A hora de começar a caminhada até o grand finale…
Uma Season Premiere dificilmente revela muito sobre a trama da temporada, é mais o momento em que os roteiristas apresentam novos personagens e apenas introduzem as tramas, deixando pra desenvolvê-las após um mini-arco de 3 ou 4 episódios.
Para ser honesto, True Blood nunca seguiu muito essa regra já que, salvo em raras exceções, sua trama sempre foi contínua, começando a temporada seguinte logo após o final da anterior… Mas este ano, mas do que nunca, True Blood não perdeu tempo com coisas pequenas e já deu início a sua trama de encerramento.
A Premiere estabeleceu bem o clima de guerra, com o ataque dos vampiros infectados e deixou claro que, por ser uma temporada final, ninguém seria poupado, com a “morte” de Tara. O segundo episódio mostrou que a guerra só começou, ao colocar os humanos de Bon Temps declarando oficialmente guerra aos vampiros e já aproveitou para nos dar uma mostra do resultado dessa guerra, ao nos mostrar uma outra pequena cidade – em nada diferente de Bon Temps – devastada após a passagem dos vampiros infectados por lá.
Não foi um episódio com muitos acontecimentos, mas nem precisava… O clima da pequena cidade fantasma e a cena em que vemos quase todos os moradores dali em uma cova foram suficientes para dar o impacto que a trama precisava.
Mas a verdade é que, apesar de muito importante para apresentar ao público a proposta quase apocalíptica dessa temporada final, “I Found You” não tem tanta coisa assim para se falar sobre… Apesar do choque que o episódio nos causa em nos mostrar o destino quase iminente dos personagens da série, não houve tanto desenvolvimento quanto o episódio seguinte, o que acredito, inclusive, ter sido a razão de eu enrolar tanto para fazer a review deste capítulo, até o ponto em que percebi que só poderia sair uma review dupla.
Mas o fato é que, ainda que tenha sido um episódio contemplativo, ele tinha um propósito, uma função em uma temporada que encerra sua jornada. E isso ficou evidente logo nos minutos finais, quando reencontramos Eric e descobrimos que o vampiro nórdico foi infectado pelo vírus que está exterminando vampiros ao redor do mundo.
Até então, True Blood seguia um roteiro não natural, creio que ainda naquele clima de mudança que a Season Finale anterior nos trouxe, e chocou todo o público… Mas aqui, já no terceiro episódio da temporada, “Fire in the Hole”, voltávamos ao habitual da série… O relacionamento perfeito entre Sookie e Alcide começa a mostrar fragilidade, Sam já não é mais prefeito, o clima de guerra se instaura em definitivo na pequena Bon Temps e, principalmente, voltamos a ter nossos três protagonistas em tela.
Não havia nada de errado com Sookie, já que ela esteve no centro dos holofotes – as usual – durante esses três primeiros episódios, mas realmente achei Bill bem coadjuvante durante esse período, principalmente no “I Found You”… E Eric, bem, esse mal sabíamos onde estava.
Com o retorno de Eric o roteiro passou a rodear, novamente, os três protagonistas da série e assim tivemos ótimos momentos do Sr. Northman com Pam e até mesmo entre Sookie e Bill… Aliás, creio que o episódio deixou bem claro que ao final, veremos a moça junto ao seu primeiro amor, o Sr. Compton, e a ausência de sutileza com que o episódio nos revelou o desfecho romântico da protagonista dá sinais de que o romance será uma das vertentes menos exploradas da série neste seu último ano.
Aliás, com o retorno de Eric tivemos também o retorno dos flashbacks que, se não foram muito úteis, no geral, também não atrapalharam a narrativa da trama. Por sinal, só intensificaram a sensação de que o final “Bill & Sookie” estava definitivamente selado, já que enquanto o casal se reaproximava, conhecíamos o grande amor da vida do Vampiro Nórdico, que pelo timing TERRÍVEL com que decidiram contar essa história (sério que era pra mostrar uma mulher aleatória na vida do Eric na ÚLTIMA TEMPORADA?) só deixou ainda mais claro a mensagem dos produtores de “Olha, esqueçam Sookie e Eric, tamo até mostrando um amorzinho do vampirão que vai fazer ele tentar se redimir por ela e essa vai ser sua última trama da série”.
E como eu não estou nem aí pra quem a Sookie pega, não me incomodo com a antecipação dessa informação… Primeiro porque me deixa feliz imaginar que esses dramas românticos não serão o foco dessa temporada final e, depois, tudo o que eu quero é que os três protagonistas tenham espaço o suficiente para, individualmente, se despedirem da série, sem que sejam obrigados a ficarem presos nessa historinha de triângulo.
