Sem desvio, Titãs apresenta um bom penúltimo episódio.
Desde antes de sua estreia, Titãs recebeu uma onda de desconfiança bem próxima daquela sentida pela Marvel com Inumanos, mas um pouco menos agressiva. Polêmicas na escalação e um trailer visualmente limitado, o resultado na prática foi bem superior ao esperado. Contudo, com 11 capítulos pra sua primeira temporada e a tarefa de acrescentar o máximo de personagens possível, a série sofreu um pouco em seu ritmo. Tivemos quase nada da ação dos Titãs em si, mas muitos desvios para apresentar a trama de outras figurinhas da DC. Columba e Rapina, Patrulha do Destino, Jason Todd, parecia que a preocupação central da produção estava em criar uma história para Dick, apresentar pilotos e não muito para Rachel, Gar e Kory.
Koriand’r, como o título revela, é um episódio da Estelar – não totalmente, já que a personagem divide a sua história com a da Rachel e seu pai, mas é o máximo que a série permitiu para alguém que não se chama Dick Grayson. E como resultado, temos um bom capitulo, que demonstra todo o potencial de Titans e o que ela poderia ter feito antes, bem antes. Você até pode argumentar que, como primeiro ano, a série não é e nem deveria ser focada em formar o time de Titãs – até concordo. Contudo, passamos muito tempo aprendendo sobre outros vigilantes, um que poderia ter sido usado para o núcleo que compõe não apenas o título, mas também onde deveria estar o coração de tudo.
Em seu penúltimo episódio a série decidiu finalmente lidar com sua trama central. Sem precisar dedicar tempo a outros personagens, Kory assumiu a frente para desenhar o que todo fã dos Titãs, quer seja nas animações ou quadrinhos, já imaginava. A chegada de Trigon, o pai da Rachel, assim como a traição da mãe da garota. O resultado é o melhor capítulo de Titãs, desde sua estreia. Este é basicamente um momento de recontar origens, o que é estranho, já que estamos falando do ensaio para o season finale, mas aceitável dentro dos termos propostos pela série.
A ação finalmente começou a ser sentida dentro do escopo de Titãs (equipe), diferente de termos apenas Dick isolado, lutando figurativamente e fisicamente contra seus demônios. Tanto é que já abrimos o episódio com Donna utilizando o laço em Kory, com uma cena que poderia ter sido bem mais longa – tudo bem, ainda está cedo para uma Guerra Civil dentro do DC Universe, mas a vontade de ter um embate entre essas duas guerreiras foi bem grande. Muito mais do que uma cena de luta, a ação em termos de narrativa finalmente engatou para todos estes personagens.
Claro, Gar continua apenas existindo, sem ter muito o que fazer. Sua função de envenenado poderia ter sido da mãe da Rachel. Felizmente o relacionamento e companheirismo que ele e Rachel desenvolveram foi forte o bastante para acreditar que ela realmente faria qualquer coisa para salvar o amigo. Porém, como eu já disse antes, é um problema ter um personagem que quase nem falou nada em 11 episódios e que tem sua função facilmente substituída por qualquer outro com o mínimo de contato com a garota. Ora, até mesmo o vilão de alguns episódios atrás conseguiu fazer com que Rachel usasse seus poderes para salvá-lo.
O episódio também alongou seu alcance na mitologia, revelando a nave da Kory, assim como sua origem alienígena. É uma revelação muito legal, mas que não teve muito espaço para ser sentida no escopo necessário. Como não conhecemos tanto deste mundo, apesar das camisetas do Superman, fica um pouco complicado assumir que a revelação de uma nave, assim como a de uma alienígena entre nós, seria abraçado tão levianamente. Talvez este até tenha sido um bom movimento, já que nos impede de mergulhar de cabeça em uma origem tão tarde assim, mas tudo dependerá de como a série irá tratar a personagem no futuro. No mais, a nave realmente acrescentou um elemento legal a Koriand’r.
O que pude perceber, até agora, é que Titãs se sai muito melhor quando está trabalhando seu lado do terror, como fez em Doom Patrol e Asylum, do que quando está tentando impor seu lado “viagem dos amigos”. Com a casa amaldiçoada e Trigon presente, o potencial final é bem grande. Tudo, é claro, dependerá de como a história receberá sua conclusão, assim como as portas que abrirão para o segundo ano da já renovada série.
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Continuo julgando a série como errática, especialmente por estarmos lidando com a primeira temporada. Compreendo a necessidade da DC em criar o máximo de apelo possível para alavancar sua plataforma de streaming, mas também precisamos analisar friamente. Após dois episódios, finalmente voltamos para a casa da mãe da Rachel. É uma pausa muito grande para uma série que está liberando um episódio por semana. Talvez, em sua concepção, Titãs tenha sido visualizada como uma produção que deveria ter sido liberada em sua totalidade – o que pode ajudar a compreender a confusão com a quantidade de episódios inicialmente anunciados, com títulos, e o que foi realmente entregue. Por isso, o último episódio tem uma tarefa bem grande para concluir – resta saber para quem eles pedirão ajuda e se esse alguém não terminará sendo o grande tiro no pé da estreante.















