Por que copiar twists erradas de versões erradas?
Durante a semana, o X Factor Australia divulgou pesadamente uma grande twist que poderia mudar os rumos do jogo. Logo se começou a especular: double elimination ou revelação das colocações dos candidatos na votação.
A primeira seria natural, já que esse ano tivemos um act a mais do que de costume nos live shows, e a eliminação de dois candidatos serviria para manter a estrutura básica de 10 shows ao vivo e grande final com 3 participantes.
Mas, logo no início do programa de domingo, Luke Jacobz anunciou que se tratava da segunda suspeita, e tomaríamos conhecimento do ranking de número de votos dessa quinta semana.
Isso lembra o que? Sim, a segunda temporada do X Factor norte-americano, onde esse ranking foi revelado desde a primeira semana onde a decisão coube ao público. O curioso é perceber que, além de estar buscando inspiração na última franquia que deveria servir de exemplo para alguma outra, o XF AU também parece ignorar que essa estratégia adotada nos EUA não deu certo.
Não deu certo porque, em ambos os casos, a razão para essa decisão dos produtores é bem clara: tentar manipular indiretamente os votos. Os fãs já especulavam que fosse isso, mas, ao sabermos a ordem dos candidatos, ficou bastante nítido. Simon e a produção do XF US bem que tentaram, mas não conseguiram impedir a vitória de um candidato insosso e nada comercial, que só ajudaria a afundar ainda mais o nome da atração na América. Esse ano, os envolvidos no XF AU tentam utilizam os mesmos meios para tentar alcançar diferentes fins. Se terão êxito, só o tempo dirá.
Vamos agora conferir como foram as performances dos componentes do Top 9, com o tema “Latest & Greatest”.
Marlisa Punzalan – “Let It Go” (Idina Menzel)

Marlisa é uma fofa, não conseguiria não gostar dessa menina. Porém, da mesma maneira, não conseguiria dizer que essa performance foi tão boa quanto os jurados disseram. Por algum raio de motivo, parece que só Dannii está disposta a fazer críticas construtivas – talvez por essa rivalidade que parece faiscar entre ela e Ronan. Foi justamente o que Minogue apontou que me fez achar essa apresentação meio morna: a falta de expressão corporal de Marlisa. A garota talvez até tente, mas falta a ela essa capacidade de colocar na sua gesticulação e na sua face o mesmo sentimento que aplica na voz. Por falar nela, os vocais foram muito bons, o que é de se esperar de Marlisa, e em particular, a ponte me deu até um arrepio de tão bonita que saiu. Mas ainda sinto que há o que se melhorar para Marlisa fazer por merecer tanta babação dos jurados.
OBS: Bem-aventurados esses jogadores de futebol americano da Australia, hein? A câmera poderia ter passado por eles mais devagar, né?
Brothers 3 – “Pompeii” (Bastille)

Olha a rixinha Ronan vs Dannii aparecendo aí de novo. Até entendo a preocupação da mentora em não deixa-los sair como os “palhaços” da competição, mas fica difícil quando o Brother 3 moreno parece realmente um daqueles personagens bizarros das promos de American Horror Story: Freak Show. Bom, “Pompeii” é uma música que eu adoro e é com profunda tristeza que eu a vejo tendo não só uma, mas duas versões que não fizeram jus nessa temporada. Lá nas audições aquela boyband Atlas já tinha defecado bonito no hit do Bastille; os Bregas 3 não conseguiram chegar a uma catástrofe das mesmas proporções, mas foi tudo bem errado nessa apresentação deles. Os vocais solos estavam ainda mais fracos que o de costume, talvez principalmente porque deram mais espaço para o Brother 3 Loiro Feio, mas nem o Brother 3 Loiro Gracinha estava no seu melhor dia. E se nem a parte mais forte dessa trindade está em sua melhor forma, não dá para esperar muita coisa. E realmente não foi.
Tee – “Hold On, We’re Going Home” (Drake feat. Majid Jordan)

