Faz tempo que escrevo sobre séries, música ou cinema. Talvez meu primeiro texto sobre qualquer uma destas categorias tenha sido lá por 2005 ou 2006. Ou seja, este ano completo uma década nesta tarefa de ver televisão com um olhar crítico, observando os detalhes que possam passar desapercebidos e também me divertindo, nem sempre na mesma medida. Faz parte. Não dá para adivinhar o potencial desta ou daquela série e dizer – categoricamente – que um show vai flopar ou vai ter uma hype pela eternidade. Eu, por exemplo, nunca apostei que Arrow fosse passar de duas temporadas. Este ano começa a quarta. Bom para os fãs do gênero.

Essa introdução é pra falar que, agora que me despeço desta tarefa árdua em analisar Under The Dome, fico me perguntando como tanta gente (incluindo eu por motivos diferentes) pode ficar refém de uma série que simplesmente esqueceu seus propósitos e exorcisou o livro do King, que segundo os leitores do SM, é maravilhoso? Não entendi porque seguir o próprio caminho e não buscar uma adaptação de um bestseller de um escritor tão concorrido e bem sucedido.

Eu não esperava que em pouco mais de 40 minutos UtD me desse tudo aquilo que não foi capaz em 3 anos de série. Cometou erros crassos de continuidade, daqueles que dá vergonha detalhar. Chamou bons/médios atores para compor um núcleo importante para o desenvolvimento do roteiro. Também desperdiçou este mesmo casting, criando plots patéticos, chamando atenção para situações, que em um argumento bem escrito e/ou adaptado, poderia fazer a diferença. Por isso eu peço licença a você leitor fiel do site, para não ficar preso à ridícula tentativa da CBS em chancear a oportunidade dos roteiristas darem continuidade ao show, como ficou claro neste recorte de “The Enemy Within”. Sim, o final ficou em aberto e eles esperavam que a série fosse renovada. Raios!

Então, vou fazer diferente. Nada de parágrafo após parágrafo discutir os eventos até porque tudo se resume ao seguinte:

– Como se esperava a redoma caiu e igualmente como se desconfiava não houve nenhuma explicação, um argumento, uma justificativa para que ela ali estivesse. Uma ameaça nuclear, a primavera das flores, um povo extra-terrestre desesperado por água… Nada! Portanto se você se sentiu um(a) palhaço(a) esperando que uma decente bobageira fosse contada pra você, junte-se a mim.

– Big Jim, pela enésima vez, fez um acordo. E foi só isso que ele fez nos mais de 30 episódios da série. Mentiu, matou, acordou. Foram estes os verbos utilizados pelo personagem de Dean Norris. Ele foi responsável também por dar uma “nova” vida a todos os personagens da resistência que não estavam infectados pela “kindship disease”, uma espécie de patologia que não foi explicada a sua origem e os seus reais propósitos.

– A nova rainha é Dawn, uma simbiose da Eva com o Barbie. Aproveitaram a mesma atriz que fez a morena arqueóloga e nem se deram ao trabalho de dizê-la: “Aproveita o momento de protagonista que você terá. Muda a sua cara, sua feição e especialmente, dá uma melhorada na atuação. Você será rainha por 1 dia.” Ela preferiu continuar sendo Eva, ou melhor, sendo Kylie Bunbury, a atriz canadense que foi péssima desde a primeira aparição. E não é só isto: de acordo com os loucos roteiristas, prepararam a personagem para voltar numa quarta temporada, desta vez fora da redoma, ameaçando a “paz” (com todas as aspas) do mundo.

– Norrie gostou da arte de atirar e acabou se tornando uma atiradora de elite do exército americano. Uma vez que Joe havia “morrido”, ela se entregou ao seu último prazer: combater. Razoável. Nada tão terrível. SE, você não descobre que o final sacrificial de Joe era apenas um cliffhanger que não funciona, uma tolice, uma bobagem.

– O exército estava ao redor da redoma! Em nenhum momento (por favor se isso aconteceu, me corrijam) isso foi sequer ventilado por qualquer personagem. Pelo contrário. A única organização que era citada verborragicamente era a Aktaion e ela ficou sem qualquer propósito na série com a morte de Hektor, que sequer foi investigada ou mencionada.

– Junior e Sam morreram. Mais alguma linha? Foram tarde. Dois atores medíocres e os finais foram congruentes com seus papeis. Junior virou um louco (só porque tomou o antídoto que não deu certo?) e Sam virou um pau-mandado sem propósito. Na verdade, ambos, Eddie Cahill e Alexander Koch, por trás dos planos, devem ter solicitado desligamento desta bagaça para não continuarem pagando mico como os outros. Dinheiro na conta, corpo no caixão.

– Com relação à Barbie e Julia, Hunter e Lily, formaram os casaizinhos necessários a qualquer núcleo e o último par surpreendeu pela manutenção com o agora congressista Big Jim. No final, o careca livrou a cara de todo mundo, continuou sendo visto como o “asshole” e ainda se encarregou de fazer um rastreamento para saber se Dawn havia morrido ou não. Qual foi o resultado?

Fica muito difícil defender uma série que teve 19 diretores em 39 episódios possíveis e teve Adam Stein como um dos roteiristas principais, sendo que o moço só trabalho em 8 destes episódios, espaçadamente. Não havia como ter uma harmonia na série e muito menos coerência. Nem vou citar os exemplos absurdos que a série se prendeu como o misticismo em torno de Melanie, que na verdade havia morrido ou a vidência nonsense de de Pauline ou os discursos messiânicos de Christine, que perderam muita força a medida que o domo foi se despedaçando.

Não tem como ser melancólico e sentir saudade da preguiça textual e do amadorismo empregado, desde especificamente, a segunda temporada, quando a própria audiência do canal caiu mais de 50% por cento.

Por último: se você achou o fim de “Dexter” e “Lost” uma droga, retome seu paixão e tente assistir qualquer temporada de Under The Dome. Eu tenho certeza que ao final de qualquer episódio, você mudará seus conceitos.

Acabou? Vai com Deus!

Artigo anteriorThe Last Ship 2×12/13: Cry Havoc/A More Perfect Union [Season Finale]
Próximo artigoAmerican Horror Story: Hotel | Asissta ao 8ª teaser