
O sentido cômico e disfuncional que inspira seriedade.
Spoilers Abaixo:
Enquanto a série caminha cegamente nos trilhos, ao invés de cativar seu público, ela se perde entre a fraca ligação com a audiência e o cuidado aplicado apenas em alguns personagens.
Chris é o personagem mais incoerente da série. Quanto mais ele aparece, mais as suas ações são injustificáveis e as seus trejeitos soam exagerados. Numa comédia isso é viável, mas numa série que compreende essas relações humanas, por vezes tão reais, é se esforçar demais para gerar o acaso.
Tirar sarro da vida não é fácil. A identificação com a audiência deve ser instantânea. Para isso, dramas familiares precisam de um cuidado maior e o humor precisa se sobressair serenamente.
Quando a série opta por aprofundar relações e tirar disso algum humor, ela encontra o seu nicho. O melhor é que aqui a série uniu todos os personagens num núcleo, deixando as situações em primeiro lugar e permitindo que os excessos, no mínimo, não ofusquem os seus personagens.
Decido de que trabalhar com a esposa seria uma extensão da experiência em casa, Chris aceita o convite de Ava para participar do seu programa. Enquanto isso Ava recebe a visita do seu pai. Com a trama definida, a série absorve tudo e estabelece uma moral apenas no fim. Nesse caminho percorrido, Chris é dono dos melhores momentos.
O melhor é que até agora Reagan ainda é a mediadora e Chris é quem percorre entre esses dois mundos. O que não desmerece Reagan pelo papel exercido, só enaltece a sua importância na construção da trama.
Ava melhorou tanto que ela recebeu a sua versão com os parentes. Estou cada vez mais encantado com a personagem. Espero vê-la mais ao lado do Chris. Eles funcionam bem juntos.
1×22: Letting Go
O cuidado que a série tem com os seus protagonistas não é aplicado nos seus coadjuvantes. E isso é normal. O protagonista necessita da ausência ou carência do coadjuvante, senão ele acaba roubando o título e levando a atração nas costas. Ava teve inúmeras chances de despontar e chegar ao nível de Chris e Reagan, mas o roteiro insiste em afundar a personagem na mesmice e em tramas vagas e descartáveis. Normal?
O público não precisa desse senso sobre tudo. Essa é uma ferramenta dos roteiristas. Gostamos de ser enganados, e acreditamos mesmo quando tudo parece genuíno. Quando transparece, já cientes da enganação, refletimos sobre como chegamos até aqui. O que prevalece é o desejo de que Ava não seja apenas mais uma coadjuvante irritante, como eu achava no início na série. Agora eu posso ver um futuro para ela.
Letting Go é um episódio que ainda discute sobre a percepção que temos sobre o tempo e como ele realmente nos afeta. Cada personagem tem a sua própria versão de desapego e aceitamento. Um ciclo que só funciona com Chris e Reagan.
O maior exemplo é que para que a versão de Ava funcione ela precisa de uma trama criada ali, naquele episódio. O que Chris vivencia durante o episódio é resultado de vinte e dois episódios. Para Reagan, o mesmo. Ela é a mesma mãe protetora vista em qualquer episódio dessa temporada.
O roteiro funciona por oferecer ao telespectador ferramentas para melhor entender essas características, aqui sem maneirismo. O famigerado desenvolvimento fala mais alto: quando percebemos o apelo mais enfático, percebemos a necessidade de prosseguir. Nesse ciclo justificado, culminando numa cena belíssima entre Reagan e Chris, a série não se abala por dar adeus a essas características. Pelo contrário, ela deve retornar muito mais madura e confiante dessas mudanças.
Só uma observação: Vocês ficam até o fim do episódio?












