Nova casa, novo formato e (nem tão) velhas polêmicas.

A décima quarta temporada do The X Factor UK chega no momento que todos estavam ansiando desde o início de seu novo ano: os “Live Shows”. E com um ano que deu preferência aos estágios anteriores em detrimento dos “Lives”, nós tivemos tempo de ver construções narrativas e desenvolvimento das personalidades dos principais artistas do line-up.

Mas para isso tivemos de abrir mão de grande parte de tempo. Ao invés de dez, teremos apenas seis semanas para acompanhar o desenvolvimento e o crescimento artístico dos candidatos. E, por isso, tivemos que lidar com mudanças que ficam entre serem intragáveis ou serem indiferentes.

No texto da semana passada já havia antecipado como esta etapa funcionaria, mas aqui vamos nós novamente: duas das quatro categorias se apresentariam no sábado competindo entre si, enquanto as categorias restantes se apresentariam e competiriam entre si no domingo. Em cada dia, o menos votado seria automaticamente eliminado. Nada de sing-off, nada de votação de jurado, nada de drama de desempate por deadlock.

As alterações no formato, no entanto, não funcionam. Não me importo em perder o sing-off entre os menos votados ou a decisão de eliminação pelo voto dos jurados, não acho que sejam tão importantes ou que sejam tão significativos, ainda que façam parte do diferencial do programa em comparação com outros reality do gênero, mas no fim é a decisão do público que vota que deve ser soberana. Porém, o maior problema é todo o conceito.

O fato de termos grupos selecionados enfrentando determinados participantes tira a isonomia do processo porque não coloca todos os concorrentes em pé de igualdade, dando a eles as mesmas chances (mas se tratando de X Factor, isonomia e igualdade são coisas que evidentemente não existem). Quando o número de participantes começarem a ficar desbalanceado entre as categorias, como será feita a divisão dos artistas? Esse é só um dos problemas.

Outro problema é a janela de votação, que varia entre os dias do final de semana e é tão injusta quanto. Não vejo problema em ser 5, 10 ou 15 minutos para votar, embora seja ridículo considerando que estávamos habituados a quase 24 horas de votação aberta. Mas ser 15 minutos em um dia e 5 minutos em outro é bizarro.

E, claro, por fim temos o que eles têm chamado de “Prize Fight”. Uma disputa estúpida entre os mais votados de cada dia que entrega um prêmio irrelevante e que é, basicamente, uma extensão de 30 minutos desnecessários que poderiam muito bem sequer ter existido (e aproveitado o tempo para igualar a janela de votação, talvez?).

Eu acredito que o programa precisasse das mudanças, principalmente vendo sua audiência escoando mais rápido que a vazão do Rio Amazonas, mas as escolhas tomadas pela produção para este ano apontam um caminho totalmente errado. O melhor teria sido dar um passo atrás e voltar pro formato que estabeleceu o programa entre as cinco primeiras temporadas, com todo mundo se apresentando no mesmo dia, uma janela de votação de 30 minutos e resultados no mesmo dia. É tão impossível pensar o simples?

Alesha Dixon em “olha a vergonha que são essas mudanças no formato, miga”.The X Factor UK 14x17/18: Live Shows 1 & 2
Alesha Dixon em “olha a vergonha que são essas mudanças no formato, miga”.The X Factor UK 14×17/18: Live Shows 1 & 2

Antes de finalmente chegarmos aos detalhes que culminaram em duas eliminações justas, embora polêmicas, ainda temos que pincelar algumas informações importantes: os wildcards e a ausência de Simon Cowell.

Seguindo o que já era previsto pelo mercado de apostas, os wildcards anunciados de forma oficial foram Alisah Bonaobra (“Girls”), Jack & Joel (“Groups”), Leon Mallett (“Boys”) e Talia Dean (“Overs”). A única grande surpresa foi ver que Leon foi capaz de bater Aidan Martin numa votação popular, coisa que eu não esperava. Ademais, foram escolhas aceitáveis e previsíveis.

Previsível só não foi o tombo, literal, de Simon Cowell. Na última sexta-feira (27), Simon teve um acidente doméstico ao cair nas escadas de sua residência e, por este motivo, ficou de fora da primeira semana de “Lives”. Embora a bancada tenha ficado com apenas três jurados no sábado, a jurada convidada da temporada Alesha Dixon veio para preencher o lugar vazio do patrão e ser a voz responsável por defender os “Groups” no domingo.