Que arranjo H-O-R-R-O-R-O-S-O! Estou profundamente ofendido por terem pegado uma das minhas músicas favoritas do ano passado e terem transformado nessa coisa brega, digna de barzinho de quinta categoria, e ainda ser cantada desse jeito qualquer coisa. Se é para mexer em uma canção como essa, que seja para fazer algo como Christina Grimmie fez esse ano no The Voice, que mesmo não sendo melhor que a original, foi uma versão altamente emocional e interpretada de maneira belíssima. Isso aí foi karaokê dos piores. Cherômetro vazio com gosto.
Sydnee Carter – “Strong” (London Grammar)

Vou usar os próprios comentários dos jurados para expressar minhas opiniões sobre essa apresentação:
No VT, Sydnee diz que essa música é fora de sua zona de conforto. Oi??? London Grammar é totalmente dentro do estilo da menina, e Dannii apontou coerentemente isso.
Já Redfoo, também corretamente, disse que Sydnee poderia ter dado mais emoção à canção, o que foi justamente o que fez essa performance ser inferior à da semana passada. Foi uma boa song choice, Sydnee novamente teve um bom desempenho vocal, mas faltou demonstrar mais o sentimento da letra além da voz.
Mas o melhor de tudo foi esse diálogo:
Redfoo: “Eu acho que você pode ir mais além emocionalmente…”
Natalie: “Ela só tem 16 anos…”
Redfoo: “Ok, ela tem 16 anos, então ela não tem emoções!”
PÁ! EXATAMENTE! Chega de usar idade como desculpa para falta de expressão corporal, minha gente. Foo, por que você não foi ótimo assim ano passado?
Rochelle Pitt – “Rolling In the Deep” (Adele)

Não há muito o que dizer, né? Tudo bagunçado, aquele tropecinho no começo parece ter abalado totalmente Rochelle, que começou a se enrolar toda na letra e criou aquele momento vergonha alheia para todo mundo. No meio disso o nervosismo também afetou a voz, que desafinou em alguns momentos. Conseguiu se recuperar relativamente depois do primeiro refrão, mas era efetivamente impossível salvar um desastre daquele tamanho. Não consigo ficar feliz com o que aconteceu pois simpatizo com a pessoa de Rochelle, mas é injusto pensar que isso pode surtir o efeito contrário do que deveria na votação, fazendo com que o público vote mais nela por pena ou pelo iminente risco de eliminação depois do que aconteceu.
Jason Heerah – “She Came to Give It To You” (Usher feat. Nicki Minaj)

Primeiro de tudo, devo elogiar essa produção de palco. O jogo visual com os telões conseguiu me confundir no começo, quando eu não sabia onde realmente tinha dançarina e onde era só a imagem do telão. E quando as duas coisas se fundiram o efeito ficou muito legal. Bom, tirando isso, foi realmente a apresentação mais fraca de Jason até aqui, o que não significa que foi ruim, já que Jason é um dos performers mais consistentes dessa temporada. Mas Ronan está certo em afirmar que ficou aquém do que o cantor/baterista pode oferecer.
Dean Ray – “Budapest” (George Ezra)

Estava sentindo uma grande discordância entre minhas opiniões e as dos leitores sobre as performances do Dean, e depois da apresentação dessa semana passei a acreditar que talvez eu tenha um certo problema com o candidato em si, pois na semana que ele foi “menos Dean”, foi a que eu mais gostei. Sua interpretação de “Budapest” foi uma brisa de ar fresco, um verdadeiro alívio depois de metralharem “Pompeii” e “Hold On, We’re Going Home” e eu já ficar apreensivo, pois poderia ser a terceira música que eu adoro nessa lista. Pelo contrário, foi cativante, charmoso, suave, divertido… Mudaram o arranjo da música sem tirar sua essência, e o resultado foi algo delicioso de se ouvir, o que, claro, contou com a grande ajuda dos vocais de Dean que estavam ótimos, bem equilibrados e muito bem encaixados na música. A única coisa que eu mudaria seria essa risada bizarra no meio da apresentação, que mais soou como uma tentativa fail de fazer o cantor parecer mais simpático do que transpareceu durante sua trajetória. Mas o pupilo de Nat não precisava disso, muito menos quando fez sua melhor apresentação nos live shows até aqui.
Caitlyn Shadbolt – “You And I” (Lady GaGa)

