Quando a vontade do rei é absoluta.

A maior reforma política que a Inglaterra já viu é abordada nessa terceira parte, provando que os desejos de Henry VIII sempre conseguem ganhar. A dissolução e separação da fé católica e excomungação da Inglaterra foram meras consequências da vontade de Henry, nada era mais absoluto na época do que ser o chefe da igreja em seu reino; não era o que ele queria, continuou católico até o final de seus dias mesmo excomungado, mas trouxe os resultados desejados.

Everything that you are, everything that you have, will come from me”

– Henry VIII

Foi bem característico do Henry não enfrentar a esposa e filha, mandando Cromwell ao invés disso,  este mostrando a influência que cada vez mais ganhava com o rei; Thomas, Mary e Catarina conseguiram fazer uma boa cena, concreta e concisa. No entanto a princesa foi retratada ridiculamente, não existem relatos dela ter sido dessa maneira retratada e apesar do que enfrentou na saúde, Mary não tinha sequelas ou danos.

Reformas são delicadas e o parlamento inglês sempre foi mais ativo do que nos outros reinos. A nova proposta foi claramente dividida pelos católicos fervorosos contra e os hereges ou que não ligavam pra religião a favor, a posição corporal e presença do Henry foi o suficiente para impor o medo que ele causava por ser volátil e imprevisível; suas frustrações o transformaram do generoso e amoroso rei ao implacável e instável, Damian começou a agir mais como tal personagem apenas agora.

É um jogo perigoso tramar com Anne, mas Cromwell não se importa muito e apesar disso é interessante e divertida a cena dos dois sobre o rei, More e Jane. Logo após, More aparece e mostra mais seu personagem, seu combate a heresia foi discreto em comparação ao que veio pela Europa e a conversa com Cromwell foi até civilizada; inclusive o que More disse fez sentido, a fé do Cromwell poderia ser facilmente negociada se lhe trouxesse vantagem.

Percy é um obstáculo a ascensão de Anne e depois desse problema o rei não parece tão aflito em ajudá-la. No entanto Cromwell já é um aliado e soube consertar o problema Percy de uma forma semelhante a Wolsey sem metade de seu poder ou influência. Cromwell sempre foi manipulador, mas após a morte do cardeal ele se permitiu abusar mais da sorte e fazer de tudo pra chegar ao topo.

Henry era imbatível em suas ordens e ninguém poderia persuadi-lo, mas ele era influenciável por Anne assim como foi por Catarina. Sua aproximação com Cromwell e afastamento de More foi proporcional a sua frustração com o Papa e seu status matrimonial. A popularidade da causa da rainha Catarina era lógica – como uma das monarcas mais generosas e caridosas da Inglaterra, além da aliança com a Espanha e o ISRG – e More era inegavelmente a favor dela, contrariando Henry.

A conquista de Calais era um orgulho para Henry que sempre quis clamar a França como parte do seu reino – mas acabou deixando de lado a reivindicação legítima por sua preocupação com seu herdeiro – e foi interessante mostrá-lo visitando o território. Dessa sequência também surgiu um dos plots mais interessantes do episódio, a comprovação de que Anne realmente era a pessoa certa a se aliar; Cromwell soube desde o início.

É divertido ver que Anna se considera no direito, tanto quanto o rei, de flertar e tomar amantes e essa foi uma ideia bastante progressista que acabou por ser sua ruína; a diferença nas relações extraconjugais não existem, exceto quando você contraria um rei. Cromwell agiu rápido e parece cada vez mais firmar sua aliança com os Bolena.

O casamento e a coroação de Anne passaram rápido e a reforma anglicana foi quase completamente deixada de lado, entretanto funcionou bem para o enredo e o foco em Cromwell. A dama de companhia e seu comentário sobre Catarina foram ótimos, o amor pela rainha era imenso e Anne nunca foi páreo; ela fez um argumento ácido, mas extremamente apurado e Anne mereceu ouvir cada palavra.

They love her because she is the daughter of two anointed sovereigns. They’ll never love you like that Madam”

Com pouco tempo até o fim de Anne, o enredo parece caminhar lentamente não definindo até qual período vai antes de encerrar sua história. Cromwell deveria ser o foco, mas Anne consegue sobressair-se em meio às tramas relacionadas e Henry não tem o apelo ou a força característica do personagem. Sendo uma boa história, falharam em empolgar mesmo não precisando do menor esforço para isso por se tratar de uma das mais fascinantes partes da história britânica.

Act 1: o temperamento de Anne não combina com o de Henry, não é de se estranhar que ela acabou morta em tão pouco tempo.

Act 2: a vida pessoal do Cromwell cada vez preenche mais o episódio sem uma função concreta ou que interfira na trama principal.

Act 3: esse “romance” entre Mary e Cromwell é muito estranho. Completamente desnecessário.

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