
E agora?
Spoilers Abaixo:
Existem momentos de uma série que podem mudar todo o seu destino. Em geral, isso acontece quando a produção toma uma decisão que cria uma situação em que ou algo muito bom pode acontecer ou um desastre completo arruinará seu futuro. Por se tratar de algo geralmente ousado, acontece com mais frequência em finais de temporada, conhecidos por trazer acontecimentos impactantes. Nesse aspecto, White Collar teve um momento em que tentou mudar seus rumos sem grande sucesso, no final da terceira temporada. Agora, com este In The Wind, a série tenta de novo abordagem semelhante, desta vez mais explícita e direta, mas sem metade do brilho do season finale anterior.
O roteiro do episódio, escrito pelo próprio Jeff Eastin, tenta desde seus primeiros minutos trazer acontecimentos que façam com que a história tenha um aspecto de final de temporada, como a série costuma fazer. Para isso, finaliza a trama envolvendo James, finalmente mandando Neal e Peter ao Empire State Building para buscar a caixa de evidências, contando com a ajuda de Sara, que tem passado os dias na casa do namorado enquanto não se muda para Londres. Pratt, como não poderia deixar de ser, faz de tudo para evitar o fato, chegando a se locomover para New York a fim de impedir a aventura de James.
É evidente que Pratt é o vilão mais fraco já criado por White Collar. Nem tanto por suas atitudes ou motivações, mas pela falta dela. Eastin demonstra uma preguiça pouco habitual em torná-lo atraente ou mesmo em fazer o espectador sentir de fato a ameaça que os protagonistas sofrem por conta da presença dele. Pelo contrário, sua passividade faz a vida de Neal e Mozzie parecer muito mais fácil do que em outros tempos, mesmo com as batidas tentativas de criar artificiais dificuldades, como quando eles tentam clonar seu cartão de entrada.
Assim como a grande surpresa da temporada: o fato de James ser o verdadeiro vilão da história. É verdade que White Collar faz um bom trabalho durante praticamente toda a temporada em não tornar essa reviravolta muito óbvia, mas In The Wind atira a sutileza ao vento – com o perdão do trocadilho – para deixar evidente que o pai de Neal é diferente do que aparenta ser. Tudo isso torna o momento em que isso finalmente é revelado um grande anticlímax, se transformando apenas em uma constatação do óbvio. Aliás, a quantidade de plot twists que a série utiliza durante o episódio chega a ser assustadora, e uma desesperada tentativa de causar impacto. Mais que isso, deixa diversas pontas soltas que White Collar não costuma deixar, limitando-se sempre a deixar o necessário escapar para a temporada seguinte.
É nesse ponto que entra o romance de Neal e Sara. É curioso como esse arco se revela extremamente instável ao longo do episódio. Não fosse a maneira repentina com que a série trata o casal em The Original, todo o romance envolvendo o falso pedido em casamento teria muito maior impacto. A química entre Matt Bomer e Hilarie Burton é inegavelmente grande, e a cena em questão de fato traz um quê de emoção que a série não vinha tendo há algum tempo, mas a pressa do roteiro em resolver a situação dos dois faz com que tudo perca sua força, já que ainda somos forçados a engolir o reatamento tão artificial dos dois.
É claro que In The Wind é extremamente feliz em estabelecer o que faz de melhor: o relacionamento entre Neal e Peter. Nesse aspecto, é interessante que White Collar tenha deixado no episódio anterior a ideia de que o segundo é mais um pai para o protagonista que James, já que aqui o que vemos é a concretização desse fato. Assim, vê-los agindo como verdadeiros parceiros até mesmo na aplicação de golpes é bastante relevante. Aliás, isso faz com que aquilo introduzido na terceira temporada faça sentido, quando Kramer afirmara que Peter eventualmente se deixaria levar pelas habilidades do amigo. E isso é visível em pequenas situações como quando ele se empolga pelo fato de Mozzie ter um clonador de cartões. Assim como em diversos pontos da temporada vimos Neal se comportar como um verdadeiro homem da lei.
Obviamente existem certos aspectos envolvendo Peter que não funcionam, já que In The Wind é um episódio essencialmente instável. Em especial a forma como ele aceita passivamente o fato de Callaway praticamente se denunciar para ele, mostrando uma falta de tato completamente incompatível com sua personalidade e com tudo que já foi mostrado sobre ele. Depois, isso se revela como mera desculpa para que Hughes entre em cena, o que também se mostra completamente desnecessário, já que o ex-chefe da White Collar Division tem participação curtíssima que não acrescenta absolutamente nada.
Mesmo assim, quando White Collar finalmente dá seu desfecho para a trama principal dessa temporada, cria um final quase poético, considerando-se todos os acontecimentos anteriores. É curioso que Peter termine preso por um crime que não cometeu quando passou meses tentando impedir uma injustiça semelhante, ainda que não fosse verdadeira. O que não deixa de ser impactante diante de uma temporada pouco produtiva nesse aspecto.
No entanto, a decisão de iniciar a quinta temporada com esse tema pode ser aquilo que movimentará tudo em White Collar e fará a série sair de sua zona de conforto, mas também pode criar um arco mal-sucedido, como o que inicia essa temporada ameaçou ser. Em outras palavras, apesar de a intenção de Eastin ser de causar certo agito e tensão entre os personagens, e conseguir isso até certo ponto, a ideia soa como uma tentativa que White Collar não precisava fazer no momento. É o típico momento muito bom e muito ruim ao mesmo tempo, ultrapassando uma perigosa linha para qualquer série.
O que torna In The Wind o pior season finale que White Collar já fez. O que não é um grande demérito, já que a série é conhecida por criar finais de temporada bem construídos. No entanto, não deixa de ser emblemático que este episódio encerre um ano tão irregular por parte da série.





















