O retorno de “Under The Dome” após tantos meses da sua irregular segunda temporada deu-nos a impressão de que estávamos diante de uma atração que possuía mais qualidades do que defeitos. E óbvio que isso se dissipa a medida em que os dois episódios exibidos na última quinta-feira nos Estados Unidos vão passando por nossos olhos.

Em “Move On” uma espécie de atualização sobre o que aconteceu com a população de Chesters Mill após seguirem Melanie (o que se comprovou ser uma furada) por um mundo branco e cheio de material ectoplasmático*), vemos nosso querido Barbie trabalhando numa força paramilitar. De cara, o público não tem nenhuma explicação se estamos vendo um flashback cujo o tempo é anterior ao de Dale dentro do domo. Lá pelos 15 minutos do primeiro tempo (primeiro episódio) é que vemos que eventos estão acontecendo de maneira simultânea.

Pelo que fica claro, a redoma, o domo, o cerco integalático ou seja lá o que for, colocou os moradores da cidadezinha dentro de uma nova realidade, uma espécie de Matrix, para que eles possam corrigir seus erros, alcançar alguma espécie de redenção. Me lembrei muito de alguns episódios de LOST e fiquei pensando como o roteirista Adam Stein poderia se perder, assim como todo mundo que tenta ficar mexendo com questões temporais ou multiversos ou universos paralelos.

Se em “Move On” a gente fica meio que perdido com o que está de fato acontecendo, lá pelo final do episodio já deu pra perceber que Melanie não é a boazinha ressurreta que conheceramos na segunda temporada. Seu objetivo em enclausurar a todos não ficou claro além do tal purgatório a qual toda a população está sujeita obrigatoriamente.

Uma coisa incomoda bastante: o indulto solicitado por Sam, numa mudança de postura, como se lembrasse perfeitamente de tudo que ocorrera, sem um “passado alternativo” como ocorrera com Barbie e alguns outros, ficou capenga, sem o peso dramático que deveria. A figura de Christine (Marg Helgenberger) trabalhando como terapeuta da cidade é daquelas coisas que podem ter aparecido no livro (quem leu, por favor contribua no campo dos comentários), mas são meio chatas para a harmonia da história. Ela é boa atriz, mas ainda está perdida. Será que acha o tom? Assim como a tal da nova namorada do Barbie; a belíssima Eva (Kylie Bunbury) veio para um possível triângulo amoroso.

No final temos um memorial para homenagear os tantos mortos e perdidos neste processo até aqui pouco explicado. Foi um evento tão frio, que pareceu um ajuntamento cujo o único propósito era a morte de um personagem tão secundário, que sua importância só terá relevância mediante uma informação que ele traz e que depois, ao final do segundo episodio, perderá o sentido.

… Continuamos com sequências as quais nos perguntamos: precisava disso? Vamos lá. Big Jim acha Junior e Julia lá na escola pegando lanternas e escadas e simplesmente os amarra. Beleza. Para matá-los? Não! Para forçá-los sexualmente? Menos ainda! Para pedir perdão por tantas tolices que comprometeram a continuidade das desventuras da cidade? Também não! Sabe qual é a sequência: soltá-los, para que possam retomar às atividades antes de serem presos por ele. Pra quê, amigo? Se temos dois episódios, é sinal que temos bastante informação para os fãs da série. Só que não…

Depois, este mesmo atormentado Big Jim vai jogar na cara de Julia uma espécie de resumo do show: o domo está aqui para nos destruir. Essa coisa simplesmente se achou no direito de julgar a vida dos habitantes para lhes criar uma espécie de purgatório não-religioso. “Daqui eu não saio e daqui ninguém me tira”. E fica por isso mesmo! Dean Norris é o ator que mais respeito dentre os que estão atualmente por aí, mas vejo que nem ele segura mais a onda de interpretar sem saber para onde está indo. Sei que estou sendo repetitivo. Estou tentando ser coerente com o que vejo e infelizmente não é tão animador.

Mesmo com um objetivo bastante claro (trazer o ovo), não se sabe qual a importância realmente deste objeto para a proposta do domo, nem mesmo qual o simbolismo das borboletas na vida dessa gente. Ao menos eu pensava que elas tinham um significado positivo. Daí vem o pai do Barbie para entrar na redoma, depois de bater um papo com seus superiores e “ajudar sua filhinha”. O resultado? Bem quem viu, viu,quem não viu, saberá. “But, I´m Not” – o segundo episódio – é a consolidação do mapa. Tipo: agora que explicamos o que está acontecendo (?), vamos lhe guiando para os momentos mais tensos deste início de temporada.

Não bastasse que tenhamos assistido a um episódio que fala “all the time” que as pessoas precisam seguir suas vidas, a direção de UtD faz justamente o contrário, quando “puxa pra trás” as questões que Julia e Junior não resolveram, mais a amargura infinita de Big Jim, que chegou em um momento de tanto bolor, que tenta se satisfazer com uma cidade vazia, onde a presença de um cachorro lhe incomoda, como tudo sempre o incomodou quando sua autoridade lhe era ameaçada.

Confesso: UtD tem uma peculiaridade que não sei se anda acontecendo em outras atrações. Ao mesmo tempo em que identificamos problemas sérios, especialmente no que diz respeito à edição e direção dos episódios, vemos que existe um enorme potencial para recebermos além do que estávamos ansiando. Se não, veja que uma nova perspectiva nos foi apresentada. Passava pela sua cabeça que PERDÃO seria uma palavra tão importante para Chesters Mill pudesse limpar seus pecados, nada diferentes dos cometidos pela humanidade? Este tema me interessa.

Nas mãos de pessoas mais responsáveis, UtD teria uma coerência textual mais de acordo com a qualidade do seu autor (Stephen King) e poderia até garantir mais temporadas do que apenas uma, como noticiamos no ano passado.

Como sou brasileiro e não desisto nunca, estarei firme e forte aguardando por “Redux”, episódio que será exibido no próximo dia 2 de julho. E você, vai me acompanhar?

*Material ectoplasmático era como se chamava os restos mortais dos fantasmas atacados pela arma de prótons no filme “Os Caça-Fantasmas”

** “Under The Dome” tem a pior equipe de figurantes que já vi em todos estes anos assistindo seriados.

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