Já desisti há tempos de odiar essa menina, mas se tem uma coisa que eu estou odiando é essa mania de colocarem alguns acts para fingirem que estão tocando instrumentos no palco. Sério, está NA CARA que Caitlyn estava só brincando de tocar guitarra, por favor, X Factor, não subestime minha inteligência! Bom, foi uma enorme evolução da desastrosa semana anterior. A escolha musical foi bem melhor, Caitlyn estava mais confortável no palco, lindíssima e fez uma boa apresentação. O seu desempenho vocal nas Home Visits ainda me faz ter esperanças de que ela é capaz de ir mais longe com uma song choice perfeita, mas o conjunto que a competidora entrega é muito comercial e ainda me faz torcer por ela. Se essa menina chega no Top 3 e consegue um contrato, não duvido nada que ela esteja habitando os charts australianos no ano que vem.
Reigan Derry – “Bang Bang” (Jessie J & Ariana Grande & Nicki Minaj)

Olha, que Reigan já merece vencer a temporada por antecipação todo mundo já sabe. Mas, mesmo tendo que correr das pedras que podem ser atiradas, tenho que discordar de Ronan: isso não foi a melhor performance dos últimos 5 anos do programa, e não nem sequer a melhor de Reigan na competição. Sim, é impossível apontar uma falha vocal; sim, ela tem um fôlego impressionante para conseguir se manter afinada e mandando ótimas high notes mesmo se movimentando tanto no palco; e sim, ela merece todos os créditos por ter cantado partes de três cantoras diferentes na mesma música – inclusive um rapzinho – e dominado todas. Mas tive uma sensação de que a coisa estava meio all over the place, o que pode ter sido a temática indígena totalmente fora de contexto, o cocar comprado na 25 de março, ou a hot mess que é a própria música. Mas vale ressaltar: embora não tenha achado Reigan a melhor da semana passada nem a dessa semana, ela ainda está anos luz a frente de toda a concorrência e já é vencedora moral dessa bagaça, não importa qual seja o resultado da votação.
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Sem sombra de dúvidas, o bottom 2 deveria ser disputado por Rochelle, Tee e Bregas 3. Mas, como a vida muitas vezes não é justa, e tampouco os reality shows, considerando que o Boy tem a “vantagem” de ter ido para o bottom semana passada, os irmãos são idolatradíssimos pela Austrália e a pupila de Foo escorregou na banana e pode ter votos de piedade para tentar salvá-la, não duvido nada que sejam Sydnee, Jason e Caitlyn os menos votados, sendo que apostaria em um bottom entre os últimos dois.
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RESULTS
Olha, o Results Show foi um dos melhores que eu já vi no XF AU, viu?
Teve a Group Performance mais louca da história desse programa, que parecia saída da fantasia de alguém que usou umas coisas que não devia.

Teve a Hilary Duff matando os fãs de vergonha com aquele playback safadíssimo e Redfoo expressando em sua face o que muita gente estava pensando:

