Fui no escuro para essa segunda temporada. Não havia lido nada sobre qual storyline seria abordada, quais atores e atrizes haviam continuado e nem quem seria as novas adições. No entanto, foi uma grande surpresa ver que Kristin Chenoweth tinha sido a escolhida para estrear a nova temporada, ao lado do retorno dos incríveis moradores da inusitada East Peck.
Vi muitos comentários de fãs da série que acharam o nível dos roteiros abaixo da temporada anterior. Concordo em partes com eles, especialmente alguns episódios que foram bem mornos se comparado com o que os roteiristas já nos haviam entregado. Vi um certo exagero em alguns hábitos dos habitantes de East Peck, como a necessidade de ter um homem carregando bandeiras anunciando uma motorista mulher logo atrás, a síndrome da Anne em pular muito alto e até agora ainda não entendi a relação da respiração do alce com o calendário, entretanto tiveram outros acertos que foram tão certeiros que acredito que é possível relevar o que não foi tão crível.
Um dos primeiros foi o fato dos roteiristas terem percebido que a fórmula da série se desgastaria ao longo do tempo. Apesar de ser uma antologia, Trial & Error não é igual as franquias American Horror e American Crime, por exemplo, em que há uma mudança 100% das histórias e dos personagens. Ela é mais parecida com Desperate Housewives ou Malhação na época do Múltipla Escolha: todas os anos seguiam o mesmo padrão, cansando o telespectador. Nessa temporada em Trial & Error, vimos uma reviravolta no meio da temporada, abrindo o precedente para dois julgamentos interligados, saindo do que seria um único julgamento se estender para todos os episódios, como ocorreu na temporada anterior. Fico curioso em saber como será (dedos cruzados) o arco da próxima.
A adição de Kristin Chenoweth me fez abrir um sorriso de orelha a orelha. Não só gosto muito de seus trabalhos, como acho que a atriz foi a adição perfeita para a estranha East Peak. Casou incrivelmente bem. As suas peculiaridades assim como a storyline criada em torna dela, sendo a grande vilã e, ao mesmo tempo, amada pelo povo da cidade foram grandes sacadas dos roteiristas.
Em resumo, Lavinia Peck-Foster (Kristin Chenoweth) foi acusada de matar o seu marido. Josh Segal (Nicholas D`Agosto) é contrato para defendê-la e Carol Anne Keane (Jayma Mays) é quem acusa Lavínia pelo assassinato. Keane, aliás, juntamente com Anne Fletch (Sherri Shepard) duas das grandes estrelas da temporada anterior, retornaram afiadas. Nesses novos episódios conhecemos um pouco mais sobre os demais habitantes de East Peck, sobre a história da cidade, a rivalidade entre os Reeds e os Pecks, datas comemorativas, hábitos e rituais.
Em suma, o que mais gostei dessa temporada? A presença de Kristin Chenoweth e a storyline desenvolvida em torno de sua personagem, a manutenção dos atores principais e a exploração das esquisitices de East Peck. E o que acredito que poderia ter sido melhor desenvolvido? Algumas dessas peculiaridades de East Peck serem mais “realistas” mas sem deixar de serem estranhas (se é que isso é possível), algumas (poucas) piadas mornas e personagens muito fantasiosos. Não sei, acredito que na temporada anterior os roteiristas foram mais pé no chão e acabaram se perdendo na fantasia neste segundo ano, e consequentemente, no humor. As esquisitices de East Peck são a alma da série, mas qual é o limite que os roteiristas e os produtores podem levar sem perder o tom cômico? Difícil mensurar.
> SÉRIE MAIS IMPORTANTE DA HBO!
Em relação a próxima temporada, confesso ter ficado muito curioso com a storyline envolvendo as bruxas e Lavínia. A série está em stand by para uma possível renovação. A NBC não sinalizou sobre ter interesse em renová-la e segundo a mídia, a Warner Brothers, estúdio por trás da produção, está tentando achar uma nova casa para a série (leia aqui).
