O tema da semana foi “Express Yourself”, músicas que descrevem os participantes e sua artisticidade, mas que significa nada e não passa de um tema livre pra fazerem o que bem quiserem. Com apresentações convidadas do ex-One Direction Liam Payne, cantando “Bedroom Floor”, e do rapper Stormzy (acompanhado de Labrinth), cantando “Blinded by Your Grace, Part 2”, vamos aos detalhes do longo final de semana.

UMA VITÓRIA DE LAVADA

A melhor categoria de todo o final de semana, sem nenhuma surpresa, foi a “Girls”, mesmo não tendo nenhuma performance extraordinária. As garotas de Sharon Osbourne foram muito competentes pelo conjunto da obra, ainda que tenham algumas coisas a serem ditas sobre cada uma delas.

Ao abrir os “Live Shows”, Rai-Elle Williams fez uma tour pelo novo cenário do programa com um mashup que me soou confuso e me perdeu no meio da performance quando eu fiquei evidentemente muito mais preocupado com o bailarino/ciclista quase caindo sobre a plateia. Imagina o cagaço que esse homem deve ter passado em quase cometer um homicídio ao vivo logo na primeira apresentação da temporada. Seria um momento de TV gold. Embora tenha tido esta distração, a maior qualidade de Rai-Elle é sua presença de palco e seu domínio sobre sua apresentação, mesmo com tanta coisa acontecendo em torno dela, a performance foi bem controlada e o foco sempre foi ela. Lado negativo: figurino. Demitam imediatamente a pessoa que fez essa menina usar essa roupa.

The X Factor UK 14x17/18: Live Shows 1 & 2
The X Factor UK 14×17/18: Live Shows 1 & 2

Embora tenha o figurino contido e acertado, mas sem a metade da presença de palco de Rai-Elle, Holly Tandy fez uma apresentação vocalmente regular de “Hollow”. Com alguns problemas em algumas notas, Holly fez a lição de casa em uma escolha que não esperava de songchoice. Seu VT de introdução foi uma das coisas mais engraçadas da semana, com uma divertida imitação de sua mentora. Não entendi o conceito da apresentação ou da cenografia, mas foi tudo bem executado. O maior problema de Holly no momento é que Louisa Johnson existe, e é um fracasso de vendas. Dentro do universo contido do X Factor ela é uma excelente concorrente, até com um potencial de vitória se a produção estivesse mais investida nela, mas fora dele ela é tão genérica quanto Louisa.

Tem muita gente sendo bastante injusta com Alisah Bonaobra e sua trajetória dentro do programa, e, ainda que eu faça piadas com todas as vezes que ela foi eliminada e trazida de volta ao programa, é inegável reconhecer o talento da jovem filipina, goste ou não de seu estilo. Sua interpretação de “This is My Now”, hino da vitória de Jordin Sparks no American Idol, é o ápice de competência vocal e profissionalismo dessa semana. É datada? Sim. É brega? Sim. Dá votos? Com certeza. Ainda que você que não goste dela, como eu também não gosto, é preciso respeitá-la. Reduzir sua apresentação ou menosprezar seu talento é assinar um atestado de burrice, ainda mais assistindo um programa que tem apresentações horríveis como as de Sam Black ou Leon Mallett (já chegaremos a eles).

Por fim, temos Grace. Grace Davis está a milhas de distância de suas concorrentes que é até injusto querer fazer um comparativo do que ela apresenta com seus adversários, sejam eles da sua categoria ou das demais, ainda que “Too Young”, mais uma de suas originais, não seja a minha favorita. Acho que falta um gancho melhor para composição, embora o refrão seja muito bem construído. Entendo as críticas da Nicole em relação a superprodução e coisas desnecessárias como a chuva de pétalas e o pedestal florido, mas não só entendo como aplaudo a sutileza cenográfica da referência da rosa e o fato de Grace ser de Lancashire. É pra esse tipo de coisa que eu assisto o X Factor, é quase uma aula de história e geografia em um staging.

Voltando a falar sobre os pontos que levantei no texto da semana passada, o seu tratamento essa semana voltou a ser positivo, embora longe de ser a quinta marcha no acelerador como o de Louisa. Eu entendo que a produção nesse momento queira testar sua base de votos, que me pareceu muito mais resiliente e robusta, levando ela a vencer sem muito esforço essa semana (ainda que tenha sido uma semana ridícula de nível de talento baixíssimo). No entanto, o tema da próxima semana (falaremos no fim) não a ajuda em nada, então vamos aguardar.