Falando neles, tenho que já deixar aqui, de antemão (caso não tenha chance nas próximas reviews) meus parabéns a Anna Paquin, Stephen Moyer e Alexsander Skarsgard que compõem um raro grupo de protagonistas que funcionam muito bem. Anna é excepcional desde o começo da série e a força e ousadia de Sookie sempre foi admirável, adoro Sookie e digo que é muito rareou adorar uma protagonista, já que, raras exceções, geralmente são as personagens mais chatas de todas as séries. Stephen nunca me desceu muito, mas evoluiu demais no decorrer dos anos e, com a mudança de personalidade de Bill chegou ao seu auge na temporada anterior… Já Alexsander conquistou o público pelo forte perfil e anti-herói de Eric, mas sobretudo pelo carisma de seu intérprete que fez um personagem inicialmente secundário roubar completamente os holofotes da série.
Mas não são apenas os protagonistas que estão brilhando nessa temporada final.. Jessica está ótima, Jason voltou às suas raízes, Lafayette, ainda que em segundo plano, também não mudou muito… Lettie Mae, Sam, Andy, Adilyn, James, o Reverendo Daniels, Violet… Todos os personagens, sejam mais novos ou veteranos, arranjaram um espaço para se encaixar organicamente nesse último ano de True Blood.
E com a simplificação da trama, que pelo menos até agora, gira em torno apenas dos vampiros infectados e da guerra entre humanos e vampiros, a tendência é que os personagens se sobressaiam ainda mais, o que é ótimo, para que True Blood se encerre com dignidade renovada.
Mas claro que dois personagens não foram comentados acima, pois mereciam um destaque especial, já que foram o grande destaque do episódio, mesmo que por motivos completamente opostos: Alcide, pela sua morte, e Sarah Newlin, por ainda estar viva.
Sarah é um presente que True Blood nos deu e, em grande parte, pela performance espetacular de Anna Camp, que fez a personagem se tornar adoravelmente odiosa. Já na segunda temporada, Sarah já chamava atenção em cada episódio que aparecia na brilhante trama religiosa de True Blood… No ano anterior, no entanto, tivemos seu retorno como uma vilã – e tenha-se em mente que ser um vilão de True Blood é um status fantástico já que a série sempre nos apresentou os melhores antagonistas – que, ao contrário do que imaginava, aumentou ainda mais o carisma da personagem.
Portanto, termos Sarah de volta na temporada final de True Blood é, mais do que um presente, mas sim um reconhecimento enorme à Anna Camp que ganha a chance de dar um último arco para sua personagem. E desde já há a promessa de um bom arco final para Sarah, já que seu caminho irá cruzar com o de Eric, Pam e a misteriosa empresa japonesa que fabrica o Tru Blood.
Só fico com um pequeno pé atrás com este retorno por avaliar o histórico recente de True Blood ao trazer seus vilões memoráveis de volta… O que aconteceu com o inesquecível Russel Egdington (vivido de maneira espetacular por Denis O’Hara) em seu retorno foi tão vergonhoso ao histórico do personagem que era preferível que nem tivesse retornado. Portanto, só fica aqui a minha esperança que Sarah tenha uma trajetória melhor nesse seu retorno.
E falando em trajetórias, a de Alcide chegou ao fim no término do terceiro episódio dessa temporada final. Minha relação com Alcide é um tanto quanto interessante, já que, no geral, sempre achei o personagem desnecessário, o que não me impediu de sentir sua morte.
Mas não foi um sentimento de perda, como se morresse um personagem que eu gostasse, foi mais uma sensação de “Porque o Alcide?”… Havia tantos outros personagens na série que mereciam ir embora antes do lobisomem, que a sensação que fica ao vê-lo morrer nos braços de Sookie foi de frustração pela morte de alguém que, no geral, nunca causou mal a ninguém, só tendo errado ao escolher a moça por quem se apaixonou.
Importante é que, com a morte seca e rápida que Alcide teve, True Blood continua nos mostrando que vai sim encerrar sua trajetória, e que a esta altura já não se interessa mais em tramas bobas ou nem mesmo em manter seus personagens vivos…
A série que sempre teve medo de matar seus personagens mais inúteis, unicamente por serem carismáticos, encara o fim de sua estrada com coragem e querendo mostrar que, bem lá no fundo, aquela ousadia velada das primeiras temporadas ainda continua ali, pronta pra se libertar, antes de chegar ao seu Series Finale.
P.S.: Alguém tem algum palpite sobre a “Yakuza do sangue enlatado” e qual função que eles terão nesta última temporada? Achei interessante o link que fizeram entre Eric e Sarah através deles, mas juro que não imaginei que importância terá essa trama em uma temporada final.
P.S. 2: Falando no vampiro nórdico, alguém acha que ele irá se encontrar com Godric em breve ou ainda acreditam ser possível achar uma cura para a Hepatite V?
P.S 3: Pra fechar a trinca de comentários sobre a trama de Eric, achei sensacional a aparição da Nan Flanagan, ainda que em flashback. Adoro temporadas finais exatamente por essas participações que nos despertam um clima de nostalgia maravilhoso enquanto nos despedimos da série.






















