O canto do cisne?

Spoilers Abaixo:

Road To Trip foi uma grata surpresa, em relação ao que Vegas vinha apresentando. Em geral, os episódios têm bastante subtramas, paralelas ao famigerado “caso da semana”. A diferença, aqui, é que nenhuma destas tramas significou uma quebra no ritmo do episódio. Houve satisfatória coesão, costurando um ritmo que não decepcionou.

As farras do garoto Dixon desta vez o levaram a estar no local e hora certos – a piscina da Savoy – onde ele salvou uma moça que se afogava. A moça era Fay Binder, cantora do Teentastics, grupo musical formado por irmãos e agenciado pelos pais (qualquer semelhança é (?) mera coincidência!).

Os exames médicos indicam traços de veneno de rato (!!!) no material regurgitado por Fay, havendo a suspeita de envenenamento proposital. Aclamado como herói pela moça, Dixon – pela primeira vez – é incumbido pelo pai de dirigir sozinho uma investigação. O rapaz foi bem-sucedido ao desvelar o emaranhado que era as disfuncionais relações no seio da família Binder, encobertas pela máscara sorridente de “família feliz”. No fim, Fay passa de vítima a celebridade-atormentada-mentora-do- crime.

Savino e seus capangas Cota e Red passaram poucas e boas. Tudo porque eles foram ao meio do deserto buscar um carregamento de caça-níqueis provenientes de Havana e devidamente clandestinos. Só que o carro quebrou e eles ficaram a pé, torrando sob um sol inclemente, até conseguirem a carona de um fazendeiro e sua filha. O roteiro tentou estabelecer uma conexão entre Savino e a menina (ao trabalhar uma aproximação entre eles que foi interrompida quando a menina viu que se tratava de um homem do crime) que funcionasse como metáfora para sua relação com as filhas, que estão distantes.

O atirador Jones reapareceu. Ele consegue escapar da prisão e Katherine e Ralph se dedicam à sua captura neste episódio. O cara é duro de pegar e armou um salseiro imenso (vide cena da criança presa no carro prestes a cair no precipício).

Porém, o “filé” do episódio não foi nenhuma destas tramas, mas o confronto entre Jack Lamb e Johnny Rizzo. Confronto este –ressalte-se – magistralmente armado por Savino, apostando que o cowboy levasse a melhor sobre o mafioso. Atraído por um falso pedido de socorro, Jack cai numa emboscada e é bizarramente torturado (à base de choques com um aguilhão de gado). A sequência de ação redunda no assassinato de Rizzo por legítima defesa.

The Third Man traz o desenrolar desta morte. Jack que sempre foi bom moço agora passa a assassino do pai da mulher que ama e precisa ocultar este fato não apenas dela, mas de Ralph e Katherine, que conduzem a investigação. O dilema é tanto, que leva o cowboy a forjar provas do processo, adulterando a informação das suas impressões digitais.

Cabe a Jack também dar a notícia à Mia, que aceita a proposta de Savino de voltar ao Savoy, pois crê que ele foi o mandante do assassinato do pai.

Dixon continua em alta, investigando uma quadrilha de desmanche de carros! Com direito a se infiltrar (ou melhor, tentar) na organização. Neste episódio, tivemos mais de Ralph, interagindo com o filho neste caso; aliás, foi ele que estava com os feelings certos que levaram à resolução, mostrando ao menino Dixon a importância da experiência!

Vegas apresentou uma melhora satisfatória nestes dois episódios. Confesso que não consigo atribuir relação de causa e efeito que explique (embora se livrar de um personagem chato como o Johnny Rizzo talvez tenha auxiliado). Simplesmente, os elementos deram “mais liga”, funcionaram melhor. Seria este o “canto do cisne” de Vegas, tendo em vista que a audiência vai cada vez pior?
Bem, é fato que os desdobramentos da morte de Rizzo trazem um gás para a trama: não só por situar a história de Jack e Mia em outro patamar, mas porque remove o principal obstáculo aos planos de Savino. Quem viver permanecer, verá!

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