Estamos em um processo de evolução ou indo completamente na direção oposta do que seria uma evolução? Years and Years fecha seu ciclo de quinze anos respondendo esta pergunta com um capítulo seis que encerra e ao mesmo inicia sua narrativa.
O episódio começa com um poderoso discurso de Muriel, que afeta não só os personagens presentes na trama, mas seu telespectador também, tudo que recebemos é parcialmente culpa nossa, demos poder àqueles que insistem em destruir o nosso meio ambiente, tomam decisões pensando apenas em seu bem-estar e lucratividade. É nossa culpa que o mundo esteja se tornando isso, pela falta de empatia, consciência ecológica e senso crítico mesmo. A série está uns anos à frente e podemos ver como não falta muito para que a situação fique cada vez pior, é um aviso.
Desde aquele momento ficou óbvio que o ciclo de cada personagem se fecharia naquilo que Muriel apontou, o que estamos fazendo para tornar o mundo melhor, para ajudar o próximo e assim cada Lyons foi encontrando sua resposta.
Bethany possuía um grande dilema, entregar o que seu pai fez a Viktor, correr o risco de perder seus equipamentos (parte dela mesma, não sei muito bem dizer), por serem propriedade do governo. Eventualmente ela consegue contar à Edith e Celeste. Achei a dinâmica deste arco muito bem trabalhada, cada um teve uma papel essencial para desempenhar, o que aparentemente deveria ser um resgate de Viktor dos campos de concentração na verdade era algo muito maior, um plano para expor aquele ato desumano. É engraçado pensar que os cidadãos ficaram chocados aos descobrirem o que acontece “às escondidas”, entretanto foram eles que colocaram as pessoas que fizeram isso possível no poder, eles elegeram Vivienne Rook sem nem saber exatamente o que ela queria. Esta que teve um final insatisfatório, mas ao mesmo tempo realístico se pararmos pra pensar em toda a construção da série, Vivienne Rook não era nada mais que uma peça neste grande esquema.

Outro ponto interessante foi a dinâmica criada dentro dos campos de concentração, como seres humanos têm de se adaptar rapidamente a situações que fogem do senso de liberdade que temos hoje em dia, mesmo que em ficção, a série traz um reflexo do que teremos logo à frente, o que já é algo existente atualmente nos EUA com os imigrantes que ficam presos nos centros de detenção.
Stephen continua sendo irritante ao meu ver, mesmo depois de seu arco ter se fechado, entendo toda sua dor e como sua vida teve diversas mudanças drásticas com o passar dos anos, mas isso não dá o direito de fazer o que ele fez, até o fato de ter voltado com Celeste me faz ficar um pouco incomodado, é o arquétipo de homem que acha saber tudo sobre todas as coisas, erra de forma ridícula e eventualmente passam a mão em sua cabeça, mas se até Edith o perdoou, irei deixar a série de consciência tranquila. A cena que ele tenta se matar foi comovente e muito bem interpretada, atuações incríveis não faltam em Years and Years.
Agora de todos os Lyons, o membro deste clã que teve o arco mais fraco para mim foi Rosie, acredito que seu papel na série seja o arquétipo de personagem que idolatrava Vivienne Rook por suas fortes opiniões e que percebe o quão prejudicial a política era, a cena de virada da personagem foi boa e convenceu, mas se compararmos a todo contexto e momento que os outros personagens estavam, acredito que esperava algo um pouco mais impactante, mas não é algo que incomoda de forma alguma, pois a personagem permanece coesa ao que lhe foi proposto desde seu início.
A série trouxe em seus seis episódios temas que assolam nossa sociedade, desde avanços tecnológicos, atentados terroristas, catástrofes ambientais, crises econômicas, guerras e consequentemente refugiados e imigrantes que sofrem com as mesmas, é muito interessante como cada episódio é um espetáculo por si só, funcionam de forma independente e conseguem construir ao mesmo tempo uma narrativa coerente e contínua, o que só acrescenta pontos positivos a esta minissérie maravilhosa.
Como já previsto desde seu segundo episódio, Edith está com os dias contados, neste plano (?) pelo menos, estamos olhando diretamente para a evolução, o ser humano evolui, espero que sim, mas qual será a próxima fase? A montagem final da série é linda, sensível e poderosa. Terminamos sem saber se Edith conseguiria ser a primeira transhuman, mas acredito que este seja o ponto de Years and Years, não precisamos saber, a narrativa se fecha e abre para um novo capítulo, que não veremos, mas podemos imaginar, as barreiras existentes hoje logo serão superadas.
> EUPHORIA, o que foi aquele final??
A série é um prato cheio, uma mistura de Black Mirror com o cotidiano de uma família e todas as suas nuances, desde suas felicidades até suas tristezas, acompanhamos uma jornada de questões sobre o que irá acabar com o mundo: a tecnologia ou a ganância dos seres humanos. Com um final extremamente satisfatório somos deixados com a pergunta que nos acompanha em todos os finais desses seis capítulos até então: o que acontecerá em seguida?















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