Foi simplesmente fantástico que tudo acabasse convergindo para a estação central de Nova York, porque como nos grandes épicos, as batalhas finais acontecem em geografias emblemáticas.

Skylar descobriu uma maneira de salvar a cidade, mas não descobriu uma maneira de salvar a si mesma, e aos outros. Bom… É épico o exercício do sacrifício. Assim como também é condizente com os grandes enredos, que o herói desista de sua vingança, e condene o vilão à constatação de sua própria inferioridade. Rosen acerta, mesmo que não faça muito sentido passar por aquilo tudo, para desistir.

Mas os dois minutos finais desse Season Finale de Alphas, é que nos revelaram o quão fantástica essa série pode ser. E a imagem de Gary sozinho, andando pelos corredores da estação, pulando corpos, vai me acompanhar por toda esse intervalo entre temporadas. O que vimos foi um final estupendo, embalado por uma trilha sonora irresistível, e uma metáfora espetacular: No meio do episódio, Rosen elogia a capacidade única de Gary de ver o mundo. É como se não existe ninguém mais como ele, e algum tempo depois desse momento, realmente,  não existe.

Esperaremos pela terceira temporada de Alphas com orgulho. Fomos presenteados com uma trama recheada de qualidade, e estaremos aqui no ano que vem, em resposta a isso, leais como nem nossos amados personagens conseguem ser.

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