Sabe esse monte de séries veteranas que andam te decepcionando? Larga só uma e vem pra Alphas. Episódio simplesmente incrível!

Spoilers Abaixo:

Alphas tem uma coisa curiosa… Desde a primeira temporada que a série manteve um status específico. Ela nunca era maravilhosa, mas também nunca era ruim. Acho que exatamente por saberem que aquele era um tema perigoso, antes explorado e fracassado, que se mantinha certo equilíbrio narrativo onde a mediunidade era o melhor caminho para evitar enganos.

No meio disso, uma estabilidade qualitativa no que diz respeito ao texto e a certos personagens, como Gary e Nina. Essa, sendo o foco da semana, vem ao proscênio para o merecido reconhecimento. Nina sempre foi transgressora, selvagem, e como a que tem a habilidade de indução, mostrava um egoísmo latente o tempo todo, como se trabalhar para finalidades altruístas lhe corroesse por dentro constantemente.

Esse quarto episódio da segunda temporada resolveu mostrar o passado da personagem, um recurso cada vez mais usado pelos roteiristas de várias séries, com o intuito de aprofundar nossas impressões sobre eles. Começamos, então, a entender logo de cara que pra Nina não interessa o quanto os outros sofram, ela só quer que as coisas sejam do seu jeito.

Até o primeiro momento, no entanto, o episódio se apresentava apenas como mais um dentro daquela já citada estrutura mediana e equilibrada. Se Alphas merecia ser criticada, era, sobretudo, por sua relutância em ousar. Relutância que parece ter sido percebida e combatida, já que essa temporada começou com um tom de desunião que anunciava a turbulência.

Por isso eu fui pego de surpresa, porque não esperava por uma imersão tão grande nas motivações de Nina, que não só destrinchou suas mazelas, como interferiu diretamente em toda a zona de conforto do programa.

Um bom exemplo do quanto isso ficou claro é que os roteiristas separaram Rachel, a personagem menos intensa da série, para sofrer diretamente essa busca pela ousadia. Quem poderia contar com um beijo entre ela e Nina? No contexto da série, esse não é o tipo de coisa que veríamos, e exatamente por isso, é que pareceu tão certo. Não pelo beijo em si, mas pela manobra, pelo indício de que passou a valer tudo.

Esse beijo, apenas um dos exageros promovidos por Nina, que sai pela cidade barbarizando com suas induções. Quando a busca por ela começa, todos vão sendo afetados, numa sequência de boas escolhas impressionante, que fizeram a habilidade servir lindamente aos propósitos da trama.

Ela afeta Rachel pra se divertir, afeta Rosen para se livrar da perseguição, afeta Hicks pra ser seu escudo… E cada uma dessas pessoas, surgindo num ponto específico do episódio, pra com pequenos clímaces, nos preparar para o maior deles.

Tommy aparece no início como uma espécie de gigolô decadente. A atmosfera do personagem era voltada pra isso. Pra acreditarmos que aquela era uma aproximação oportunista de um homem que se aproveita de uma mulher rentável.

O caráter da Alpha se forma definitivamente quando fica claro que Tommy era só outra de suas vítimas. É interessante notar que mesmo com um trauma como o de provocar a morte do pai, Nina não consegue refrear o impulso de determinar o prevalecimento de sua vontade. Mesmo que o roteiro tente nos induzir a enxergar tudo como o reflexo de uma alma solitária (a cena no reflexo da janela do carro, por exemplo), de fato, Nina é leviana e cruel com quem cruza seu caminho.

Se estava bom até aqui, ficou melhor. Toda a sequência da tentativa de suicídio da personagem foi tão boa que deu vontade de levantar e aplaudir. Havia uma segurança e um cuidado da direção que impediram qualquer propensão a vermos tudo aquilo como um exagero visual. A atitude de Hicks convém com sua habilidade e junto com discretos e eficientes efeitos especiais, a cena acabou sendo poderosa e aflitiva.

Kat, de volta e amém, adentra o escritório de Rosen e coloca um disco na vitrola. A belíssima canção (que quem souber a origem, diga nos comentários) serve de fundo para um encerramento intenso e emocional. Kat, aliás, é a personificação de um paralelo com a relação de Rosen com Nina. Ela também parece ser levemente transgressora e sua habilidade também representa a ação direta do interlocutor. Cheguei a pensar que Nina morreria mesmo justamente por causa do retorno da loirinha.

Vendada, Nina tem sua última aparição no episódio. Outra boa tacada do roteiro. Daqui por diante, eu não poderia estar mais otimista e confiante. Alphas parece ter amadurecido muito, e estamos prontos para colher os frutos disso.

Alpha Moment: Falando em fruto, a “fruta” de Gary seria uma banana? Ele tem aparecido pouco, mas está sempre ótimo.

Alpha Moment: Rachel faz nojinho quando vê a cicatriz do John. Ele fica magoadinho e o romance praticamente grita sua chegada.

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