Voltamos para um novo começo e com a esperança de que The Walking Dead pudesse realmente trazer algo revigorante para o início dessa nona temporada, mas não foi exatamente isso que recebemos. Com o mesmo ritmo lento de enrolação, esse começo de temporada continua testando a paciência dos fãs que ainda, e por muito pouco, se mantém assistindo. Ainda é cedo para saber como a nova showrunner, Angela Kang, vai alterar o estilo da série, mas vamos torcer para que vejamos o resultado logo. Pelo menos a nova abertura é uma linda novidade, e ficou linda mesmo. Vamos ao episódio:
A New Beginning já introduz o tom de despedida que a temporada, vendida como “os últimos episódios de Rick Grimes”, está se propondo a ser, e a cena inicial do ex-xerife com Judith e Michonne mostra exatamente isso, chegando até ser poético como fazem. Esse novo mundo em que os personagens vivem, um pós-guerra onde todos estão se recuperando e trabalhando em conjunto é um ótimo pano de fundo para uma trama política e do renascimento da democracia, mas acho difícil a série seguir essa linha, por mais que tenhamos ganhado um gostinho com o fato de uma eleição ter ocorrido em Hilltop elegendo Maggie como responsável do grupo e do surgimento da ideia de um estatuto/constituição dessa sociedade. Na verdade, o que foi apresentado é o padrão de sempre como a busca por recursos para a sobrevivência, ameaça de alguns zumbis com algumas facadas e morte de algum personagem que nem secundário é. Nada de novo, tudo do jeitinho que já conhecemos.
O salto temporal de 18 meses deu aos personagens tempo para se estabelecerem e desenvolverem uma civilização. Rick e Michonne ficaram com Alexandria e finalmente formaram uma família, Maggie é líder de Hilltop, Daryl ficou responsável pelo Santuário e Ezequiel mantém o seu reinado e tem um relacionamento com Carol. Todos parecem estar felizes com tudo em seus devidos lugares, mas nada é o que realmente parece. Já sabemos que Maggie e Daryl estão se voltando contra a liderança de Rick, e recebemos todas as dicas disso nesse episódio.
No Santuário, a mudança de comportamento é evidente, Rick é tratado como herói pelos salvadores, mas ainda existem aqueles que clamam pelo retorno de Negan. Mesmo com o tempo passado após a derrota do vilão, seria muito difícil que toda resistência contra o novo regime fosse acabar, e pode ser que até uma rebelião possa estar sendo formada, para que no futuro seja explorada a possibilidade do grupo do Santuário deixar de existir de vez, com o extermínio vindo pelas mãos de Maggie. O conflito entre Daryl e Rick vem num crescente desde a temporada passada, mas é a partir de agora que iremos testemunhar o fim de uma das amizades mais duradouras desse universo, ficando evidente na conversa que os dois tiveram sobre a liderança do grupo de Negan.
A grande questão do episódio é realmente mostrada apenas no final, com Maggie revelando uma nova atitude que pode, e vai colocar em risco toda a paz que conseguiram conquistar. A morte por enforcamento de Gregory demonstra o quão longe a líder de Hilltop está disposta a ir para alcançar os seus objetivos, deixando para trás toda e qualquer característica ingênua que tinha anteriormente. As coisas não irão ficar do jeito que estão, não por muito tempo, o clima de guerra pode ter passado, mas nem todos esqueceram do que foi perdido e das decisões que precisaram ser tomadas.
> Bom gosto pra SÉRIES é relativo? feat Alice Aquino!
The Walking Dead retorna mostrando o que sempre fez, no mesmo ritmo, mas com um pé na renovação, com vontade de mudar. A união dos personagens é linda de ver, algo que não acontecia há muito tempo, mas o que realmente brilha os olhos é o protagonismo do núcleo feminino. Espero que esse ar de novidade não fique apenas no superficial, a série precisa encontrar uma nova identidade e reconquistar o público mais uma vez.
















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