Sai da frente Modern Family. Finalmente temos uma nova comédia inteligente na TV aberta americana com Trial & Error.

A comédia estreou na NBC em março desse ano, sem muito alarde. Com apenas treze episódios encomendados para a sua temporada inicial, é uma vitória saber que há pouco mais duas semanas, a série foi renovada para a 2ª temporada. Infelizmente para apenas dez novos episódios, e do jeito que a audiência baixa perdurou em seu primeiro ano, os produtores de T&E terão que ter um jogo de cintura maior que Josh e sua equipe para a série, merecidamente, ir além de dois anos #Trial&ErrorSeason3 desde já telespectadores!

Negócios a parte, Trial & Error foi uma agradável surpresa. Na verdade, acredito que foi a melhor série que assisti desta Fall-Season 2016-2017. Tinha grandes esperanças em The Good Place, todavia, não consegui passar do piloto. Outra série que depositava minha fé era Great News, entretanto, não cheguei nem a metade da temporada. Com T&E tive a minha primeira experiência assistindo o trailer pelo YouTube, que pareceu ser divertidíssima e estava na ansiedade para a sua estreia.

A série, categorizada como um mockumentary (falso documentário, estilo popularizado em The Office) e conta a história do assassinato de Margaret Henderson, cujo o principal suspeito é Larry, seu marido (interpretado por John Lithgow). A ideia da série é fazer uma sátira com documentários criminais no estilo Making a Murderer da Netflix e em Trial & Error, uma firma de Nova York é contratada para ir à Carolina do Sul, na pequena cidade de East Peck, onde o advogado Josh Segal é enviado para representar Larry. Como um bom telespectador adestrado pela Netflix, esperei a temporada se encerrar para assisti-la inteira. Me surpreendi com os roteiros muito bem escritos e piadas engraçadas em humor negro nível máximo, assim como a atuação do elenco. Incrível senhores, merecidas palmas para todos, em especial para Nicholas D’Agosto como o protagonista Josh Segal, Jayma Mays como uma tirana e tarada advogada, Steven Boyer como o caipirão Dwayne Reade e Sherri Shepard como… “bem como eu posso começar a explicar quem é Anne Flatch?”. Imagine uma Dory, de Procurando Nemo, em pessoa. Pois bem, adicione mais certas peculiaridades, esquisitices adoráveis e divertidíssimas, mais o elemento X, e você tem a Anne.

Nicholas D'Agosto e John Lithgow em Trial & Error
Nicholas D’Agosto e John Lithgow em Trial & Error

O lado negativo? Bom, como toda série, T&E tem e acredito que foi o episódio final e o seu desfecho. Não irei estragar a surpresa para os leitores que não assistiram, mas o verdadeiro assassino ficou algo, digamos, meio forçado a meu ver. Além disso, deu a impressão do roteiro do episódio final ter sido escrito rapidamente assim como o talentoso John Lithgow ficou apagado em sua atuação com o carisma dos demais personagens transbordando em cada cena.

Acredito que além de Modern Family, Veep é outra série que se parece o tom cômico que T&E entrega, apesar desta não se categorizar como mockumentary. Os personagens conversarem diretamente com a câmera e quem está por trás delas acrescente algo que poderia ser verdadeiramente cafona e bizarro, mas os roteiristas fazem com que case muito bem com a proposta da série. Escolher um personagem forte o suficiente para concorrer em premiações como Emmy Awards, SAG ou Globo de Ouro acredito ser difícil, mas T&E tem força de sobra para concorrer como melhor série cômica, juntando todo o elenco. Se Brooklyn Nine-Nine ganhou como melhor série no Globo de Ouro, Trial & Error também consegue.

Anunciada como uma antologia, a série irá contar com diferentes histórias a cada temporada (se os deuses permitirem!). Tenho um pé atrás com antologias, todavia, T&E pode me surpreender positivamente e indicaria os roteiristas colocarem mais de um caso por temporada e amarrar as storylines de todas as temporadas, se possível, e não serem apenas casos isolados, que não “conversam entre si”. Estou com altas expectativas senhores, o que nós sabemos, nem sempre é bom neste mundo de seriados, ainda mais porque já foi confirmado que John Lithgow não retornará para a próxima temporada.

Brincar com o estereotipo de estados sulistas x estados do norte americano assim como personagens estereotipados e bizarrices que só ocorrem em cidades pequenas faz T&E ser um baú cheio de piadas sagazes transbordando a cada episódio. Confesso que saber um pouco da história americana ajuda a compreender melhor o lado cômico da série. Mas saliento mais uma vez que o que me fez apaixonar por T&E foi o seu tipo de humor, algo que não se vê em todas as temporadas quando as emissoras apresentam as suas novas safras ao público. Foi como ter achado um diamante já lapidado em meio a tantas pedras sem valor.

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Sem dúvida, a melhor série da temporada 2016-2017.

REVISÃO GERAL
Nota:
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