Uma boa coincidência, os últimos episódios de Young Sheldon trataram de formas diferente de um mesmo tema: maturidade. E foi justamente isso que a série conseguiu mostrar com essas duas histórias, que conseguiu se estabelecer, conhecer seus personagens. As interações entre eles estão cada vez mais harmônicas e o show funciona como um carro muito bem alinhado e balanceado.

Em “Potato Salad, a Broomstick, and Dad’s Whiskey”, o dilema de Mary entre aceitar o trabalho dos seus sonhos e cuidar dos filhos é algo relevante até os dias de hoje e foi bom ver algo do cotidiano de várias famílias ser usado como catalizador para os acontecimentos do episódio. A dúvida sobre eles estarem maduros o suficiente para se cuidarem é sempre relevante e foi muito bem usada.

A ideia de deixar Sheldon e Missy sozinhos em casa ao melhor estilo Esqueceram de Mim foi maravilhosa. Esses dois juntos são sempre sensacionais e tendo o tempo de tela para provar isso eles são insuperáveis. Simplesmente tudo o que eles fizeram em casa funcionou. Do medo do desconhecido, passando pelo encontro com Meemaw e chegando à gravíssima situação de vida ou morte com a farpa fluiu muito bem e tanto Sheldon quanto Missy tiveram várias chances de brilhar.

Missy estava especialmente afiada, com suas falas rápidas sempre prontas para atacar. O melhor foi que os problemas enfrentados pelos dois não soaram forçados e pareceram algo normal que duas crianças enfrentariam no seu primeiro dia sozinhos em casa. O medo de entrar no quarto dos pais e a chance de fazer coisas que não podiam por estar sozinhos, tudo isso são situações bem fáceis de se relacionar com. E eles conseguiram se sair muito bem na missão, diga-se de passagem.

Se em um lado tudo funcionou, do outro as coisas foram esquecíveis. Não poderia me importar menos com os problemas do pastor e trocaria todo esse por mais tempo dos irmãos em casa. As reações de Mary foram ótimas, mas conseguir manter o interesse em nos problemas de um personagem aleatório é difícil. Melhor seria ver Mary usando o pastor como orelha do que o inverso.

Mas se Sheldon estava pronto para ficar em casa sozinho por algumas horas, nada podia prepara-lo para sua primeira decepção amorosa. A forma como “Dolomite, Apple Slices, and a Mystery Woman” foi construído foi impecável. O episódio fluiu de uma ótima maneira e tudo deu muito certo.

O surgimento de Libby como alguém com um intelecto próximo ao seu fez Sheldon pela primeira vez encontrar alguém que o fez se interessar em construir uma relação de amizade. Com Tan ele parece ter uma amizade mais por conveniência do que por pelo interesse real no amigo. Libby era diferente, ela era alguém com uma mente parecida com a dele. A personagem é muito boa, e eu esperava que eles passassem mais tempo na fase da amizade antes de tudo ir para onde foi.

Todos os momentos dos três juntos foram muito interessantes e tivemos a chance de ver Sheldon agindo naturalmente e interagindo bem com outras pessoas. Foi divertido também ver Tan e suas tentativas frustradas de flertar com Libby, ele não leva jeito nenhum pra isso e foi tudo bem mostrado.

Foi bonitinho ver a admiração de Sheldon se transformando em crush aos poucos, com o interesse mútuo pela ciência, chegando a alguém que o protegeria quando ele precisava. Foi triste ver seu coraçãozinho ser destruído, mas era algo que obviamente ia acabar acontecendo. Foi bom, ainda, ver de onde surgiu o desdém de Sheldon pela geologia, quem vê TBBT sabe que o trauma é real. A última cena com Mary foi ótima também.

Falando nisso, precisamos discutir a cena onde George fica estranho ao ver que a namoradinha do filho é negra. Acho importante a série mostrar essa reação pois é um retrato não só da época em que se passa a série, como do local onde tudo ocorre. Era algo que poderia ter rendido bastante se a série tivesse ido um pouco mais devagar com essa história. Muita coisa boa e uma discussão relevante poderia ter saído daí.

Com mais dois episódios fortes, Young Sheldon mostra que é precoce assim como seu protagonista e que conseguiu amadurecer bem rápido, achando sua melhor forma bem rápido e se mostrando genial semana após semana. Só vamos esperar que a série esteja emocionalmente pronta para se manter assim por um bom tempo.

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