E teve a Ariana Grande showing how it’s done, cantando ao vivaço durante mais de oito fucking minutos, e mesmo que a presença de palco dela seja meio desengonçada, não dá para negar que ela merece o sucesso que está fazendo.
https://www.youtube.com/watch?v=tbamFPxKRRg
Por fim, fomos aos resultados. Como anunciado, eles viriam na ordem exata de votação. E aí que foi choque de monstro. Aí que fechou o tempo.
#1 Brothers 3
Sério, se depois daquela apresentação ruim de domingo, praticamente no death spot, esses meninos ainda conseguiram ficar em primeiro, não quero nem imaginar o estrago que eles devem estar fazendo na votação. Não duvido nadinha que eles estejam muito a frente desde a primeira semana, ainda mais com a história do wildcard. Que as forças do universo nos protejam, mas se antes eu já achava que havia certo risco, agora acredito que há um perigo ENORME dos Bregas 3 ganharem.
#2 Dean Ray
Uma posição justificável. Dean fez a melhor apresentação da rodada, não só se alavancou para o primeiro lugar do iTunes como levou a canção original para a segunda posição. Acredito que Dean tenha ido bem de votos desde o início, mas nem sempre entre os três primeiros.
#3 Reigan Derry
AHÁ! Olha aqui o motivo dessa twist! Gente, parem para pensar em como isso é alarmante. A Reigan foi ÓTIMA, em pleno pimp spot, e ficou em TERCEIRO FUCKING LUGAR! Imagina então quando ela é uma das primeiras a cantar, Brasil??!? Não duvido que ela já tenha chegado a passar ali perto da zona de perigo hein, ficando em #7, #8… É de puxar os cabelos!
#4 Rochelle Pitt
Mistério, porque pode ser que Rochelle esteja realmente indo muito bem, ou pode ser que esse quarto lugar se deva aos votos de desespero para salvá-la, pois todos devem ter imaginado que ela corria sério risco de eliminação depois do vexame de domingo.
#5 Marlisa
Não sei dizer ao certo se Marlisa é “menina dos olhos” da produção do mesmo jeito que Reigan é, ou seja, se a pupila de Ronan também foi um dos motivos para a revelação do ranking atual. Mas, sem dúvidas, eu não esperava ver Marlisa tão baixo. Prova de que o público está se desencantando ao passo que Ronan não consegue direcioná-la bem.
#6 Caitlyn
Provavelmente a mais coerente com minhas expectativas. Caitlyn deve ter se mantido na média desde o início, mas agora a “média” já é ameaçadora, e é aí que os fãs (\o/) se desesperam. Se não houver um grande momento para a cantora, é muito difícil que ela sobreviva além do Top 6.
#7 Tee
Surpresa! Realmente Tee é muito mais fraco no apelo popular do que eu imaginava. Se o público não se empenhou o suficiente para que passasse sequer Caitlyn, mesmo depois de sair do bottom 2, Tee realmente não tem lá uma fan base muito forte. O que é ótimo, já que isso significa que ele deve vazar nas duas próximas semanas.
Bottom 2: Sydnee vs Jason
Uma pena que a única Girl com a qual Ronan parecia estar encontrando um caminho estivesse capengando há tempos na votação, e um dos acts mais consistentes nos live shows tenha tido a sua semana mais fraca. O resultado disso foi um bottom injustíssimo, onde Bregas 3, Tee e Rochelle mereciam muito mais estar nessa posição.
Sydnee Carter – “Little Talks” (Of Monsters and Men)
https://www.youtube.com/watch?v=JsB6oOT87TU

Acho essa música complicadíssima de se cantar sozinho(a), pois a letra é um constante diálogo e a mágica da versão original é justamente as vozes se respondendo e depois se fundindo no refrão. Sydnee foi bem nos versos, mas no refrão faltou força. Também achei estranha a voz masculina saindo do além. Ficou na média.
Jason Heerah – “Let’s Get It On” (Marvin Gaye)
https://www.youtube.com/watch?v=665ZvI82q0w

Jason foi com tudo e realmente pareceu entregar o seu melhor. Foi a cara dele, foi legal, mas não foi “UAU!”
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Fiquei com mixed feelings sobre o resultado. Jason foi obviamente mais consistente durante sua trajetória desde sua audição e Sydnee deu seus tropeços, mas enquanto a garota estava vivendo uma crescente na qualidade de suas performances, Jason é muito bom, mas de maneira linear. Pode ser que o melhor de Sydnee ainda estivesse por vir, mas a decisão dos jurados tornou o seu voo no meio da group performance um presságio do que estava por vir: a sua separação do Top 8.
Mas, acima de tudo, o maior sentimento que fica é o de uma absurda injustiça ao ver que Rochelle e Brothers 3 passaram intactos, e muito bem votados por sinal, e Tee escapou, mesmo que por pouco. E fica também a esperança de que Ronan dedique um pouco mais de atenção e cuidado para com sua protegida de maior potencial: Cailtyn.
Agora é esperar para vermos os efeitos da revelação do ranking na próxima semana. Muita coisa pode acontecer: pode ser que os fãs dos mais votados relaxem e eles acabem descendo ladeira abaixo, pode ser que os fãs dos ameaçados acordem e votem, tirando-os do bottom, e pode ser também que os mentores adotem estratégias diferentes com seus pupilos.
E vocês, o que acharam dessa twist “inédita”? Acham que isso será vantajoso para o resultado final ou não fará muita diferença? Ficaram surpresos com alguma colocação? Gostaram das apresentações do Top 9?
Mandem ver nos comentários e nos vemos na semana que vem!
OBS: Se você ficou se perguntando o motivo pelo qual Natalie estava evidentemente triste, te conto: o empresário dela faleceu nessa última semana. Nossos sentimentos, Nat!






