O (FIM DO) SONHO AMERICANO

Os “Boys”, em contrapartida, foram uma negação. A categoria de Louis Walsh foi o tremendo fiasco anunciado e até mesmo quem a gente achava que tinha potencial de ir minimamente bem conseguiu ser horrível. A competição aqui era pra saber qual deles seria o pior, pra ser honesto.

O wildcard Leon Mallett sabe que é incompetente vocalmente e por isso nem tenta disfarçar. A parte melódica de “Stay” é fraca e ele não faz jus ao que é exigido dele (o que, honestamente, nem é muita coisa), e seu rap foi ruim, com rimas que beiram a cafonice e que poderiam ter sido escritas por uma criança de 10 anos. E se isso já era um problema, o trabalho de câmera nesta apresentação foi horrível. A câmera perdeu Leon no palco por pelo menos duas vezes e tinham closes sem sentido na plateia que prejudicam ainda mais a composição visual de sua performance. Se sua força no voto popular conseguiu barrar Aidan, eu começo a ficar preocupado com o andamento da temporada.

Eu fico preocupado também em ver o público votando a favor de gente como Sam Black, que, como vocês sabem, não devia nem ter que estar aqui para começo de conversa. Parece até perseguição, mas não posso fazer nada se sua performance de “Faith” foi uma bosta completa. Eu gosto do estilo e do staging, mas Sam não ajuda ficando atrás da música e não acompanhando nem o ritmo e nem o backtrack. Se a apresentação fosse feita por um artista melhor vocalmente, capaz de segurar a apresentação e se manter no ritmo, tinha potencial de ser ótima. Mas a gente sabe que o Sam não é nada disso, nem um bom vocalista, nem um artista que consegue segurar uma apresentação.

O choque da noite de sábado, pra mim, foi ver que Lloyd Macey, de todos os “Boys”, fosse o que eu iria odiar menos. E olha que ele até se esforçou pra eu odiá-lo ainda mais escolhendo cantar a monótona e insossa “City of Stars”, do filme musical La La Land. Eu achei uma apresentação competente e segura, mas qualquer interpretação de um cantor minimamente bom de uma música famosa por ser cantada por atores não-músicos tem a tendência de ser boa, ao menos por comparação. Lloyd foi o único a ir bem em uma categoria fadada ao fracasso, ainda que o eliminado não tenha sido o ideal.

A eliminação do sábado foi do norte-americano Spencer Sutherland, que fez uma apresentação medíocre de “Who You Are”. Existem diversos fatores que explicam a eliminação precoce do Spencer. O primeiro deles é a ordem de apresentação, ser o segundo a se apresentar (ou quanto mais no começo do show) é negativo, ainda mais se sua apresentação não seja memorável o suficiente, ainda mais sendo medíocre e não oferecendo nenhum motivo razoável para se votar por ele. Eu só não esqueci que ele tinha se apresentado por causa das minhas anotações, e isso diz muito sobre a relevância dele na competição.

Não estou, tampouco, dizendo que ele deveria ter sido o eliminado. Leon e Sam estão aí provando que conseguem ser muito mais incompetentes que ele sem muito esforço. Mas também não vejo motivos para se criar todo um discurso de ódio aos votantes, com alegações de xenofobia por conta da nacionalidade de Spencer. Vocês estão falando do mesmo público que votou pelo retorno de uma filipina, que levou uma finlandesa e um italiano ao segundo (2016) e terceiro (2014) lugares, respectivamente, e que no dia seguinte votaria por um francês ao invés de uma britânica. É triste ver o seu favorito ser eliminado, mas ao menos respeita a decisão do público que discorda de você, principalmente se seu favorito foi incapaz de fazer uma boa apresentação e acabou sendo esquecido no meio das outras apresentações.

OS PUPILOS DA VÍTIMA DE NAZARÉ

Mesmo com a ausência de Simon Cowell depois de claramente ser atacado pela rainha Nazaré Tedesco e descer a capote os degraus de sua escada, os “Groups” fizeram apresentações consistentes ao que vinham apresentando ao longo da temporada. Nenhuma surpresa ou nenhuma decepção, os que foram ruins a gente já imaginava que seriam ruins e os que foram bons a gente já imaginava que seriam bons.

