O mundo muda, mas as pessoas não, e Years and Years expõe isso em todos os seus núcleos. Começamos com mais um discurso baseado em senso comum de Vivienne, sobre como pessoas são burras para votar e que todos deveriam fazer um teste de QI antes de exercer seu papel de cidadão, é engraçado ver os Lyons escutando as asneiras desta mulher em conjunto como uma tradição familiar e uma prova de que ela diz as coisas feitas para todos concordarem ou se questionarem no mínimo é que, como apontado por Rosie, até Daniel já disse que as pessoas votam sem conhecimento, sendo ele o que mais despreza a candidata.

As tecnologias avançam, mas as pessoas não e isto é evidente em personagens como Stephen, que é o que mais me incomoda, a crise financeira de sua família, sua mudança de carreira e dificuldades em se comunicar com a esposa o levam a fazer a mesma coisa que seu pai, trair. Acredito que Stephen, dos quatro Lyons, seja o mais afeiçoado ao pai, apesar de tudo, tanto que a morte dele acaba afetando o irmão mais velho de forma mais profunda. Fico muito triste por Celeste, a cena final mostrando como ela descobriu e que não ligou para seu marido, mesmo com toda a crise com sua filha, pois sabia que ele estaria com a amante foi de partir o coração.

Falando na filha deles, Bethany cai no golpe mais desumano possível, o da esperança. Se hoje temos cirurgias estéticas clandestinas, numa sociedade com avanços tecnológicos com certeza existiriam pessoas aplicando tais golpes, é um pouco desesperador, porém real, saber que o ser humano pode ter todos os avanços possíveis, mas ainda uma falta de humanidade inacreditável, entretanto esse é o objetivo evidente da série.

Voltando à falta de humanidade, a situação de Viktor se torna mais complicada, o quão tenso fiquei com aquela cena em que a polícia invade a casa dele, como o próprio Daniel diz, estamos quase em 2026 e ainda vivemos isso, mostrando a luta diária de sobrevivência de minorias em todos os lugares do mundo, principalmente nestes com o pensamento tão atrasado. O reencontro dos dois consegue aquecer meu coração, mas alegria dura pouco e parece cada vez mais distante a paz para o casal, pelo menos por enquanto Viktor está seguro. O Russell atuou tão bem neste episódio, o desespero era mútuo com o personagem.

Outro reflexo da sociedade que temos, são os falsos moralistas, como Rosie, o momento em que Daniel explica detalhadamente a situação de Viktor e ela responde: “Ah, que bom, mande minhas lembranças” chega a ser revoltante, mas o que podemos esperar de alguém que apoia Vivienne Rook? Esta que inclusive começa a agir aos poucos, só dar entrevista para o seu canal foi muito esperto, a questão é que ela não precisa ser uma boa política, apenas ter uma boa campanha de marketing.

O grande acontecimento do episódio foi a morte do pai dos Lyons e como isso afetou cada um dos filhos, a cena do velório, desde o viés cômico com o meio irmão “Steven” deles, até toda a mágoa e amor que eles tinham pelo pai, quando perguntam à Edith o motivo pelo qual a irmã mais velha não voltou para o funeral da mãe e a resposta foram coerentes com quem a personagem é. O modo como Edith age é muito inteligente, toda a cena da invasão com Lincoln é muito sútil e funciona bem, tivemos até mesmo Muriel dizendo que estava estranhamente decepcionada com a neta, pois sempre esperou o extremo dela, além de seu adeus ao ex-genro, mas a participação da matriarca neste episódio consistiu nisso.

Esse foi o episódio mais fraco até agora, mas que encaminha a série para onde deve ir. Foi um pouco parado e com um final ruim, diferente dos anteriores, porém, a cena do Stephen atropelando a bicicleta por lembrar a forma como seu pai morreu foi um tanto sem sentido e eu queria que apenas tivessem cortado do episódio. Mesmo assim acredito que podemos relevar, pois talvez eu só esteja irritado com qualquer coisa que o Stephen faz mesmo e o episódio terminar sem gancho e um pouco frustrante.

REVISÃO GERAL
Nota:
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years-and-years-1x03-chapter-3Esse foi o episódio mais fraco até agora, mas que encaminha a série para onde deve ir. Foi um pouco parado e com um final ruim, diferente dos anteriores, porém, a cena do Stephen atropelando a bicicleta por lembrar a forma como seu pai morreu foi um tanto sem sentido.