
Previously on Weeds
Na última temporada de Weeds acompanhamos a fuga da trupe por todo o país depois que o Shane matou a Pilar. Com medo tanto do FBI quanto do próprio marido, Esteban, a Nancy fez o que podia e o que não podia para deixar sua família a salvo (contando sempre com um pouquinho de sorte, é claro). No fim das contas não teve jeito e ela optou pelo plano C, que consistia em assumir a culpa pelo assassinato de Pilar e confiar ao Andy a vida de seus filhos mais velhos em uma pacata vida na cidade de Copenhagen.
Spoilers Abaixo:
A temporada começa, então, três anos mais tarde e vemos que nossa MILF cumpriu pena numa prisão em NY (o que não faz muito sentido já que ela foi presa em Michigan – mas tem tanta coisa mais abstrata acontecendo que é melhor a gente não se ater a isso). Sua audiência é de causar vergonha alheia sem limites, com direito a brincadeirinhas super infantis e uma forçada ridicularização do sistema criminal americano. Se eles queriam zoar com esse tema, quem acabou saindo ridicularizado foram eles mesmos, um texto raso e desnecessário – poderíamos muito bem começar com a cena seguinte ou ainda uma depois dela.
Conhecemos, então, Zoya, a companheira de cela da Nancy, uma russa até bonitinha que fez da sra. Botwin sua verdadeira putinha. Eu ouvi muita gente falando que era uma trama completamente forçada, que ela nunca teria um relacionamento lésbico, mas tenho que discordar. A Nancy é e sempre foi um camaleão, levando o conceito da seleção natural até as últimas conseqüências. Além disso, acho que ficou bem claro, quando ela teve aquela conversa com a guarda sobre os antecedentes criminais de sua amante, que aquilo jamais iria continuar do lado de fora da prisão.
Eu acho melhor nem comentar quão ridículo foi toda a situação dos garotos na Dinamarca. Só tenho dó do ator que faz o Shane. O personagem tinha tanto potencial nas primeiras temporadas e agora está completamente over, terminando um “relacionamento” com a Renata e fazendo shows de marionetes de bonecos pelados nus e sem roupa. Eu nunca gostei do Silas mesmo, então foi até bom o Shane não ter comprado passagem de avião pra ele voltar, deixem aquele mala continuar trabalhando como promoter de água de fruta. Em três anos o Andy não desenvolveu nem um pouco! Continua sem saber o que fazer (nesse tempo todo ele nem pensou no que fazer quando a Nancy saísse? Fala sério!) com um plot que eu realmente espero nunca mais ouvir falar (como se a criação de um novo país fosse a coisa mais banal do mundo). O único que me fez rir, ainda que de leve, foi o Doug passando roupa e espirrando a aguinha com a boca por falta de materiais adequados.
Matar o Esteban foi um golpe baixo. Não que eu me importasse com o personagem, mas foi a saída mais simplista, um roteiro fraco. O meio pelo qual se transmite uma história TEM que ser considerado. Se fosse em um livro, talvez eu aceitasse de forma mais fácil, mas isso é TV dos anos 10, minha gente! Não dá mais para você sentar dois personagens e deixar que eles contem o que aconteceu no meio tempo. Além de não nos mostrar como as coisas aconteceram, desenvolver uma história por trás do assassinato, ainda nos fazem perder o tempo do próprio episódio que só não ficou mais arrastado por causa da troca de roupa dessa linda mãe de família.
Depois de uma pequena procura numa sauna (não vou nem entrar no fato daquelas pedras estarem ali sabe-se Deus a quanto tempo e nunca terem sido trocadas) a Nancy então encontra a chave, da Zoya, para um carro (que ela também encontra sem dificuldades) e descobrimos que, é claro, ela não ficou parada por três anos e já conseguiu uma nova maneira de colocar o seu padrão de vida no nível que era antes de perder o seu marido, em Agrestic. Com uma música empolgante e uma atuação maravilhosa da Mary Louise-Parker, descobrimos uma mala cheia, não de drogas, mas de armas. A paradinha que ela faz depois de arrastar a mala por um “degrau” foi deliciosa e me fez, novamente, ter esperanças de que a série não está completamente perdida – ainda que ela nunca mais volte ao elevado padrão de qualidade das três primeiras temporadas.