Quem abriu a noite de domingo foi o trio de irmãos escoceses The Cutkelvins. Cantando “What About Us”, Shereen novamente roubou os holofotes e mostrou porque é uma das melhores vocalistas da temporada. Eu gosto da energia e do astral da apresentação do trio, acho que eles são um grupo completo e que são os artistas mais comerciáveis de toda a temporada ao lado de Grace, mas não gosto da ideia de separá-los da forma como o palco foi montado. Eu quero ver a interação entre eles e uma maior participação de Jay e Kyle, que compuseram bem a apresentação preenchendo os vazios que Shereen deixava. Inclusive, Jay acertou um falsete que deixou não só a mim, como a também Nicole, completamente desnorteados. Se a produção quiser investir neles, eles têm potencial de sobra, só falta um mentor mais disposto e uma produção mais bem elaborada.

Porque todo o foco da categoria (e de Simon) foi direcionado a querer empurrar Rak-Su (ou seria Cat-Su? Rat-Su? Sharon, me ajuda). Eu tenho dificuldades de me importar com eles como candidatos, mas até me diverti com “Mamacita”, outra de seu cardápio original. Continuo achando que não sejam bons cantores e que a dança é terrível, mas a performance funcionou num todo – tanto é que deu a eles a vitória do dia. A cenografia, o trabalho com as cores, o bom corte de câmera e uma música divertida foram suficientes para saírem no topo de uma noite que só não foi pior que sábado porque não tinha “Boys” performando.

Os demais grupos fizeram o que sabiam: serem ruins. Os irmãos irlandeses Sean & Conor Price destruíram “Strong”, do London Gramar. A única parte boa da apresentação foi quando acabou, pra ser sincero, que foi quando eu dei graças ao bom deus Beyoncé que essa tortura só tinha durado por dois minutos e meio. Com vocais ruins, sem alcançar uma nota sequer, com um rap fraco e tão ruim quanto o de Leon, a única coisa que eu levo da apresentação é o fato de que eu tenho invertido o nome dos irmãos desde o primeiro dia de audições. Aliás, o grande destaque entre os jurados essa semana é de Sharon Osbourne, que com toda sua elegância consegue dizer que eles foram um lixo sem necessariamente usar a palavra “lixo” ou dizer literalmente. Um dia eu quero ter a eloquência e a classe dessa mulher.

Já o wildcard Jack & Joel tiveram que segurar a canção do ano, “New Rules”, de Dua Lipa. E apesar de ter sido bem ruim vocalmente pela parte da segunda voz de Joel e ter tido mais um rap ridículo, desnecessário e ruim também da parte de Joel (vemos aqui qual é o problema da dupla, talvez), eles não me incomodaram a metade do que Sean e Conor. A apresentação foi divertida e cumpriu o proposto, que foi acordar as pessoas depois da performance mórbida e horrível de Talia Dean.

MORTA POR DENTRO

Porque, sim, esse foi o sentimento ao ver o que era apresentado por Talia Dean, que eventualmente lhe causaria a eliminação de domingo. A gente imaginava que Nicole Scherzinger tivesse problemas com Talia, mas não esperava esse nível de sabotagem logo no primeiro “Live” da temporada. A cover da Carol Moreira fez de “What Makes You Beautiful” (também conhecida como “Bar Mitzvah do Nissim Ourfali”) uma marcha fúnebre. Ela é ótima cantora e tentou salvar a música vocalmente, mas nada funciona.

Aliás, os “Overs” é uma categoria que mescla bons talentos, mas que pouca coisa de fato funciona. Talia é só mais uma deles.

Kevin Davy White é um excelente cantor e eu adoro seu timbre, mas sua apresentação também não funciona. Muito porque “Stay” é uma música batida e o arranjo me distraiu um pouco. Vocalmente foi um dos melhores trabalhos de uma semana que vimos pouquíssima gente indo bem no quesito voz, mas a melhor parte da apresentação foi o stanging preguiçoso com o letreiro sugestivo “sorry, no vacancy” (“desculpe, não há vagas”), como se não houvesse mais vaga para o Kevin na disputa. Eu confesso que ri assim que eu vi.

A rainha da categoria foi, inesperadamente, Tracyleanne Jefford, que com “Written in the Water”, de Gin Wigmore, ganhou uma sobrevida fazendo uma apresentação energética, embora com alguns pequenos problemas vocais e uma perda de fôlego nítida. É inevitável não ver Tracyleanne e não a associar a Amy Winehouse, seu tom de voz e todo seu estilo emula o que Amy fazia. Apesar disso, gosto de vê-la a vontade no palco e, principalmente, se divertindo com a experiência. Tracy pode ter sido a “Over” que chegou com o maior sinal de interrogação nos “Lives”, mas é quem sai de hoje como a grande vitoriosa.

Por fim, mas não menos impor… Mentira, não é importante mesmo. Matt Linnen chega preenchendo a cota galã padrãozinho loiro de olho claro pra servir de colírio das senhoras que assistem ao programa e o que faz? Tira todo o significado e importância da mensagem de “Scars to Your Beautiful” com um cover de arranjo questionável e vazio. Eu não vou me estender muito porque nem acho que ele seja um grande cantor, mas me incomoda muito ver um homem branco, loiro e, presumidamente, bonito falando sobre aceitação corporal e problemas do padrão de beleza imposto pela sociedade. Vindo de Matt vira um discurso hipócrita e que perde a mensagem e toda a força que Alessia Cara imposta à canção. É esse o tipo de artista que vocês querem?

O PRÊMIO INÚTIL

Além das eliminações de Spencer e Talia, o programa decidiu dedicar seu tempo em uma competição inútil e sem sentido. Os dois mais votados de cada dia se enfrentaram em um sing-off “do bem”, valendo um prêmio que, segundo consta ali nas regras, “dinheiro não pode comprar”. Mas uma viagem para Nova Iorque para assistir ao show da Pink no Madison Square Garden, que, segundo o Google, só deve ocorrer em abril do ano que vem, qualquer dinheiro pode comprar, eu acho. Que prêmio incrível, não é mesmo? Er…

Grace e Rak-Su repetiram suas canções da semana e vimos Grace ganhar, chocando exatamente zero pessoas. O mais legal, porém, de se apontar é que as apresentações deram um empurrão no desempenho das músicas originais que eles interpretaram. “Too Young” e “Mamacita” tiveram um pico de segundo e terceiro lugares, respectivamente, no iTunes britânico, um desempenho impressionante para uma gravação não finalizada da apresentação no programa.

O prêmio pode ser, sinceramente, irrelevante, mas pelo menos deu a oportunidade dos artistas serem expostos novamente e causarem um impacto nas vendas dos singles, mas eu honestamente espero que eles revisem essa ideia de “Prize Fight”, porque eu não quero desperdiçar cerca de meia hora vendo apresentações repetidas que tem um impacto nulo na competição.

O The X Factor apresenta em sua primeira semana de “Live Shows” um programa relativamente fraco ao introduzir um novo formato que está longe de ser justo e uma dinâmica inútil que serve para entrega de prêmios irrelevantes que não causam nenhum impacto na disputa. Apesar disso, as eliminações estão longe de serem questionáveis e são, de certa forma, até corretas dentro do contexto apresentado. Entre todas as novidades, as únicas boas foram o novo cenário e o retorno de Alesha Dixon substituindo Simon depois de sofrer um acidente.

Para a semana que vem o tema previsto é “Viva Latino, mas não sabemos se é em homenagem ao Latino tocando sua excelente discografia que passa por hinos como “Me Leva” e “Festa no Apê”, ou se é um tema dedicado à música latina. Espero que seja o primeiro caso, não é mesmo? Apesar de toda a brincadeira, o vencedor do Britain’s Got Talent Tokio Myers e a ex-jurada Rita Ora serão os convidados. A verdade é que a gente queria mesmo Camila Cabello (e o hino cubano “Havana”) ou Little Mix (e a colaboração “Reggaetón Lento (Remix)” com a boyband latina CNCO), mas se a gente não tem nem o formato que a gente gostaria, imagina escolher os artistas convidados. Senta lá, lindo.

Enfim, para você? O que achou das mudanças? Quais foram suas performances preferidas? O que achou das eliminações? Deixe seu pitaco nos comentários e até semana que vem.

Xtra 1: Apesar das comparações inevitáveis com os cenários do American Idol, o novo estúdio do X Factor parece muito mais com recentes cenografias do festival Eurovision (Dusseldorf (2011), Viena (2015) e Kiev (2017), por exemplo, todas desenhadas por Florian Wieder – seria ele o responsável por esse também?).

Xtra 2: Cheryl (sobrenome pendente) presente nos estúdios para prestigiar o macho dela. Gente como a gente.

Xtra 3: A introdução do Dermot O’Leary resumindo na abertura o novo formato do programa (e a extinção do sing-off, voto dos jurados e deadlock) foi excelente. Uma ótima forma de apresentar as mudanças sem ser didático ou pedante, ainda que tudo fosse ser repetido à exaustão no decorrer do fim de semana.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-x-factor-uk-14x1718-live-shows-1-2O The X Factor apresenta em sua primeira semana de “Live Shows” um programa relativamente fraco ao introduzir um novo formato que está longe de ser justo e uma dinâmica inútil que serve para entrega de prêmios irrelevantes que não causam nenhum impacto na disputa.